Lula chega com vantagem na reta final
Foi uma longa corrida, uma corrida de obstáculos, de muitos obstáculos, que os corredores tiveram que saltar e o fizeram com maior ou menor dificuldade.
Cruzaram agora a última grande curva, até chegar à reta final, cabeça a cabeça, conforme grande parte das pesquisas, tenham sido estas bem ou mal feitas.
Como se costuma dizer, pesquisa dá a foto, mas a decisão vem da perspectiva, das tendências, dos fatores que, na reta final, favorecem a um ou a outro.
Basta olhar os dois corredores para nos darmos conta de em que condições se aproximam, um e outro, da fita de chegada.
Flávio não chega bem, pelos acontecimentos últimos, que não lhe fizeram bem, que o afetam muito no plano pessoal, enquanto Lula chega com reservas para a reta final, com confiança, a ponto de afirmar que acha que a disputa deve terminar no primeiro turno.
Mas o que favorece o Lula para que afirmemos que ele chega com vantagem no trecho final da longa e decisiva viagem?
Vários fatores, entre os quais haveria que mencionar sua decisão de enfrentar os mecanismos das “bets”, os mecanismos de aposta que afetam milhões de famílias brasileiras.
Final da corrida.
Enquanto Flávio chega mal, muito abalado por tudo o que aconteceu nos últimos trechos da corrida.
Lula destacou, para justificar a medida tomada no trecho final da campanha, a imensa quantidade de famílias afetadas pelo vício desse tipo de jogo. E que haveria de terminar com eles de uma vez por todas.
Ninguém poderia acusá-lo de ser uma medida eleitoreira, porque é contraditória: encontrou uma dura reação dos dirigentes das grandes equipes de futebol, que têm as “bets” como propaganda nas camisas das suas equipes.
O tema ocupou grande parte dos debates e, no seu transcurso, surgiram grande quantidade de testemunhas, sobretudo de mães de família, que atestam os graves problemas que suas famílias vivem com esse vício, muito frequentemente os pais de família. Houve inclusive testemunhos de suicídios, como trágico resultado final do grave vício com esse tipo de apostas.
O resultado parece ser positivo para o Lula, mesmo que não fosse esse o seu objetivo. Sua correta e corajosa atitude parece lhe favorecer na reta final da campanha. Lula deve avançar sobre os votos dos indecisos, que diminuíram, mas que ainda são significativos, sobretudo em uma disputa tão apertada.
Não bastasse esse e outro tema que menciono em seguida, apareceram fotos de Flávio Bolsonaro em orgias com prostitutas, que não somente contrastam com a imagem de religioso que ele tenta passar, mas que, por si só, chocam milhões de pessoas e de famílias brasileiras.
O outro tema que tem um peso decisivo foi a infeliz declaração de um deputado bolsonarista e evangélico, de que ia propor que a Nossa Senhora Aparecida, a padroeira negra do Brasil, deixe de ter esse lugar de honra nas tradições do povo brasileiro. Uma Santa que tem uma cidade – Aparecida – para a qual milhões de pessoas vão fazer promessas e cumpri-las; muitas delas fazem o trajeto de muitos quilômetros desde São Paulo ou de outras cidades, para cumprir com a santa da sua devoção.
Essa declaração do deputado bolsonarista coincide com outras anteriores do próprio Flávio Bolsonaro, que agora tenta se distanciar dessa infeliz declaração, sem consegui-lo.
Os efeitos foram gigantescos, com pronunciamentos não apenas do Papa, mas de várias autoridades religiosas e de enorme quantidade de pessoas, renomadas ou anônimas, de reiteração de sua devoção à Nossa Senhora Aparecida. Grande quantidade de pessoas passaram a circular pelas ruas com suas imagens da Nossa Senhora Aparecida.
Além de outros fatores, esses mencionados parecem se tornar decisivos na reta final, para favorecer o Lula. Já não parecem estar cabeça a cabeça, mas o Lula vai folgando com uma certa distância na reta final, para favorecer o Lula.
É a reta final, ainda não chega a fita de chegada de uma corrida com tantos percalços que outros ainda podem surgir, decidindo ainda com tantos percalços que outros podem surgir ainda, no primeiro ou no segundo turno.
Mas essa é, para mim, a situação da disputa, na reta final, que decide não apenas o próximo presidente do Brasil, mas também o futuro do país por um longo tempo.


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