Com novo ministério, Lula tem chance de ouro para iniciar pacificação do País
Apesar do crescimento da extrema-direita no Congresso, com o PL ampliando suas bancadas na Câmara e no Senado, o presidente Lula está, neste momento, com as cartas na mão para armar o seu próprio jogo. Depois de plantar novas árvores no Palácio da Alvorada e cuidar da própria voz, exigida ao máximo durante a campanha eleitoral, ele inicia esta semana as conversas para a montagem do ministério que iniciará o seu quarto mandato, a partir da posse, em 5 de janeiro. Quanto mais ampla for essa composição, maior será a base do governo no Congresso e, especialmente, melhor será a compreensão do público sobre os rumos do Lula 4.
Dentro do PT, prevalece entre as correntes a ideia de ‘fazer um governo do partido voltado para a sociedade’. Essa tem sido a linha do Lula 3, com os quadros da legenda ocupando em grande maioria os cargos do primeiro escalão da administração federal. Os postos concedidos a partidos aliados não renderam, como se esperava, a correspondente fidelidade às iniciativas do governo na Câmara e no Senado. Agora, o presidente já deixou claro que a subida a postos federais estratégicos terá de ser acompanhada, necessariamente, pelo comprometimento das bancadas com os projetos da administração federal. Essa regra deverá ter seu cumprimento mais fiscalizado a partir da nova configuração ministerial.
Apoiado em sua espetacular vitória pessoal no momento decisivo da eleição, Lula tem todas as condições agora para atrair para o seu campo forças políticas que, na disputa eleitoral, formaram com adversários. Um caso emblemático é o do PSD. O presidente agremiação, Gilberto Kassab, concorreu ao cargo de vice-presidente na chapa liderada por Ronaldo Caiado, mas já declarou ter sido procurado por Lula para discutir a participação da legenda no novo ministério. Trata-se de um bom começo de política de ampliação, uma vez que sinaliza a atenção do presidente para a importância de governar com representantes de partidos políticos que não fizeram parte da coligação vitoriosa.
Com 43 deputados federais eleitos para a legislatura 2027-2030, o PSD está em faixa semelhante à do MDB, que ficou com 36 cadeiras. Menor, mas ainda emblemático do centro democrático, o PSDB elegeu 11 parlamentares. Juntado o time fiel à liderança do PT, cuja bancada federal cresceu de 65 para 70 deputados, PSB (15), PSOL (14), PCdoB (13), PV (7), PDT (6) e Rede (1) somam 56 deputados. A bancada de esquerda pode ser medida, assim, em 126 parlamentares, O trio de partidos centristas, uma vez contemplado na gestão Lula 4, agregaria outros 90. A depender da costura para a formar o ministério, Lula poderia contar, na contabilidade política acima, com 216 votos que poderiam ser definidos como fiéis. Já é o suficiente para desestimular, nas voltas que a vida dá, qualquer iniciativa tresloucada, por exemplo, de iniciar um processo de impeachment presidencial. Ao mesmo tempo, em votações pontuais, a bancada governista teria plenas condições de obter votos independentes, barrando as alianças que se formarem a partir da extrema direita.
Como se viu na campanha presidencial, a extrema direita está viva e forte no País. A grande missão política da gestão Lula será a de isolar esses radicais e vencê-los por meio de uma boa gestão. O reconhecimento das qualidades do Lula 3, somado ao medo de desestabilização e reversão de conquistas sociais representado pelo bolsonarismo, valeram ao presidente a maior vitória de sua vida. Mas isso não se deu seu susto, receio e até mesmo medo, entre seus apoiadores, de tudo ser perdido por muito pouco.
Para governar com segurança e estabilidade, parece óbvio que o presidente precisa ampliar a sua base congressual de sustentação. Dar responsabilidade de gestão a legendas como o PSD, o MDB e o PSDB, com a respectiva obrigação de apoio político, facilitaria muito conquistar essa meta. De quebra, iniciaria um movimento de isolamento da extrema direita, para que nunca mais ameace a ordem democrática do País, como fez nas eleições deste ano.



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