Lula diz que eleição opõe democracia e barbárie e defende soberania
247 – O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (29), durante caminhada no Centro de Fortaleza, que a eleição presidencial de 2026 representa uma escolha entre dois projetos distintos para o Brasil. “Essa eleição é entre dois projetos: a democracia e a barbárie”, declarou diante de apoiadores, na reta final da campanha para o primeiro turno de 4 de outubro.
Ao lado do governador do Ceará e candidato à reeleição, Elmano de Freitas, dos candidatos ao Senado Cid Gomes e Luizianne Lins e de outras lideranças políticas, Lula também fez uma defesa da soberania nacional. Sem citar diretamente seu principal adversário, afirmou que os brasileiros decidirão nas urnas se o País será dono de suas próprias escolhas ou se aceitará interferências externas.
O presidente agradeceu ainda o apoio que historicamente recebe no Ceará e apresentou sua relação com o estado como marcada pela gratidão e pela reciprocidade com os eleitores cearenses.
Livros em vez de armas
Em seu discurso, Lula voltou a estabelecer um contraste entre as prioridades de seu governo e as do governo de Jair Bolsonaro. O presidente criticou a ampliação do acesso a armas e munições promovida durante a gestão anterior e defendeu que o papel do Estado seja investir em educação e garantir livros didáticos aos estudantes.
A comparação integra um dos eixos centrais de seu discurso nesta reta final: a ideia de que a escolha eleitoral envolve modelos diferentes de Estado e de sociedade, especialmente nas áreas de educação, segurança pública e proteção social.
“As bets viraram uma desgraça na vida do povo pobre”
Outro ponto destacado por Lula foi a decisão do governo federal de proibir as apostas on-line. O presidente afirmou que inicialmente tentou regulamentar o setor, mas avaliou que os efeitos sociais das plataformas justificavam uma medida mais dura.
“As bets viraram uma desgraça na vida do povo pobre”, disse Lula, destacando o endividamento de famílias e o uso de recursos que, segundo ele, deveriam ser destinados a despesas essenciais.
O presidente também rebateu o argumento de que a proibição prejudicaria os clubes de futebol patrocinados por casas de apostas. “O que não posso aceitar é a ideia de um time querer pagar jogador com o dinheiro dos pobres”, declarou.
Programas sociais como contraponto
Lula também mencionou políticas públicas criadas ou ampliadas durante seus governos como exemplos do projeto que pretende levar adiante em um novo mandato.
Entre os programas citados estiveram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a Farmácia Popular, o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Pé-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e o Luz para Todos.
O presidente também destacou investimentos realizados para ampliar o acesso à água no Nordeste, relacionando essas iniciativas a uma concepção de Estado voltada à redução das desigualdades e à oferta de serviços públicos.
Apelo aos eleitores com mais de 70 anos
Em outro momento, Lula dirigiu-se especificamente aos brasileiros com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo.
O presidente pediu que esses eleitores compareçam às urnas mesmo não sendo obrigados a votar e que levem em consideração não apenas sua situação pessoal, mas também o futuro dos filhos e netos. O apelo aos eleitores mais velhos tem sido uma das linhas adotadas por Lula nos últimos dias da campanha.
Respeito às religiões
Lula também voltou a abordar a questão religiosa e afirmou respeitar as diferentes crenças existentes no Brasil. Durante o ato, recebeu e ergueu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
O tema ganhou espaço na reta final da campanha após a circulação de conteúdos nas redes sociais afirmando que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Flávio nega defender qualquer mudança nesse sentido, e decisões judiciais recentes determinaram a retirada de publicações consideradas falsas sobre o tema.
Lula reiterou sua defesa do respeito à diversidade religiosa e afirmou que Nossa Senhora Aparecida continuará sendo a Padroeira do Brasil enquanto ele ocupar a Presidência, ao mesmo tempo em que defendeu proteção às demais religiões, inclusive às de matriz africana.
A agenda em Fortaleza marcou mais uma etapa da mobilização de Lula no Nordeste nos últimos dias antes do primeiro turno. No Ceará, além de pedir votos para sua própria reeleição, o presidente trabalhou pela recondução de Elmano de Freitas ao governo e pelas candidaturas de seus aliados ao Senado.



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