Lula diante da ofensiva imperialista e do roteiro da fraude na América Latina
Artigo publicado originalmente em Al Carajo
A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Partido dos Trabalhadores (PT), representa hoje o principal bastião de contenção nas urnas diante de uma ofensiva imperialista que busca reconfigurar o mapa político da América Latina por meio da violência, da desinformação e da fraude digital.
A disputa no gigante sul-americano ocorre em um cenário profundamente atípico. Não estamos diante de uma direita tradicional nem de um conservadorismo dentro dos limites democráticos, mas da ofensiva aberta do governo norte-americano de Donald Trump e de sua rede de aliados regionais liderada por Marco Rubio. Essa aliança opera sob um conhecido modus operandi, articulado por operadores como Fernando Cerimedo e corporações tecnológicas israelenses, especializadas na manipulação de algoritmos, em cibercampanhas de desestabilização e na alteração de sistemas eleitorais para impor regimes de ultradireita.
Essa estratégia de guerra psicológica recorre ao uso massivo de fazendas de bots e à cumplicidade das grandes corporações de mídia. O objetivo é instalar na opinião pública a falsa narrativa de um “empate técnico” ou de uma “polarização insolúvel”. Com isso, buscam semear o desânimo no eleitorado progressista, distorcer a intenção de voto e construir o terreno narrativo perfeito para justificar a manipulação dos resultados.
Diferentemente de seus mandatos anteriores (2003-2007, 2007-2011 e 2023-2026), Lula da Silva não enfrenta hoje uma diplomacia imperial dissimulada, mas um poder mais do que colonial, abertamente descarado e genocida, que recorre à chantagem, às sanções e às ameaças explícitas de intervenção contra os governos independentes da região. Derrotar nas urnas o candidato de ultradireita Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), implica muito mais do que vencer a extrema direita local: significa desferir um golpe contra o projeto do “Escudo das Américas”, a doutrina com a qual Washington pretende novamente subordinar o continente em sua disputada confrontação geopolítica com China e Rússia.
Embora as pesquisas coloquem Lula na liderança deste primeiro turno, com cerca de 45% das intenções de voto, a ameaça não termina neste domingo. Os centros de poder em Tel Aviv e Washington medirão a correlação de forças para intervir diante de um eventual segundo turno, reeditando o roteiro aplicado na Colômbia, onde a manipulação eleitoral facilitou a chegada ao poder do ultraconservador Abelardo de la Espriella — advogado ligado ao paramilitarismo —, abrindo caminho para o retorno das bases militares norte-americanas, a venda desenfreada de recursos naturais e a aliança irrestrita com Israel.
O que está em jogo para a nossa América?
Se o Brasil cair sob o controle do extremismo de direita, o impacto provocaria o colapso do equilíbrio geoestratégico da região. No plano econômico, a perda do principal motor sul-americano representaria um duro golpe para o Banco dos BRICS, bloco do qual o Brasil é sócio fundador e pilar fundamental, ao lado de China, Rússia e Índia, para a construção de uma ordem multipolar.
No plano político e ideológico, a consolidação desse eixo implicaria a imposição de uma hegemonia tecnológica, militar e cultural exercida pelos Estados Unidos e por Israel. Trata-se da sofisticação do “historicídio”: o apagamento sistemático da memória coletiva, da identidade dos povos e dos direitos das maiorias, uma doutrina de extermínio político que evoca as páginas mais sombrias do século XX.
À captura econômica segue-se inevitavelmente a dominação militar. O precedente foi estabelecido em 31 de julho de 2019, quando Jair Bolsonaro vinculou o Brasil como “aliado principal extra-OTAN” durante o primeiro mandato de Trump. Hoje, seu filho Flávio Bolsonaro representa a continuidade desses decretos de submissão, destinados a ceder a soberania territorial, os bens comuns e o controle das rotas estratégicas às Forças Armadas norte-americanas.
A batalha travada nas urnas brasileiras é a batalha pela dignidade e pela independência de toda a América Latina. Defender a vitória popular de Lula da Silva é impedir a fraude imperial e reafirmar o direito inalienável de nossos povos de construir seu próprio destino.


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