Rússia ameaça recorrer a armas nucleares se Otan tentar bloquear Kaliningrado
247 – A Rússia advertiu que poderá empregar armas nucleares caso países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tentem isolar Kaliningrado, enclave russo fortemente militarizado no Mar Báltico e cercado por integrantes da aliança militar.
A advertência consta de uma nota diplomática enviada por Moscou à Otan nesta semana. No documento, o governo russo afirma que uma tentativa de separar Kaliningrado do restante do território do país poderia desencadear uma resposta que envolveria todo o arsenal disponível.
“A Rússia estará pronta para usar todo o arsenal de forças e capacidades à sua disposição, incluindo armas nucleares, a fim de defender seu território caso os países da Otan empreendam qualquer tentativa destinada a isolar a região de Kaliningrado do restante do país”, afirma a nota, segundo a Reuters.
Moscou também alertou que uma eventual escalada poderia levar a “ataques russos contra centros de tomada de decisão nos Estados-membros da aliança desde o início do conflito”.
A mensagem eleva o tom da tensão entre Rússia e Otan em torno do Mar Báltico, região onde os dois lados vêm ampliando atividades militares. A aliança, por sua vez, rejeita a acusação de que estaria preparando uma ação contra o território russo e classifica sua atuação como defensiva. A posição oficial da Otan estabelece que seus mecanismos de dissuasão e defesa têm como objetivo impedir agressões e proteger o território dos países integrantes.
Moscou acusa Otan de elevar risco de confronto
Na nota, o governo russo acusa a aliança militar de seguir um “curso perigoso e imprudente” e aponta “altos riscos de eclosão de um conflito armado direto”.
A representação diplomática russa na Bélgica também afirmou que a postura da Otan sobre Kaliningrado seria “imprudente e irresponsável” e aumentaria de forma acentuada o risco de uma confrontação militar direta.
Moscou cita exercícios militares realizados nas proximidades do enclave, além da missão Baltic Sentry, operação da Otan destinada à proteção de infraestrutura submarina no Mar Báltico, como sinais de preparação para possíveis medidas destinadas a restringir o acesso à região.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, segundo a agência Interfax, que diplomatas russos estavam reagindo ao que Moscou considera uma escalada europeia.
“É totalmente natural que nossos diplomatas estejam tentando lembrar os exaltados na Europa sobre nossos documentos fundamentais a respeito dessa questão”, disse Peskov.
Otan condena ameaça nuclear
A Otan reagiu às advertências afirmando que é uma aliança defensiva e que suas atividades militares não representam ameaça ao território russo. A organização também condenou ameaças de uso da força e aquilo que classifica como retórica nuclear irresponsável.
A porta-voz da aliança, Allison Hart, afirmou à Reuters que os países-membros não pretendem reduzir o apoio à Ucrânia em razão das declarações de Moscou.
“O uso de táticas híbridas pela Rússia é um sinal de desespero. Mas isso não nos fará desistir de nosso apoio à Ucrânia”, declarou.
“Temos o que é necessário para defender cada centímetro do território aliado e permanecemos fortes, preparados e capazes de enfrentar qualquer ameaça”, acrescentou.
A posição está em linha com manifestações recentes da organização. Em documentos oficiais, a Otan acusa Moscou de recorrer a sinalizações nucleares coercitivas e afirma que acompanha a modernização e a diversificação do arsenal russo. A aliança sustenta ainda que um eventual emprego de armas nucleares pela Rússia teria consequências graves.
Um diplomata da organização ouvido pela Reuters interpretou a mensagem russa como uma tentativa de intimidar governos europeus e afirmou que a aliança pretende manter o apoio a Kiev.
Segundo uma autoridade sênior da área de defesa europeia citada pela reportagem, não há registro de uma advertência russa comparável desde o fim da Guerra Fria.
Kaliningrado ocupa posição estratégica no Báltico
Separada territorialmente do restante da Rússia, Kaliningrado fica entre Polônia e Lituânia, dois integrantes da Otan. O enclave abriga forças militares russas e tem importância estratégica por sua localização no Mar Báltico.
A Rússia mantém na região unidades navais e sistemas de mísseis, entre eles os Iskander, que podem ser configurados para transportar ogivas nucleares. A posição geográfica faz de Kaliningrado um dos pontos mais sensíveis da relação militar entre Moscou e os países europeus da Otan.
Outro foco de preocupação é o chamado corredor de Suwalki, faixa terrestre situada entre Kaliningrado e Belarus. A área conecta Polônia e Lituânia e constitui a principal ligação terrestre dos países bálticos com o restante do território da aliança.
Para Nikolai Sokov, analista nuclear baseado em Viena e ex-diplomata russo, o avanço das tensões aumenta a possibilidade de um erro de cálculo dos dois lados.
“Eles esperam mais ações, incluindo um bloqueio do Mar Báltico, algo que, nos cálculos europeus, estaria pouco abaixo do nível de uma guerra, mas que, para eles, seria uma guerra aberta. Vejo um risco de erro de cálculo mútuo”, afirmou à Reuters.
A avaliação ocorre em um cenário no qual governos europeus acusam a Rússia de promover operações híbridas, incluindo sabotagens, ataques cibernéticos e outras ações de desestabilização. Moscou rejeita essas acusações e também nega que esteja preparando uma ofensiva contra algum integrante da Otan.
A própria aliança afirma atualmente que não pode descartar ameaças à soberania de seus integrantes diante da deterioração do ambiente de segurança europeu, ao mesmo tempo em que sustenta que sua postura militar tem caráter de dissuasão e defesa.


É proibido errar na eleição em que detalhes definirão entre democracia e barbárie
A estratégia para impedir a eleição de Manuela e Pimenta ao Senado
Lula chega com vantagem na reta final
Flávio prometeu “rebaixar” Nossa Senhora, sim!