Campanha de Lula se reúne para definir estratégia para eventual 2º turno
247 – A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta sexta-feira (2), em São Paulo, para definir os próximos passos da candidatura à reeleição diante da possibilidade de uma disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Entre os pontos em discussão estão a intensificação da agenda de Lula, a estratégia de comunicação e as negociações com partidos de centro.
Segundo O Globo, a equipe do presidente trabalha com a perspectiva de que Lula termine o primeiro turno, marcado para domingo (4), à frente de Flávio, mas sem alcançar a maioria necessária para encerrar a disputa nesta etapa. A intenção é iniciar uma eventual segunda rodada em ritmo acelerado, com uma sequência de compromissos destinada a mobilizar os apoiadores do petista.
O planejamento ocorre em meio a uma disputa apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (1º) mostra Lula com 42% das intenções de voto totais, contra 38% de Flávio. Considerando apenas os votos válidos — cálculo que exclui brancos, nulos e indecisos —, o presidente aparece com 45%, enquanto o senador registra 40%.
Na simulação de um segundo turno entre os dois, o levantamento aponta 48% para Lula e 45% para Flávio. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, configurando empate técnico. O Datafolha entrevistou 2.506 eleitores entre 29 de setembro e 1º de outubro.
Campanha mira partidos de centro
Além da reorganização da agenda e da propaganda eleitoral, aliados de Lula consideram decisiva a movimentação dos partidos de centro. O objetivo imediato é tentar impedir que legendas hoje neutras migrem para a candidatura de Flávio Bolsonaro caso a eleição avance para o segundo turno.
Dirigentes do chamado Centrão avaliam a possibilidade de apoiar Flávio, segundo O Globo, mas aguardam o resultado das urnas antes de formalizar uma posição. A votação do primeiro turno, portanto, deverá influenciar diretamente a reorganização das alianças para a etapa seguinte da campanha.
Lula já participa pessoalmente das conversas. Antes da declaração de neutralidade do Republicanos, o presidente se reuniu com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira (SP), e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O petista também conversou com a presidente do Podemos, Renata Abreu (SP), e com os líderes do União Brasil e do PP na Câmara, Pedro Lucas (MA) e Dr. Luizinho (RJ), respectivamente. A orientação defendida pelo presidente nessas conversas foi para que as siglas não definissem antecipadamente uma posição sobre o segundo turno, deixando a decisão para uma nova rodada de negociações com Lula e a direção do PT.
De acordo com um integrante governista da articulação política, uma vantagem de aproximadamente quatro pontos no primeiro turno seria importante para dificultar uma adesão dessas legendas a Flávio. Esse cálculo, porém, também depende das disputas estaduais.
Em estados nos quais Lula obtiver votação expressiva, dirigentes locais de partidos de centro podem pressionar suas direções nacionais pela neutralidade. A manutenção de uma posição independente permitiria negociações com o presidente e com o PT em eventuais segundos turnos para os governos estaduais.
Uma das definições mais aguardadas envolve a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. O grupo tem reunião prevista para 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno, para discutir seu posicionamento na disputa presidencial.
PEC do fim da escala 6×1 entra no radar
Outro movimento considerado estratégico pela campanha envolve a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Integrantes do governo acompanham a possibilidade de diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que a proposta avance na Casa. A campanha considera o tema eleitoralmente relevante para Lula em uma eventual segunda rodada.
A estratégia para o segundo turno será definida antes mesmo de os eleitores irem às urnas. Embora Lula mantenha vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro no levantamento mais recente do Datafolha, a pesquisa indica que nenhum dos dois alcança, neste momento, mais da metade dos votos válidos necessária para uma vitória no primeiro turno.
Caso nenhum candidato supere 50% dos votos válidos no domingo, os dois mais votados disputarão o segundo turno em 25 de outubro.



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