Trump sinaliza encontro com Kim Jong-un em próxima viagem à Ásia
247 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (12) que poderá se reunir com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, durante sua próxima viagem à Ásia. A possibilidade foi apresentada em uma conversa com jornalistas na Casa Branca, em meio às críticas de Pyongyang à cooperação militar de Washington com a Coreia do Sul e o Japão.
Segundo a CNN Brasil e a Reuters, Trump fez a declaração no gramado sul da residência presidencial. O republicano classificou a perspectiva de um encontro como algo “empolgante” e afirmou que mantém uma boa relação com Kim. Não apresentou data, local ou detalhes sobre eventuais negociações para viabilizar a reunião.
A manifestação retoma o interesse que o presidente americano já havia expressado em conversar pessoalmente com o dirigente norte-coreano. No fim de setembro, durante uma coletiva de imprensa, Trump destacou a proximidade entre os dois ao responder a uma pergunta sobre os arsenais nucleares na península coreana.
“Ele é meu amigo. Kim Jong-un. Ele gosta de Trump. Ele não gosta de muitas pessoas, mas ele gosta de mim. E eu gosto dele”, declarou.
Na mesma ocasião, Trump afirmou que os Estados Unidos não interviriam no governo norte-coreano enquanto ele estivesse na Presidência. O republicano vinculou essa posição ao relacionamento pessoal com Kim.
“Enquanto eu estiver aqui, ele vai ficar bem. Sabe por quê? Porque ele me respeita e ele gosta de mim”, disse.
Coreia do Norte critica aliança militar dos EUA
As declarações de Trump ocorrem em um cenário de críticas norte-coreanas à atuação militar americana na região. Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o vice-chanceler da Coreia do Norte, Kim Son Gyong, acusou Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul de planejarem uma guerra nuclear contra Pyongyang.
“A aliança militar EUA-Japão-Coreia do Sul, inequivocamente voltada contra a RPDC (República Popular Democrática da Coreia), está sendo transformada pelos Estados Unidos em um bloco militar mais ofensivo e agressivo, com um componente nuclear”, afirmou.
O diplomata também condenou os exercícios militares realizados pelos países aliados. Segundo ele, essas operações serviriam para simular os planos de uma guerra nuclear contra o território norte-coreano.
Em agosto, Trump havia relacionado a aproximação com Kim à redução dos exercícios conjuntos entre as forças americanas e sul-coreanas. Ao comentar os contatos anteriores com o líder, declarou: “Kim Jong-un sempre me tratou com muito respeito e nos encontramos em diversas ocasiões, na verdade, em duas ocasiões principais, conversamos e passamos tempo juntos.”
A Coreia do Norte manteve as críticas às manobras militares mesmo após a redução mencionada pelo presidente americano. O governo norte-coreano afirmou que continuaria a exercer seu direito à autodefesa diante do que considera ameaças dos Estados Unidos e da Coreia do Sul.
Relação passou de ataques verbais a encontros presenciais
O relacionamento entre Trump e Kim teve momentos de confronto durante o primeiro mandato do republicano. O dirigente norte-coreano chegou a chamar o presidente americano de “um velho americano mentalmente perturbado” e afirmou ter um “botão nuclear” sobre sua mesa.
Os dois se encontraram pessoalmente em 2018 e 2019, mas a relação esfriou depois dessas reuniões. Entre os contatos daquele período esteve uma breve conversa na zona desmilitarizada que separa as Coreias.
Na ocasião, Trump atravessou a linha de demarcação e se tornou o primeiro presidente dos Estados Unidos em exercício a pisar em território norte-coreano. A possibilidade anunciada nesta segunda-feira abre espaço para um novo contato presencial, ainda sem detalhes divulgados pelo presidente americano.



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