Raízen aprova divisão de energia e combustíveis com a capitalização de até R$ 39,8 bilhões
247 – A Raízen aprovou medidas para separar suas atividades de energia e distribuição de combustíveis em duas companhias abertas independentes, além de preparar um aumento de capital que poderá alcançar R$ 39,8 bilhões. As decisões foram tomadas em assembleias realizadas na sexta-feira (30) e integram o plano de recuperação extrajudicial do grupo, homologado em 30 de julho. A operação também modificará a governança das empresas, com os credores e a Shell passando a ocupar a maior parte dos assentos nos respectivos conselhos de administração.
A reorganização, detalhada em comunicados oficiais divulgados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), estabelece que a Raízen Energia concentrará a produção e a comercialização de açúcar, etanol e bioenergia. A Raízen S.A., por sua vez, ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell. A efetivação da separação ainda depende do cumprimento das condições previstas no plano de recuperação e das exigências legais aplicáveis.
A mudança faz parte da reestruturação financeira da companhia, que procurou renegociar suas obrigações depois que o endividamento chegou a aproximadamente R$ 65 bilhões. O plano combina alterações societárias, capitalização de créditos e possíveis novos investimentos para reorganizar as operações do grupo.
Shell e credores terão maioria nos conselhos
A nova estrutura de governança prevê sete conselheiros titulares e sete suplentes em cada companhia. Os credores, representados por bancos e detentores de títulos de dívida brasileiros e estrangeiros, indicaram quatro integrantes para cada conselho. A Shell terá outros dois representantes, enquanto a última vaga dependerá da participação da Aguassanta Participações, da família Ometto, na capitalização.
O empresário Rubens Ometto poderá ocupar um assento em ambos os conselhos caso a Aguassanta concretize um investimento de R$ 500 milhões. Se o aporte não ocorrer, as vagas serão preenchidas por Roland Alexander Ilube, indicado pela Shell.
Para presidir o conselho da Raízen S.A., responsável pelo negócio de distribuição, foi indicado Samuel Aguirre. Os demais representantes dos credores serão André Dorf, Maria Gordon e Paulo Souza Queiroz Figueiredo. A Shell indicou Felix Faber e Luiz Felipe Guimarães Coimbra.
Na Raízen Energia, a presidência do conselho ficará com Julio Cesar de Toledo Piza Neto, também indicado pelos credores. O grupo terá ainda Kenneth John Monaghan, Mário Martins Peixoto Netto e Nelson da Silva Cardoso de Oliveira. Os representantes da Shell serão os mesmos escolhidos para a companhia de distribuição.
Os mandatos dos novos conselheiros terão duração de três anos, contados a partir da homologação do aumento de capital. Até que as condições necessárias sejam cumpridas, a estrutura administrativa atual permanecerá em funcionamento.
A companhia também indicou os executivos que deverão comandar os negócios após a separação. Lorival Nogueira Luz Jr. foi escolhido para liderar a distribuição de combustíveis e lubrificantes, enquanto Geovane Dilkin Consul deverá assumir as operações de açúcar, etanol e bioenergia.
O CEO da Raízen, Nelson Gomes, afirmou que a definição antecipada dos dirigentes permitirá dar continuidade à reorganização empresarial.
“A eleição dos novos conselheiros e a indicação antecipada dos líderes das futuras empresas segregadas trazem previsibilidade e garantem a continuidade da execução do nosso plano de transformação operacional e financeira”, declarou em nota.
Capitalização poderá alcançar R$ 39,8 bilhões
O aumento de capital da Raízen S.A. poderá chegar a R$ 39,8 bilhões, considerando a hipótese de a Cosan não exercer seu direito de preferência na subscrição de ações preferenciais classe B. A companhia também poderá homologar parcialmente a operação, caso o montante integral não seja alcançado.
A estrutura financeira prevê um investimento de até R$ 3,5 bilhões da Shell e um aporte potencial de R$ 500 milhões da Aguassanta. Parte dos créditos pertencentes aos credores será convertida em participação acionária, enquanto os demais acionistas poderão exercer seus direitos de preferência.
As assembleias autorizaram ainda uma redução do capital social da Raízen S.A. de até R$ 35 bilhões. O procedimento será realizado mediante a entrega aos acionistas de valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia, viabilizando a separação patrimonial e societária das duas áreas de negócios.
A capitalização envolverá três emissões simultâneas de valores mobiliários. As ações ordinárias e as preferenciais classe B terão preço de emissão de R$ 0,25 cada. Também serão emitidas units, compostas por uma ação ordinária e uma preferencial classe A, ao preço de R$ 0,50 por unidade.
As atuais ações preferenciais serão redesignadas como classe A. Os acionistas também aprovaram alterações estatutárias e a ampliação do capital autorizado, permitindo que o conselho de administração delibere sobre o aumento de capital.
As modificações estatutárias somente produzirão efeitos após a homologação da capitalização, conforme as condições estabelecidas no plano de recuperação extrajudicial.
Conselho decidirá sobre aumento de capital em 6 de novembro
O conselho de administração da Raízen tem reunião prevista para sexta-feira (6), quando deverá deliberar sobre a aprovação do aumento de capital.
A mesma data servirá como referência para identificar os acionistas com direito de preferência. Poderão participar os titulares de ações ordinárias e preferenciais classe A que mantiverem seus papéis até o encerramento do pregão da B3 naquele dia.
O prazo para exercício do direito de preferência começará em 9 de novembro e terminará em 8 de dezembro. A partir do início desse período, os papéis serão negociados sem o direito de participação na capitalização, de modo que investidores que adquirirem ações a partir de 9 de novembro não terão acesso à subscrição vinculada à operação.
Raízen poderá buscar investidores para distribuição de combustíveis
A companhia também iniciará os preparativos de um processo competitivo para avaliar a entrada de investidores no negócio de distribuição de combustíveis. Entre as alternativas consideradas está uma possível oferta pública secundária de ações.
A avaliação será conduzida pela administração indicada para o segmento de distribuição. A companhia ainda não anunciou a concretização de qualquer investimento decorrente desse processo.
A reorganização financeira também contempla um acordo firmado com o Fisco na semana passada, que estabeleceu um desconto de R$ 8,5 bilhões sobre a dívida tributária da empresa.
Segundo a Raízen, a negociação tributária atende a uma das condições necessárias para a implementação de seu plano de recuperação extrajudicial. A efetivação da nova estrutura societária continuará condicionada à conclusão das etapas financeiras, corporativas e legais previstas na reestruturação.


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