Flávio Bolsonaro chamou benefícios sociais de “bolsa-farelo” e acusou PT de perpetuar pobreza em posts apagados
247 – Publicações antigas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, revelam críticas a programas de transferência de renda e acusações de que o PT utilizaria benefícios sociais para preservar seu apoio eleitoral. Em uma das mensagens, posteriormente apagada, o parlamentar afirmou que “o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo”. Atualmente, porém, o candidato afirma que manterá o Bolsa Família caso seja eleito presidente.
Segundo o G1, as postagens foram feitas entre 2011 e 2013, período em que Flávio Bolsonaro exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro. Os registros mostram que o político associava iniciativas de assistência social ao clientelismo, à dependência econômica dos beneficiários e a estratégias eleitorais do Partido dos Trabalhadores.
Uma das manifestações mais contundentes foi publicada em 24 de junho de 2013. Ao responder a um usuário do então Twitter, atual X, Flávio Bolsonaro escreveu que “o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo”. A declaração integra um conjunto de mensagens excluídas de sua conta, mas preservadas em uma base histórica de publicações da rede social.
O posicionamento contrasta com o discurso adotado pelo candidato durante a campanha presidencial de 2026, na qual passou a defender a continuidade do Bolsa Família, programa federal de transferência de renda destinado a famílias de baixa renda.
Críticas ao PT e acusações de clientelismo
Os registros recuperados mostram que os ataques aos programas sociais ocorreram em diferentes momentos da atuação parlamentar de Flávio Bolsonaro.
Em 25 de agosto de 2011, ao comentar uma notícia sobre a aprovação de um reajuste do Bolsa Família, o então deputado estadual escreveu: “Financiamento púb de campanha do pt!”. A manifestação associava o aumento do benefício ao financiamento político-eleitoral do partido.
Meses depois, em 23 de novembro de 2011, Flávio criticou um programa estadual de assistência social implementado durante o governo de Sérgio Cabral (MDB), no Rio de Janeiro. Na ocasião, chamou a iniciativa de “bolsa-farelo” e afirmou ter votado contra a proposta por considerá-la uma forma de “clientelismo eleitoreiro”.
Em 25 de fevereiro de 2013, o parlamentar também questionou os indicadores oficiais de desemprego. Em uma publicação, sustentou que beneficiários do Bolsa Família e do seguro-desemprego seriam contabilizados pelo governo como trabalhadores empregados, o que, segundo sua argumentação, reduziria artificialmente os números do desemprego.
A alegação constava da postagem recuperada, mas não corresponde à metodologia oficial de cálculo da taxa de desemprego, que não considera uma pessoa empregada simplesmente por receber benefícios sociais.
Outra manifestação, publicada em 28 de maio de 2013, relacionava o Bolsa Família a debates sobre drogas, maioridade penal e à atuação política do PT e do Psol.
Em junho daquele ano, o então deputado voltou a atacar a política de transferência de renda, desta vez com a declaração de que o PT perpetuaria a pobreza por meio do que chamou de “bolsa-farelo”.
Campanha de Flávio Bolsonaro promete manter benefício e propõe novas regras
As publicações vieram à tona em meio ao debate sobre os planos da candidatura de Flávio Bolsonaro para o Bolsa Família.
Em entrevista à CBN Bahia, Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico da campanha presidencial do senador, apresentou uma proposta para modificar as regras de transição dos beneficiários que ingressarem no mercado formal de trabalho.
Segundo a integrante da equipe econômica, um eventual governo Flávio Bolsonaro permitiria que famílias contempladas pelo programa continuassem recebendo os pagamentos por até dois anos após a obtenção de um emprego com carteira assinada.
A proposta também prevê o retorno automático ao Bolsa Família caso o trabalhador perca sua fonte de renda durante esse período.
Daniella afirmou ainda que a administração do candidato criaria um Ministério da Prosperidade, responsável por oferecer linhas de crédito e programas de capacitação profissional. A intenção apresentada pela campanha é estimular a saída voluntária dos beneficiários do programa, mediante a ampliação das oportunidades de geração de renda.
Mensagens foram recuperadas de arquivo histórico
O levantamento realizado pela reportagem utilizou uma base de dados com registros históricos das publicações de Flávio Bolsonaro no Twitter, incluindo o conteúdo das mensagens, as datas de divulgação e os endereços eletrônicos originais.
A pesquisa examinou postagens da conta do parlamentar que continham o termo “bolsa”. Inicialmente, foram identificados 11 registros publicados no período analisado.
Após a verificação e classificação do material, cinco mensagens foram selecionadas por apresentarem ataques a programas de assistência social.
O levantamento também encontrou outras interações nas quais Flávio Bolsonaro defendia posições contrárias a iniciativas estaduais de transferência de renda. Esses registros adicionais, entretanto, não foram classificados como críticas diretas ao Bolsa Família.
O G1 procurou a assessoria de imprensa do candidato para esclarecer os motivos da exclusão das publicações e questionar a mudança de posicionamento em relação ao programa federal. A equipe de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.


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