PT e PL são os partidos que têm base social orgânica no Brasil, afirma cientista político
247 – O avanço eleitoral do PL nas eleições de 2026 fortaleceu a legenda como polo organizado da direita brasileira e abriu uma nova etapa na disputa partidária com o PT, segundo análise dos cientistas políticos Mateus de Albuquerque e Benedito Tadeu César. Conforme o analista, o partido da extrema direita e o PT são as legendas com base social orgânica no Brasil. A entrevista foi concedida ao Brasil de Fato, em reportagem assinada pelos jornalistas Larissa Bohrer e Lucas Krupacz E Maria Teresa Cruz.
“Talvez estejamos testemunhando a formação de um novo partido orgânico. O PL tem uma identificação partidária e uma base social e orgânica sólida”, analisou o cientista político.
Segundo Tadeu César, o Brasil não tem uma cultura política de identificação partidária, mas sim de personalismo político. “As pessoas não tinham identificação necessariamente com o PSDB ou o PFL. O PR trazia essa identificação e foi, por muitos anos, o maior partido do país”, pontuou.
O senador Flávio Bolsonaro registrou 47,03% (56,1 milhões dos votos válidos) no primeiro turno da eleição e o presidente Lula alcançou 45,16% (53,8 milhões). O segundo turno está marcado para o dia 25 de outubro.
Redução de espaço do centro
O analista considerou que o desempenho das urnas atingiu sobretudo as legendas tradicionalmente agrupadas sob a denominação de Centrão. Segundo ele, o PL não apenas ampliou a eleição de aliados, como também aumentou diretamente sua representação por meio de candidatos filiados ao partido.
“O centro político foi esvaziado nessas eleições, porque o PL conseguiu vitórias nominais e não necessariamente de aliados do Bolsonaro. Ele cresceu enquanto partido, enquanto sigla, e isso representa um avanço muito profundo, porque antes a direita no Brasil não tinha uma estrutura partidária com elo social orgânico”, avalia.
Cenário no Congresso
O PL chegará à próxima legislatura como a legenda de maior peso no Congresso Nacional. O partido elegeu 121 deputados federais e deve contar com 28 senadores a partir de fevereiro de 2027.
Somadas as duas Casas, a sigla terá 149 parlamentares, número que representa aproximadamente 25% das cadeiras do Legislativo federal. Na sequência aparece a federação formada por PT, PCdoB e PV, que terá 88 representantes na Câmara dos Deputados e nove no Senado.
Na Câmara, os partidos classificados como de centro somam 259 deputados. A direita reúne 130 cadeiras, enquanto a esquerda terá 124 representantes.
No Senado, a distribuição segue outra proporção. A direita deverá controlar 44 das 81 vagas, ou 54% da Casa. A esquerda contará com 20 senadores, equivalentes a 25% do total, e o centro ficará com 17 cadeiras, correspondentes a 21%.
Governos estaduais
O PL terminou o primeiro turno como a legenda com o maior número de governos estaduais conquistados. O partido venceu no Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina, somando cinco estados. Após o segundo turno de 2022, a sigla comandava apenas Santa Catarina e Rio de Janeiro. O PL ainda disputa os governos do Rio de Janeiro e do Amazonas.
Logo atrás aparece o PSD, que passou a reunir quatro governos, dois a mais do que em 2022. A legenda venceu no Amapá, Maranhão, Pernambuco e Sergipe.
O Republicanos também ampliou sua presença nos estados e conquistou São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. O PT manteve três governos estaduais, enquanto o PP ficou com dois. MDB, Podemos e PSDB elegeram um governador cada.



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