Sinalização de Lula sobre ministro da Fazenda tem poder para acalmar mercado e organizar discurso econômico
Com a B3 em baixa e o dólar batendo recordes de alta nos últimos dias, o presidente Lula tem um trunfo na mão para acalmar os ânimos dos investidores. O mercado espera pelo anúncio, ainda que informal, ou seja, mesmo que seja uma sinalização, de quem será o ministro da Fazenda de seu quarto mandato.
A confirmação do favoritismo do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, teria o condão de criar um polo credenciado de interlocução com a chamada Faria Lima. Mesmo que outro nome esteja na cabeça do presidente, ainda assim ele ganharia em atender as expectativas pela definição do novo titular da política econômica. A pergunta ainda sem resposta, que pode devolver a tranquilidade à praça, é exatamente quem será esse novo comandante, o que está contribuindo para agravar o clima de estresse financeiro.
Nesta segunda semana após a vitória que correu mundo, o presidente iniciou as articulações para compor o futuro ministério após ter conferido a saúde em dia em uma visita ao hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Os exames mostraram que Lula está no melhor de sua forma. Na avaliação de agentes do mercado financeiro, ele só teria a ganhar, ultrapassada essa etapa, em nomear o titular. Ganharia mais tempo e espaço, inclusive, para as conversas que irá realizar com os presidentes da Câmara e do Senado projetando a governabilidade de 2027.
A sinalização por um nome teria, ainda, a capacidade de organizar em torno desse novo personagem o debate econômico que se dá dentro do PT. Cessariam, de um lado, ou cresceriam, por outro, as discussões em torno de programas heterodoxos como o que vai sendo apresentado pelo economista André Lara Resende. Bastaria uma palavra do futuro ministro sobre o tema para que se venha a saber qual será a inclinação da política econômica que iniciará o próximo ano.
Por outro lado, o presidente não tem pressa. Há um entendimento de que o sobe-desce da gangorra do mercado se dá ao sabor de movimentos especulativos. Existe a projeção no campo governista de que, a partir do próximo ano, os efeitos da aplicação da reforma tributária irão beneficiar sobremaneira os cofres públicos, especialmente com uma arrecadação bastante robusta de CBS. Essa perspectiva desestimula o presidente a falar agora em ajuste de contas, ou mesmo definir quem irá falar por ele sobre este e outros assuntos.
Não seria uma má ideia, ainda, a confirmação de nomes que vêm sendo veiculados para outras posições estratégicas na Esplanada dos Ministérios. Está em alta a cotação do vice-presidente Geraldo Alckmin para o posto de Ministro da Defesa, no momento em que as relações do Brasil com os Estados Unidos entram em novo momento de definição. Uma palavra de Lula e a relevância do seu companheiro de governo se tornaria ainda mais. Cotada para dirigir o Ministério da Educação, o nome da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, é o de uma favorita que poderia ser declarada sem contra-indicação.
O presidente tem, é claro, o seu próprio ritmo – e ele não gosta de agir sob pressão. Entre os que bem o conhecem há interpretação de que o anúncio sobre a Fazenda possa se dar em um momento de trégua do mercado, ou somente após o périplo internacional que Lula fará neste mês de novembro. O jogo de marchas e contramarchas para a montagem do ministério está em andamento.


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