Irã exige fim do bloqueio naval dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz
247 – O Irã condiciona a reabertura do Estreito de Ormuz ao fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos e ao atendimento das exigências apresentadas por Teerã. A posição foi reafirmada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante sua coletiva semanal, realizada na segunda-feira (2).
Segundo a agência iraniana Tasnim, Baqaei afirmou que Washington não pode exigir garantias de segurança enquanto mantém medidas contra o Irã. O diplomata também rejeitou a possibilidade de seu país assumir compromissos unilaterais em meio à continuidade das pressões americanas.
“O Estreito de Ormuz não pode reabrir a menos que o bloqueio termine e as exigências do Irã sejam atendidas”, declarou o porta-voz. Segundo ele, somente depois do cumprimento dessas condições será possível discutir os próximos passos do processo diplomático.
Teerã cobra mudança de postura de Washington
Ao comentar uma carta enviada pelo vice-presidente americano, JD Vance, a Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Baqaei afirmou que diferenças no estilo das comunicações diplomáticas são naturais, mas ressaltou que o elemento decisivo é o comportamento concreto dos Estados Unidos.
O porta-voz acusou Washington de comprometer sucessivas iniciativas diplomáticas nos últimos dois anos, seja por meio de ações militares, seja pela interrupção de processos de negociação.
“O Irã deixou suas exigências claramente comunicadas. A bola está no campo dos Estados Unidos”, afirmou.
Apesar das críticas, Baqaei assegurou que a proposta iraniana para encerrar o impasse continua sobre a mesa.
Proposta de paz prevê implementação acelerada
De acordo com o representante da diplomacia iraniana, Teerã apresentou uma proposta estruturada em sete etapas, que posteriormente foi condensada em um formato passível de implementação em dois dias.
Baqaei afirmou que as partes já trocaram preocupações e considerações sobre a iniciativa, apresentada pelo Irã como uma demonstração de boa vontade para viabilizar uma solução negociada.
O diplomata ressaltou, entretanto, que qualquer avanço depende de uma resposta concreta dos Estados Unidos, especialmente em relação ao bloqueio naval e às exigências iranianas.
Catar participa dos esforços diplomáticos
O porta-voz também comentou os contatos diplomáticos envolvendo o Catar, incluindo a visita de uma delegação catariana a Teerã e a viagem de um vice-ministro iraniano das Relações Exteriores a Doha.
Segundo Baqaei, a visita do representante iraniano ao Catar teve como objetivo facilitar transações entre os dois países. As conversas diplomáticas continuam, embora os temas em discussão sejam considerados altamente complexos.
Ele reconheceu que a passagem do tempo aumentou as dificuldades para alcançar um entendimento, mas confirmou que as trocas de mensagens entre as partes permanecem em andamento.
“Não se pode falar em segurança enquanto se mantém um bloqueio contra o Irã, nem esperar que o Irã assuma compromissos unilaterais”, declarou.
As manifestações da diplomacia iraniana ocorrem em meio à continuidade das tensões militares no Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio internacional de petróleo e gás. A exigência de suspensão do bloqueio americano permanece como um dos principais obstáculos para um acordo que permita a retomada da navegação na região.



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