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Pesquisas captaram voto útil de direita e viradas no 1º turno, sugere Felipe Nunes

06.10.2026 8 min read

247 – O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou nesta segunda-feira (5) que as pesquisas do instituto conseguiram antecipar parte relevante das tendências que marcaram o primeiro turno das eleições de 2026, entre elas a concentração de votos da direita em Flávio Bolsonaro (PL), vitórias de governadores ainda na primeira rodada e mudanças de cenário em disputas estaduais. A avaliação foi divulgada pelo analista após a conclusão da votação de domingo (4), que levou o senador da extrema direita e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno.

No balanço, Felipe Nunes também reconheceu casos em que os levantamentos não dimensionaram corretamente o movimento final do eleitorado. Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador conseguiu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

“Quem acompanhou a eleição brasileira pelas tendências das pesquisas da Quaest teve poucas surpresas na noite de ontem. Os levantamentos publicados conseguiram captar tendências que se confirmaram nas urnas, incluindo o voto útil da direita na eleição presidencial, um recorde de vitórias em 1º turno nos estados e o desfecho de algumas das disputas estaduais mais apertadas do país”, escreveu Nunes.

O cientista político definiu o trabalho da equipe como “independente” e “científico” e ressaltou a participação dos pesquisadores do instituto na elaboração dos levantamentos. “Trabalho independente, científico e que reúne uma equipe incrível de jovens pesquisadores determinados a entender o Brasil”, afirmou.

Flávio Bolsonaro na reta final

Na disputa presidencial, Nunes destacou a migração de eleitores de candidaturas menores para Flávio Bolsonaro nos últimos dias da campanha. Segundo sua análise, a soma das demais candidaturas caiu de 14% para 7,8%, enquanto o candidato do PL avançou de 40% para 47%.

“Na eleição para presidente, a Quaest divulgada na véspera captou forte ‘voto útil de direita’ em favor de Flávio Bolsonaro. Caiu de 14% para 7,8% a votação dos outros candidatos na última semana, enquanto Flávio foi de 40% a 47%. Lula ficou estável. As urnas apenas confirmaram a tendência que já aparecia na pesquisa”, escreveu.

A pesquisa Quaest divulgada na véspera da eleição colocou Lula e Flávio em empate técnico na estimativa de votos válidos, com 46% para o presidente e 45% para o senador. O levantamento ouviu 3.702 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro e tinha margem de erro de dois pontos percentuais. 

O instituto também aplicou na reta final um modelo de “eleitor provável”, que considera fatores como histórico de comparecimento às urnas, idade, escolaridade e grau de mobilização do entrevistado para estimar a chance de participação na votação. 

Pesquisas Quaest

Nunes afirmou que o instituto já identificava vantagem suficiente para uma definição no primeiro turno em nove unidades da Federação. Ele citou São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe, Paraíba, Maranhão, Roraima e Amapá.

“Em 9 estados, a Quaest indicava vitória confortável no 1º turno. Veja a estabilidade das estimativas. Em SP, a reeleição de Tarcisio nunca esteve em questão. O mesmo aconteceu com Jorginho Melo em SC, Eduardo Riedel no MS, Daniel Vilella em GO, Fabio Mitidieri em SE, Lucas Ribeiro na PB, Eduardo Braide no MA, Arthur Henrique em RR e Dr Furlan no AP”, afirmou.

Em São Paulo, por exemplo, pesquisa Quaest divulgada na última semana de setembro mostrava Tarcísio de Freitas com 44% das intenções de voto, diante de 24% de Fernando Haddad, cenário que apontava a possibilidade de vitória na primeira votação. 

Cinco estados

Outro conjunto destacado por Nunes reúne Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Pará. Segundo ele, a Quaest apontava a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno, mas a definição se consolidou apenas nos últimos dias.

“Em 5 estados, a Quaest indicava vitória no 1º turno, mas com a definição só na reta final. Em Minas, Cleitinho vence avançando no eleitor de esquerda, centro e direita. No RS, mostramos Zucco em forte aceleração. O mesmo aconteceu com Otaviano Pivetta no MT, Marcos Rogerio em Rondônia. No Pará, vitória da oposição, com Dr Daniel”, escreveu.

A análise de Nunes associa esses resultados a deslocamentos ocorridos durante a fase decisiva da campanha, quando parte dos eleitores passou a concentrar suas escolhas entre os nomes mais competitivos de cada disputa.

Ceará, Bahia, Pernambuco e Alagoas

Nunes também destacou quatro estados em que os levantamentos mostravam disputas abertas até a véspera: Ceará, Bahia, Pernambuco e Alagoas.

“Em 4 estados, a Quaest indicava eleições muito apertadas até a véspera. No Ceará, mostramos a virada de Elmano sobre Ciro. Na Bahia, a virada de Jerônimo sobre ACM. Em Pernambuco, capturamos a recuperação final de Raquel Lyra. E em Alagoas, o empate técnico entre JHC e Renan”, afirmou.

Segundo o diretor da Quaest, o acompanhamento das séries de pesquisa permitiu observar alterações ocorridas nas últimas semanas, em especial nos estados em que a distância entre os candidatos permanecia dentro ou próxima das margens de erro.

Peso eleitoral de cinco estados

O cientista político afirmou ainda que a Quaest previa segundo turno em cinco estados: Espírito Santo, Amazonas, Rio Grande do Norte, Tocantins e Acre.

