Eduardo Bolsonaro contra o Itamaraty e a diplomacia
Talvez desde o movimento pelas Diretas Já não tenha havido um engajamento político tão forte e amplo como o deste movimento que sacode a inércia do primeiro turno e toma as ruas brasileiras por conta própria para dizer que não aceitaremos ser governados por um candidato que representa o fascismo, o retrocesso e o abismo autoritário. As massas cantam o Lula-lá, mas estão dizendo, sobretudo, que eles não podem voltar, que Flávio Bolsonaro não pode vencer no dia 25. Qualquer que seja o resultado, este despertar promete, principalmente pela adesão dos jovens, deixar um legado de luta.
O candidato do PL se faz de sonso, diz platitudes e nega, para o grande público, os planos que combina com a Faria Lima e com outras ilhas da elite, como o de cortar R$ 250 bilhões no gasto público. Não é preciso saber economia para entender que um ajuste fiscal de tal monta atingiria os programas sociais, os pisos constitucionais do gasto com Educação e Saúde, a política de aumentos reais para o salário mínimo, do qual seriam desvinculados as aposentadorias e o BPC, e muito mais. Demissões em massa seriam necessárias no setor público e as privatizações viriam a galope.
Flávio dissimula, mas seu irmão Eduardo, lá de seu exílio dourado, vive anunciando as barbaridades que planejam. Mais de uma vez ele já escreveu ou disse que pretende ser chanceler, de fato ou como sombra, se não puder ser nomeado. E, com a certeza de que o irmão será eleito, diz que o Ministério das Relações Exteriores sofrerá com o acerto de contas que ele pretende ter com todos os diplomatas “que sabotaram o governo de meu pai”. Anuncia expurgos e promete ostracismo e degredo para os “sabotadores”. Estes são aqueles que, principalmente na gestão do anedótico Ernesto Araújo, fizeram o possível, no exercício de suas funções, para minimizar os danos à imagem e à percepção internacional do Brasil.
A última contra a diplomacia veio do lugar-tenente de Eduardo, o Paulo Figueiredo, neto do último general ditador. Na postagem abaixo, no X, ele ameaça o embaixador em Roma, Renato Mosca de Souza, de ser enviado para Burkina Faso no governo do irmão. Vingança porque o embaixador já teria hospedado o humorista Fábio Porchat, o ministro Alexandre de Moraes e o ex-ministro Roberto Barroso na sede da embaixada. “Espero que ele goste de Burkina Faso. Ouvi dizer que é ….pitoresco.” O país africano é um dos mais pobres e menos desenvolvidos do mundo.
O risco de o Brasil vir a ser governado por gente com este grau de tacanhez é que tem levado tanta gente para as ruas e pode trazer a virada a favor de Lula.



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