Impopular, Trump tenta comprar votos para manter controle do Congresso nos Estados Unidos
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrenta nesta terça-feira (3) um teste político decisivo para a continuidade de seu governo. Com apenas 32% de aprovação popular, segundo pesquisa Reuters/Ipsos, o republicano tenta mobilizar seus apoiadores, com promessa de compra de votos de até US$ 5 mil por eleitor, para impedir que os democratas conquistem o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. A oposição lidera as intenções de voto, enquanto a participação antecipada já ultrapassou 57 milhões de eleitores.
Segundo informações publicadas pelo The New York Times, com base em dados da Associated Press, a votação ocorre em um ambiente de forte polarização, disputas judiciais sobre a validade de cédulas e incertezas sobre o prazo para a divulgação dos resultados. Uma eventual maioria democrata na Câmara dos Representantes ou no Senado poderá impor limites à agenda legislativa de Trump e ampliar a fiscalização parlamentar sobre sua administração.
A pesquisa Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (2) apontou que 46% dos eleitores registrados pretendiam votar em candidatos democratas ao Congresso, contra 38% que declararam preferência pelos republicanos. A vantagem de oito pontos percentuais diminuiu em relação à semana anterior, quando era de 11 pontos, mas ainda indica dificuldades para o partido do presidente.
Rejeição a Trump chega a níveis elevados
O levantamento também mostrou que a aprovação de Trump caiu para 32%, próxima dos menores patamares de sua trajetória política.
Entre os eleitores independentes, metade afirmou que votaria contra o presidente, enquanto apenas 13% disseram que votariam a seu favor.
O custo de vida aparece como uma das principais preocupações da população americana. Para 78% dos entrevistados, esse é o tema mais importante da eleição, em um contexto de alta dos preços dos combustíveis desde o início da guerra com o Irã.
Nesse quesito, 43% dos entrevistados consideraram os democratas mais preparados para lidar com a situação econômica, contra 32% que manifestaram maior confiança nos republicanos.
A pesquisa ouviu aproximadamente 2 mil adultos pela internet e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais.
Votação antecipada supera 57 milhões de eleitores
A mobilização eleitoral atingiu números expressivos antes mesmo da abertura das urnas nesta terça-feira.
Segundo a Associated Press, mais de 57 milhões de americanos haviam votado antecipadamente em 47 estados e no Distrito de Columbia.
No período equivalente das eleições de meio de mandato de 2022, haviam sido registrados pouco menos de 44,5 milhões de votos em 49 estados e no Distrito de Columbia.
O crescimento da participação antecipada demonstra a intensidade da mobilização eleitoral, embora não permita antecipar qual partido será beneficiado.
Suprema Corte impõe revés ao governo Trump
Na segunda-feira (2), a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou um pedido emergencial apresentado pelo governo Trump para obrigar a Califórnia a separar aproximadamente 20 mil cédulas eleitorais.
O Departamento de Justiça alegava que os votos poderiam estar associados a pessoas sem cidadania americana, mas as autoridades eleitorais californianas contestaram a acusação.
Tribunais inferiores já haviam rejeitado a iniciativa, e a Suprema Corte manteve esse entendimento por meio de uma decisão de apenas uma frase, sem apresentar justificativa detalhada.
O governo federal também anunciou acusações contra outras seis pessoas na Califórnia por suposta participação ilegal nas eleições presidenciais de 2024.
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, criticou duramente a tentativa de impedir a contagem das cédulas.
Segundo ela, a iniciativa representava “uma tentativa desesperada de assustar as pessoas para que fiquem em casa” e buscava desviar a atenção dos problemas enfrentados pela população.
“Também é uma tentativa de fazer os americanos duvidarem de nossas eleições, que são seguras e conduzidas por funcionários eleitorais dedicados. Não caiam nessa”, declarou.
Obama entra na reta final da campanha democrata
O ex-presidente Barack Obama também intensificou sua participação na disputa eleitoral.
Na véspera da votação, declarou apoio a candidatos democratas em quatro estados considerados estratégicos: Geórgia, Ohio, Michigan e Maine.
As manifestações foram publicadas na rede social X e incluíram imagens de comícios e um vídeo em apoio a Troy Jackson, candidato ao Senado pelo Maine.
Trump, por sua vez, participou de mais de 25 comícios no último mês, procurando estimular o comparecimento de eleitores republicanos.
Durante uma participação virtual em apoio ao deputado Mike Lawler, de Nova York, o presidente comentou a rouquidão que vinha apresentando após uma sequência de compromissos eleitorais.
“Ao final do dia, talvez eu não tenha mais voz”, afirmou.
Apuração poderá levar dias ou semanas
Apesar da expectativa em torno dos resultados, a contagem completa dos votos dificilmente estará concluída na noite de terça-feira.
Especialistas ouvidos pelo The New York Times afirmam que a apuração poderá se estender por vários dias ou até semanas em estados como Maine, Alasca, Arizona e Califórnia.
Entre os fatores que podem retardar a divulgação dos resultados estão o grande volume de votos antecipados, as regras estaduais para recebimento de cédulas pelo correio e as dificuldades logísticas de determinadas regiões.
Maine e Alasca também utilizam sistemas de votação por escolha ranqueada, que podem exigir rodadas adicionais de contagem.
A demora na apuração não representa, por si só, irregularidade eleitoral, mas amplia a atenção sobre possíveis questionamentos políticos e judiciais.
Controle do Congresso definirá os limites do governo Trump
As eleições de meio de mandato definirão a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, estabelecendo a correlação de forças políticas em Washington durante a segunda metade do mandato presidencial.
Caso os democratas conquistem a maioria em uma das casas, poderão dificultar a aprovação de projetos do governo e ampliar as investigações parlamentares. Uma maioria no Senado também permitiria maior controle sobre as indicações presidenciais para cargos federais.
Para Trump, a eleição ocorre em um momento de baixa popularidade, preocupações econômicas e desgaste provocado pela guerra com o Irã.
A vantagem democrata nas pesquisas nacionais não assegura, entretanto, a conquista de uma maioria parlamentar, que dependerá dos resultados em cada distrito e estado.
O resultado das urnas mostrará a dimensão do apoio eleitoral aos republicanos e aos democratas neste momento do segundo mandato de Trump.


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