Padilha reafirma: Farmácia Popular “corre sérios riscos” com Flávio Bolsonaro
247 – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), rebateu duramente as recentes declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sobre o programa Farmácia Popular, alertando para os sérios riscos de desmantelamento da política pública caso a oposição vença as eleições presidenciais. O embate teve início após Flávio Bolsonaro classificar como “mentiras criminosas” as informações de que acabaria com o SUS ou com o programa de medicamentos e divulgar uma reportagem criticando o governo federal, afirmando: “Lula cortou verba da Farmácia Popular! Como a culpa é do Lula, ele bota a culpa em quem ele quiser, né?!”.
Em resposta contundente publicada nesta quinta-feira (8), o ministro Alexandre Padilha expôs a diferença entre contingenciamento orçamentário e corte definitivo, além de ressaltar o histórico de investimentos da atual gestão. “Você QUE É POLÍTICO PROFISSIONAL DESDE OS 20 ANOS devia saber muito bem a diferença entre um bloqueio temporário e um corte. O valor investido no Farmácia Popular em 2024 foi mais de 20% superior ao de 2023 e mais de QUATRO VEZES o que o seu pai tinha reservado pro programa. E continuamos aumentando. Foi assim que saímos de 20 milhões de pessoas atendidas em 2022 para 27 milhões em 2025, quando TODOS OS MEDICAMENTOS do programa e itens como fraldas geriátricas passaram a ser oferecidos de GRAÇA”, afirmou o titular da Saúde.
Padilha criticou ainda as posturas do adversário político em debate público e reafirmou a disposição do governo em proteger a política de saúde popular. “Não que alguém esperasse muito, com suas mentiras recorrentes ao se explicar para a imprensa e a inesquecível performance em debate, mas é impressionante que essa seja sua resposta para o alerta que estamos fazendo. O programa corre SÉRIOS riscos se você for eleito. Só que o presidente Lula vai ser eleito e vai impedir vocês, mais uma vez, de destruir o Farmácia Popular”, rebateu o ministro.
Você QUE É POLITICO PROFISSIONAL DESDE OS 20 ANOS devia saber muito bem a diferença entre um bloqueio temporário e um corte. O valor investido no Farmácia Popular em 2024 foi mais de 20% superior ao de 2023 e mais de QUATRO VEZES o que o seu pai tinha reservado pro programa. E continuamos aumentando. Foi assim que saímos de 20 milhões de pessoas atendidas em 2022 para 27 milhões em 2025, quando TODOS OS MEDICAMENTOS do programa e itens como fraldas geriátricas passaram a ser oferecidos de GRAÇA. Não que alguém esperasse muito, com suas mentiras recorrentes ao se explicar pra imprensa e a inesquecível performance em debate, mas é impressionante que essa seja sua resposta para o alerta que estamos fazendo. O programa corre SÉRIOS riscos se você for eleito. Só que o presidente Lula vai ser eleito e vai impedir vocês, mais uma vez, de destruir o Farmácia Popular.— Alexandre Padilha (@padilhando) October 8, 2026
A preocupação levantada pela pasta da Saúde encontra respaldo no histórico orçamentário recente e nas incertezas do plano de governo da oposição. Durante a gestão Jair Bolsonaro (PL), a proposta orçamentária para 2023 previu um corte de aproximadamente 60% nas verbas do Farmácia Popular, reduzindo os recursos de R$ 2,48 bilhões para R$ 1,01 bilhão. Naquela época, o total de beneficiários do programa havia registrado queda para 21,9 milhões de pessoas.
Com a volta do presidente Lula (PT) ao Poder Executivo, a cobertura foi recomposta e expandida: o contingente de atendidos subiu para 24,7 milhões em 2024 e alcançou a marca de 27,3 milhões de brasileiros em 2025. No ano de 2025, a gestão federal universalizou a gratuidade para todos os 41 itens do catálogo, que incluem medicamentos para hipertensão, diabetes, colesterol e doença de Parkinson, além da distribuição de absorventes e fraldas geriátricas. Para 2026, a verba destinada ao programa atingiu R$ 4,7 bilhões, prevendo ainda estudos para a expansão de serviços como exames, testes rápidos e teleatendimento.
Atualmente, o Farmácia Popular conta com 28 mil farmácias credenciadas em cerca de 5 mil municípios, atingindo uma cobertura de 97% da população nacional. Apenas até setembro de 2026, mais de 24 milhões de cidadãos já haviam utilizado a rede. O impacto financeiro do programa traz um alívio direto no orçamento das famílias. Dados do Ministério da Saúde indicam que, para uma família composta por quatro pessoas, a economia anual acumulada pode chegar a R$ 8,8 mil. A gratuidade em fraldas geriátricas garante uma economia de até R$ 3.240 ao ano por paciente. No caso de tratamentos para hipertensão conduzidos por duas pessoas na mesma residência, a folga no bolso é de até R$ 2.080 anuais, enquanto os tratamentos para diabetes e Parkinson geram reduções superiores a R$ 2,5 mil por pessoa ao ano, e os itens para dislipidemia representam uma economia de R$ 480 anuais por cidadão.
Apesar da dimensão social da política pública, a promessa de campanha de Flávio Bolsonaro de realizar um corte de R$ 190 bilhões em despesas públicas — o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — levanta incertezas sobre o futuro da gratuidade dos remédios. O plano do candidato, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foca na redução do número de ministérios, na eliminação de cargos comissionados e na diminuição de custos administrativos, estabelecendo uma rígida política de contenção de gastos sem discriminar as áreas que serão afetadas.
O documento oficial do candidato do PL ao TSE não cita nominalmente o Farmácia Popular nem detalha de onde virão as economias projetadas. Diante do histórico de tesouradas da gestão anterior e da omissão no plano de governo atual, a ausência de garantias concretas deixa no ar a dúvida sobre o impacto imediato na vida dos milhões de brasileiros que dependem diariamente do fornecimento gratuito de medicamentos essenciais pelo SUS.
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