Religião e política: Deus não é mercadoria
Há quem fale de Deus no púlpito e negocie poder nos bastidores. Há quem pronuncie o nome de Jesus a cada frase, mas trate a intolerância como doutrina e a fé alheia como inimiga.
Quando a religião vira palanque, o altar vira moeda de troca e a promessa de salvação se transforma em estratégia de convencimento, é preciso perguntar: quem está cuidando da fé? E quem está lucrando com ela?
Igrejas têm responsabilidades sociais, assim como qualquer instituição. A discussão sobre impostos precisa ser séria, transparente e baseada na lei. Mas uma pergunta permanece: por que a fé, que deveria ensinar solidariedade, precisa ser protegida de toda cobrança enquanto tantos brasileiros pagam impostos até sobre o que mal conseguem comprar?
Não se trata de atacar quem crê. Trata-se de questionar quem transforma a crença em negócio, a esperança em instrumento de arrecadação e a suposta salvação em promessa conveniente para conquistar dinheiro, influência e poder.
Fala-se tanto em Deus. Fala-se tanto em Jesus. Mas onde estão os ensinamentos de acolhimento, compaixão e amor ao próximo quando a intolerância religiosa avança, a pobreza é ignorada e a política passa a dividir pessoas entre escolhidos e inimigos?
Deus não precisa de campanha eleitoral. Jesus não precisa de intermediários políticos para defender os pobres. E a fé não deveria custar o preço da consciência de ninguém.
O não acreditar também precisa de respeito, não de pauta intolerante.
A liberdade religiosa é um direito. A crítica às instituições religiosas também. Nenhuma igreja deve estar acima do debate público, e nenhum cidadão deveria ser obrigado a aceitar discursos de autoridade divina como se fossem argumentos incontestáveis.
Quando líderes religiosos entram na política, devem estar sujeitos ao mesmo escrutínio público que qualquer outra liderança. Quando instituições recebem benefícios fiscais, a transparência sobre suas obrigações e atividades deve fazer parte da discussão.
O problema não é a fé. É o uso da fé para blindar interesses, alimentar preconceitos e conquistar poder sem prestar contas.
Porque, se o nome de Deus é repetido para justificar a intolerância, enriquecer estruturas ou manipular consciências, a pergunta é inevitável:
ESTÃO PREGANDO A SALVAÇÃO OU VENDENDO A ILUSÃO DELA?
A fé pode ser sagrada para quem acredita. Mas ninguém deveria usá-la como mercadoria, escudo político ou licença para dominar a consciência alheia.
Deus não é cabo eleitoral. Jesus não é produto. E a consciência humana não está à venda.



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