Benedita alerta para ameaça de interferência dos EUA e defende soberania brasileira
247 – A deputada federal e candidata ao Senado Benedita da Silva (PT-RJ) fez um alerta sobre o que considera uma ameaça de interferência dos Estados Unidos no processo político brasileiro e colocou a defesa da soberania nacional no centro da disputa eleitoral. Em entrevista à Sputnik Brasil, publicada nesta quinta-feira (24), Benedita afirmou que pressões do governo de Donald Trump e a articulação de integrantes da família Bolsonaro com Washington representam um risco à autonomia do Brasil.
“A interferência se dá por ligações antidemocráticas e antidiplomáticas da ‘familícia’ do Brasil, que exige cada vez mais que o Trump possa apoiá-los nas demandas que eles têm. Então, taxa o Brasil, ameaça o Brasil”, afirmou a parlamentar. A declaração expressa a avaliação política de Benedita sobre as relações entre a oposição brasileira e o governo norte-americano.
“Quem precisa do Lula é o Brasil e a América Latina”
Benedita vinculou sua defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à questão da soberania. Para a candidata, o resultado da eleição brasileira terá repercussões que ultrapassam as fronteiras nacionais devido ao peso político e econômico do Brasil na região.
“Agora quem precisa do Lula não é o PT. Quem precisa do Lula é o Brasil e também a América Latina, porque se o Brasil se curva diante dos Estados Unidos, acabou a América Latina e acabaram também nós, os brasileiros”, declarou.
A parlamentar também criticou manifestações da oposição nas quais apoiadores exibem bandeiras dos Estados Unidos. Segundo Benedita, existe ainda o risco de interesses norte-americanos sobre recursos estratégicos brasileiros, especialmente as terras raras, tornarem-se parte da pressão exercida sobre o País.
A soberania sobre minerais críticos também vem sendo enfatizada por Lula na campanha. Nesta semana, o presidente afirmou que o Brasil pretende ampliar sua capacidade de processamento desses recursos e defendeu que sua exploração esteja vinculada à geração de valor, tecnologia e desenvolvimento dentro do território nacional.
Eleição sob atenção internacional
As declarações de Benedita ocorrem em um momento em que a questão da interferência externa ganhou espaço na campanha presidencial. A própria parlamentar apresenta a eleição como uma escolha que envolve, além das políticas domésticas, a capacidade do Brasil de tomar decisões sem subordinação a potências estrangeiras.
Para Benedita, preservar a autonomia brasileira também significa fortalecer a democracia e impedir que pressões externas condicionem decisões políticas, econômicas ou estratégicas do País.
A avaliação converge com um dos eixos adotados por Lula nesta reta final da campanha. Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana, o presidente voltou a defender a soberania brasileira e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Soberania também passa pela economia
Na entrevista, Benedita relacionou a ideia de autonomia nacional a políticas econômicas e industriais. Na área da saúde, defendeu a criação, no Rio de Janeiro, de um polo de produção de medicamentos, vacinas e insumos hospitalares, reduzindo a dependência brasileira de produtos importados.
“O Brasil tem matéria-prima para isso. Além disso, vai garantir a nossa independência, porque existe uma dependência na questão da importação”, afirmou.
Benedita também citou como prioridades para um eventual mandato no Senado o fim da escala 6×1, o avanço da PEC da Segurança Pública, maior transparência sobre as emendas parlamentares e políticas de proteção às mulheres, idosos e pessoas com deficiência.
No entanto, sua mensagem política central na entrevista foi a defesa da soberania. Para a candidata, o Brasil precisa preservar sua capacidade de definir autonomamente seus rumos políticos, econômicos e estratégicos em um cenário internacional de crescente disputa entre grandes potências.



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