Morre o cantor Netinho, ícone do axé music, aos 60 anos em Salvador
247 – O cantor Netinho, um dos principais nomes da história do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital localizado em Salvador, na Bahia. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano, diagnóstico revelado publicamente em 22 de março de 2025, após ter sido internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, em decorrência de fortes dores nas pernas. Durante o período de tratamento, o músico compartilhou as diversas etapas dos cuidados médicos com seus seguidores pela internet.
Segundo a assessoria do artista, atendendo a um desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação do corpo serão realizados de forma estritamente reservada, em uma cerimônia restrita apenas a familiares e amigos próximos.
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Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho mudou-se com a família para Salvador aos 10 anos de idade. Foi na capital baiana que teve seu primeiro contato com a música e deu início à sua trajetória artística. Aos 14 anos, ganhou do mãe o seu primeiro violão. Aos 16, ingressou no curso de Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (Ucsal), momento em que conciliava os estudos universitários com apresentações escolares, até começar a tocar profissionalmente em bares, interpretando um repertório voltado para a MPB e a bossa nova.
A carreira do cantor deu um salto em 1988, quando estreou como vocalista da Banda Beijo no Carnaval de Salvador. No mesmo ano, alcançou projeção nacional com o sucesso “Beijo na Boca”. A partir daí, emplacou uma sequência de hits marcantes, como “Estrela primeira”, “Barracos” e “A vida é festa”.
Em 1993, Netinho iniciou sua carreira solo e, três anos depois, em 1996, lançou “Mila”, considerada o maior sucesso de sua trajetória e um dos maiores símbolos do axé music. O hit consolidou o cantor como um ídolo nacional e abriu portas para que ele ajudasse a difundir o gênero musical em escala internacional, realizando apresentações em países como Itália e Chile.
Além da atuação nos palcos, o músico também construiu uma carreira como empresário. Ele fundou um grande estúdio de gravações e mixagem no Rio de Janeiro, espaço que recebeu artistas renomados da música brasileira e internacional, como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. O cantor também criou um selo fonográfico voltado ao lançamento de novos talentos da música baiana. Na vida pessoal, Netinho foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna Trindade.
A trajetória de Netinho também contou com momentos de grande repercussão pública. Em 2010, o artista assumiu publicamente sua bissexualidade. Dois anos mais tarde, durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, preferiu não se aprofundar sobre o tema: “Eu acho cafona ficar falando sobre isso. Não tem muito sentido”.
No ano de 2013, o músico enfrentou sérios problemas de saúde ao sofrer três acidentes vasculares cerebrais (AVCs), que resultaram em complicações como a perda da voz, seu principal instrumento de trabalho. Em razão disso, ficou afastado por quatro anos dos palcos do Carnaval de Salvador.
Anos depois, Netinho teve uma breve passagem pela política. Nas eleições de 2022, candidatou-se ao cargo de deputado federal pelo Partido Liberal (PL), obtendo 31 mil votos, número insuficiente para se eleger, figurando na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como suplente da legenda. Declarado apoiador de Jair Bolsonaro (PL), o cantor participou de ato político a favor do então presidente em 2021, posicionamento que lhe rendeu diversas críticas.



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