“Em 5 estados, a Quaest apontava que a eleição iria para o 2º turno. No ES, confirmou-se a disputa entre Pazolini e Ferraço, no AM indicamos segundo turno entre Omar e Maria do Carmo, no RN a disputa entre Alysson e Cadu de Lula, no Tocantins a pesquisa mostrou disputa entre Dorinha e Vicentinho Jr e no Acre a disputa de Mailza Assis e Alan Rick”, escreveu.

O balanço diferencia esse grupo das unidades em que a Quaest projetava definição imediata e mostra, segundo Nunes, como a análise estadual exigiu leituras distintas conforme a dinâmica de cada disputa.

Distrito Federal e Paraná

Nunes também citou resultados que divergiram das projeções da véspera. No Distrito Federal, afirmou que Celina Leão chegou perto da vitória no primeiro turno, mas enfrentou o crescimento de Leandro Grass e um volume elevado de votos nulos registrados para o governo.

“No DF, Celina ficou muito próxima de vencer no 1º turno, como a Quaest indicava, mas acabou sendo surpreendida por dois fenômenos, pelo crescimento de Grass na reta final e pelo alto número de votos nulos no 22 para o governo”, afirmou.

No Paraná, a diferença ocorreu em outro sentido. A pesquisa apontava a possibilidade de segundo turno entre Sergio Moro e Sandro Alex, mas Moro encerrou a disputa já na primeira rodada.

“No Paraná, Sergio Moro venceu logo no primeiro turno, empurrado pela onda da direita que tomou conta do país. A pesquisa de véspera indicava, no entanto, 2º turno contra Sandro Alex”, escreveu Nunes.

Rio de Janeiro

O diretor da Quaest classificou o Rio de Janeiro como o caso de maior diferença entre a tendência captada pelas pesquisas e o resultado observado nas urnas.

“O caso mais atípico e frustrante dessa eleição foi o Rio. Em uma eleição com governador interino, com a candidatura Garotinho participando de toda a campanha com votos sob júdice, a Quaest começou a captar a tendência, mas não a intensidade do crescimento de Ruas”, afirmou.

Nunes apresentou como hipótese uma migração de eleitores indecisos para Douglas Ruas nas últimas horas da campanha. Ele relacionou esse movimento à associação do candidato estadual com Flávio Bolsonaro, mas tratou a explicação como hipótese do instituto, e não como conclusão estabelecida.

“Nossa hipótese é que milhares de eleitores indecisos (o Rio tinha a maior taxa de pessoas alienando voto no país) migraram em massa para Douglas Ruas nas últimas 48 horas à medida que ele foi sendo percebido como o candidato associado à candidatura de Flávio Bolsonaro”, escreveu.

O desempenho do senador no Rio também marcou a apuração presidencial. O candidato do PL recebeu 53,01% dos votos válidos no estado, enquanto Lula alcançou 39,41%.

Estatística na leitura eleitoral

Ao encerrar o balanço, Felipe Nunes afirmou que a análise busca valorizar os métodos empregados pelas pesquisas e ressaltou que o instituto continuará revisando seus modelos para o segundo turno.

“Esse balanço tem um único objetivo: exaltar a ciência política e a estatística! As ferramentas que nos permitira, sem torcida e sem achismo, detectar as principais tendências dessa eleição. Seguimos aprendendo, inovando, com humildade e pés nos chão o nosso trabalho de 2º turno”, afirmou.

A eleição presidencial seguirá para nova votação em 25 de outubro. Com a totalização do primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu mais de 56,1 milhões de votos e Lula, mais de 53,8 milhões, informou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

1/ Quem acompanhou a eleição brasileira pelas tendências das pesquisas da Quaest teve poucas surpresas na noite de ontem. Os levantamentos publicados conseguiram captar tendências que se confirmaram nas urnas, incluindo o voto útil da direita na eleição presidencial, um recorde…— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

3/ Em 9 estados, a Quaest indicava vitória confortável no 1º turno. Veja a estabilidade das estimativas. Em SP, a reeleição de Tarcisio nunca esteve em questão. O mesmo aconteceu com Jorginho Melo em SC, Eduardo Riedel no MS, Daniel Vilella em GO, Fabio Mitidieri em SE, Lucas… pic.twitter.com/qxdUOaZQPf— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

5/ Em 4 estados, a Quaest indicava eleições muito apertadas até a véspera. No Ceará, mostramos a virada de Elmano sobre Ciro. Na Bahia, a virada de Jerônimo sobre ACM. Em Pernambuco, capturamos a recuperação final de Raquel Lyra. E em Alagoas, o empate técnico entre JHC e Renan. pic.twitter.com/37LcwJ9lvM— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

7/ No DF, Celina ficou muito próxima de vencer no 1º turno, como a Quaest indicava, mas acabou sendo surpreendida por dois fenômenos, pelo crescimento de Grass na reta final e pelo alto numero de votos nulos no 22 para o governo. pic.twitter.com/cM5f0sQe0p— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

9/ O caso mais atípico e frustrante dessa eleição foi o Rio. Em uma eleição com governador interino, com a candidatura Garotinho participando de toda a campanha com votos sob júdice, a Quaest começou a captar a tendência, mas não a intensidade do crescimento de Ruas. Nossa… pic.twitter.com/MiA45D6lHK— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

10/ Esse balanço tem um único objetivo: exaltar a ciência política e a estatística! As ferramentas que nos permitira, sem torcida e sem achismo, detectar as principais tendências dessa eleição. Seguimos aprendendo, inovando, com humildade e pés nos chão o nosso trabalho de 2º…— Felipe Nunes (@profFelipeNunes) October 5, 2026

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