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Lula vai à ONU com defesa da soberania e da democracia no centro do discurso

20.09.2026 4 min read

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para Nova York, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Na terça-feira (22), caberá ao presidente brasileiro fazer o primeiro pronunciamento entre os chefes de Estado, seguindo a tradição diplomática que há décadas reserva ao Brasil a abertura dos discursos do debate geral.

A defesa da democracia, da soberania nacional e do princípio da não interferência nos assuntos internos dos países deverá ocupar espaço importante na passagem de Lula pelas Nações Unidas, em um momento de tensão entre Brasília e Washington e a poucas semanas das eleições presidenciais brasileiras.

O presidente tem reiterado publicamente que pretende defender o direito dos brasileiros de decidirem seu próprio futuro sem interferência estrangeira. A posição ganha peso diante das pressões exercidas pelo governo de Donald Trump sobre temas relacionados à política interna brasileira.

Recentemente, veio a público que, durante as negociações comerciais de 2025, representantes do governo Trump apresentaram ao Brasil uma série de exigências que incluíam a participação irrestrita de pessoas descritas pelo lado norte-americano como “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O governo brasileiro rejeitou a formulação e afirmou não reconhecer a existência de presos ou dissidentes políticos no país.

Nesse contexto, Lula já indicou a mensagem que pretende transmitir ao presidente norte-americano: as eleições brasileiras dizem respeito exclusivamente ao povo brasileiro. A soberania, portanto, deverá aparecer em seu discurso não apenas como conceito diplomático, mas também como defesa da autonomia das instituições nacionais.

Eduardo Bolsonaro atua em Washington

A tensão aumentou nos últimos dias com a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do comentarista Paulo Figueiredo em Washington. Ambos afirmaram ter mantido reuniões com integrantes do governo Trump e defendido novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal. Eduardo também passou a se definir como “dissidente político” e fez alegações, sem apresentar provas, sobre uma eventual tentativa do STF de impedir uma vitória de seu irmão, Flávio Bolsonaro, na eleição presidencial.

Outra frente de pressão partiu do deputado republicano Chris Smith. O parlamentar enviou uma carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo maior monitoramento da situação brasileira e das eleições. Smith mencionou questões envolvendo o STF, o ministro Alexandre de Moraes e o caso Banco Master.

A OEA, por sua vez, já havia firmado em agosto acordo com o governo brasileiro para o envio de uma Missão de Observação Eleitoral às eleições gerais de 4 de outubro.

Multilateralismo e reforma da ONU

Além da soberania e da democracia, Lula deverá retomar bandeiras tradicionais da política externa brasileira, como o fortalecimento do multilateralismo, a promoção da paz e a reforma das instituições de governança global. Segundo o Itamaraty, a reforma das Nações Unidas está entre os temas previstos para a participação brasileira.

Lula vem defendendo há anos uma mudança na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, argumentando que a estrutura criada no pós-Segunda Guerra Mundial já não representa adequadamente a distribuição de poder do século XXI.

Em seu discurso na Assembleia Geral de 2024, o presidente afirmou que a reforma deveria alcançar a composição, os métodos de trabalho e o direito de veto do Conselho de Segurança, além de ampliar a representação de regiões como América Latina e África.

O respeito ao direito internacional, a solução pacífica de conflitos e a proteção das populações civis também deverão integrar a mensagem brasileira em Nova York, em meio a conflitos que desafiam a capacidade de atuação das instituições multilaterais.

Encontro com Guterres

Na terça-feira, antes de discursar no plenário, Lula terá encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A programação presidencial também prevê reuniões bilaterais durante a permanência em Nova York.

O tema oficial da 81ª Assembleia Geral é “Restaurando a confiança, administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”. Para o Brasil, a reunião ocorre em um momento em que soberania, democracia e não interferência externa deixaram de ser apenas princípios abstratos da diplomacia e passaram a ocupar o centro do debate político nacional.

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