Hospital afasta médica após mensagem contra alta de pacientes petistas
247 – O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, afastou a ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo após a divulgação de uma mensagem em que ela orientava médicos da unidade a não conceder alta a pacientes durante o fim de semana do primeiro turno das eleições, sob a justificativa de que “a maioria é petista”. A unidade informou que a profissional não retornará às atividades.
Segundo reportagem do Metrópoles, o hospital confirmou nesta quarta-feira (7) que a manifestação ocorreu em um grupo interno de WhatsApp formado por profissionais médicos. “A profissional foi afastada da escala e não retornará [às atividades]”, informou a unidade.
A mensagem atribuída à médica foi enviada na sexta-feira (2), antes da votação realizada no domingo (4), e era direcionada aos profissionais que trabalhariam na enfermaria durante o fim de semana. “Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria no domingo, não é para dar alta para ninguém, a maioria é petista”, escreveu.
Outros veículos também confirmaram a existência da mensagem e o afastamento da profissional. O hospital afirmou que as manifestações ocorreram em ambiente interno e representam posições pessoais dos participantes, sem relação com os critérios assistenciais adotados pela instituição.
“As manifestações mencionadas ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes”, afirmou o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, segundo o Metrópoles.
A direção informou ainda que a conduta será submetida a apuração interna. “O hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade.”
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também instaurou procedimento administrativo para analisar o episódio e afirmou que os atendimentos realizados na rede pública devem seguir critérios técnicos, éticos e clínicos, independentemente das preferências políticas dos pacientes.
De acordo com a reportagem, Marcella também foi alvo de uma denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) pelo advogado Alan Henrique Silva Marques. O material teria sido repassado a ele por um interno de medicina subordinado à profissional, que pediu para não ser identificado.
A mensagem publicada no grupo recebeu reações de integrantes da conversa. Segundo o Metrópoles, uma figurinha com a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro fazendo sinal positivo foi enviada em resposta, e outros participantes reagiram com emojis de risada, sinal de positivo e bandeiras do Brasil.
O episódio passou a ser investigado depois que o conteúdo das conversas se tornou público. Até o momento das informações divulgadas, não havia indicação de que pacientes efetivamente tenham tido a alta hospitalar impedida por causa de preferência política.
A direção do hospital afirmou que não adota posicionamento político-partidário e declarou que as decisões médicas e assistenciais da unidade devem obedecer exclusivamente aos critérios profissionais aplicáveis ao atendimento dos pacientes.


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