Vitória de Lula e derrota de Trump marcam inflexão global. Milei é o próximo
Em apenas dez dias, dois acontecimentos de enorme significado político podem ter marcado uma inflexão histórica. No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva derrotou Flávio Bolsonaro e interrompeu a possibilidade de retorno da extrema direita ao poder. Nos Estados Unidos, Donald Trump sofreu uma derrota expressiva nas eleições legislativas, perdendo o controle do Congresso para os democratas.
Os dois resultados sinalizam que a onda política representada pelo movimento MAGA (Make America Great Again), pelo trumpismo e pelo bolsonarismo pode ter encontrado seus limites. A retórica do ódio, a exploração das divisões sociais e o nacionalismo agressivo já não parecem suficientes para assegurar vitórias eleitorais.
A derrota de Trump é especialmente significativa porque atinge um presidente que prometeu prosperidade e paz, mas entregou inflação, combustíveis mais caros e uma guerra contra o Irã. Os eleitores americanos começaram a cobrar a distância entre as promessas e a realidade.
A vitória de Lula, por sua vez, possui uma dimensão internacional. Representa o fortalecimento do Sul Global, da multipolaridade e da soberania dos povos diante das pretensões hegemônicas de Washington. É também uma vitória dos valores humanistas contra o capitalismo predatório, a concentração extrema da riqueza e a lógica das guerras infinitas.
Lula demonstrou que é possível enfrentar a extrema direita com um projeto baseado na inclusão social, na democracia e na cooperação internacional. Sua reeleição fortalece os BRICS e amplia as possibilidades de construção de uma ordem mundial mais equilibrada.
O enfraquecimento de Trump tende a produzir consequências em toda a América Latina. E um dos líderes mais expostos a essa mudança é o presidente argentino Javier Milei, que disputará a reeleição em 2027.
Milei construiu sua identidade política em estreita associação com Trump, compartilhando sua retórica agressiva e sua defesa de políticas econômicas favoráveis ao grande capital. Se o movimento MAGA perder força internacionalmente, o presidente argentino poderá enfrentar dificuldades adicionais para sustentar seu projeto.
Naturalmente, a eleição argentina dependerá sobretudo das condições econômicas e sociais do próprio país. Mas o ambiente internacional também importa. E o cenário que favoreceu a ascensão de Milei pode estar começando a se desfazer.
A vitória de Lula e a derrota de Trump não significam o fim da extrema direita. Mas indicam que sua expansão não é inevitável e que existe espaço para uma alternativa fundada na soberania, na justiça social e na paz.
Em 2026, o Brasil e os Estados Unidos deram sinais de mudança. Em 2027, a Argentina poderá completar esse movimento. E Javier Milei poderá ser o próximo a descobrir que a história mudou de direção.



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