EUA ordenam retirada de diplomatas e familiares da Arábia Saudita após ataques houthis
247 – O governo de Donald Trump determinou nesta quarta-feira (21) a retirada de todos os funcionários estadunidenses de sua embaixada na Arábia Saudita, além de seus familiares, diante da intensificação dos ataques dos rebeldes houthis do Iêmen contra o território saudita. A medida também alcança familiares de integrantes de missões diplomáticas dos Estados Unidos em outros quatro países do Oriente Médio.
A informação foi divulgada pela agência AFP, com base no relato de uma fonte diplomática. A decisão ocorre em meio a alertas de Washington sobre a possibilidade de agravamento das hostilidades na região, onde ataques com mísseis e drones já provocaram mortes, atingiram instalações estratégicas e comprometeram o funcionamento de aeroportos.
“Todos os funcionários americanos e seus familiares receberam ordens para deixar a Embaixada dos EUA na Arábia Saudita”, afirmou a fonte diplomática à AFP.
A determinação também prevê a saída dos familiares de funcionários das representações diplomáticas estadunidenses nos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar e Bahrein. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre o cronograma da retirada ou sobre eventuais mudanças no funcionamento das embaixadas.
Washington alerta para agravamento do conflito
Antes da confirmação da ordem de retirada, três autoridades estadunidenses haviam informado à agência Reuters que o Departamento de Estado preparava a evacuação de parte dos funcionários diplomáticos e de seus familiares de embaixadas na região do Golfo.
Duas dessas autoridades relacionaram os preparativos à possibilidade de retomada das hostilidades, indicando preocupação do governo Trump com a segurança de suas representações diplomáticas.
Também nesta quarta-feira, a Embaixada dos Estados Unidos em Riad divulgou um alerta sobre o risco de novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita. Segundo a representação, os rebeldes já realizaram ofensivas contra aeroportos civis e outras instalações essenciais, provocando vítimas fatais e graves transtornos ao transporte aéreo.
A embaixada advertiu que os confrontos podem se intensificar rapidamente e recomendou “extrema cautela” aos cidadãos estadunidenses que precisarem utilizar aeroportos sauditas.
Aeroportos enfrentam paralisações e restrições
O agravamento da situação de segurança já comprometeu a infraestrutura aeroportuária da Arábia Saudita. De acordo com o comunicado da embaixada, as operações do Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, permaneciam suspensas nesta quarta-feira.
Os aeroportos de Jidá e Dammam continuavam funcionando, mas enfrentavam atrasos e cancelamentos de voos, em consequência dos riscos associados aos ataques.
O governo estadunidense também passou a exigir autorização especial para que seus funcionários utilizem qualquer aeroporto saudita. A restrição foi adotada após episódios recentes envolvendo o lançamento de mísseis e drones contra alvos no país.
As medidas evidenciam a preocupação de Washington com a possibilidade de que novas ofensivas atinjam instalações civis e comprometam a segurança de cidadãos e representantes diplomáticos.
Ataque contra instalação petrolífera deixa dois mortos
A tensão aumentou após um incidente envolvendo uma importante instalação de produção de petróleo da Arábia Saudita. O Ministério da Energia saudita informou que duas pessoas morreram nesta quarta-feira em consequência da queda de destroços de um drone interceptado pelas defesas do país.
As vítimas eram uma cidadã filipina e uma nepalesa. Outras duas pessoas ficaram feridas.
Segundo as autoridades sauditas, o equipamento tinha como alvo o campo petrolífero de Shaybah, localizado próximo à fronteira com os Emirados Árabes Unidos. O drone foi interceptado, mas a queda de seus fragmentos provocou as mortes.
O Ministério da Energia não identificou os responsáveis pelo lançamento do equipamento. Portanto, não há confirmação oficial de que os houthis tenham realizado esse ataque específico.
A ocorrência reforçou as preocupações com a vulnerabilidade de instalações energéticas estratégicas diante do uso de drones e mísseis em operações militares na região.
Ofensivas houthis elevam tensão regional
Os ataques dos houthis, movimento armado iemenita apoiado pelo Irã, estão no centro da deterioração das condições de segurança na Arábia Saudita. As ofensivas contra o território saudita aumentaram o temor de novos confrontos e de consequências para outros países do Golfo.
A decisão estadunidense de retirar funcionários e familiares de suas representações diplomáticas ocorre nesse cenário de instabilidade, marcado pela ameaça a aeroportos, instalações petrolíferas e outras estruturas essenciais.
A extensão das medidas de segurança a missões diplomáticas nos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Catar e Bahrein demonstra que a preocupação de Washington não está limitada ao território saudita.
Embora ainda não tenham sido anunciadas medidas adicionais, a retirada de pessoal diplomático representa uma resposta preventiva do governo Trump ao risco de agravamento da crise militar no Oriente Médio.
Legenda: Donald Trump e o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman durante encontro em Riad, em maio de 2025 (Foto: Doug Mills/The New York Times)
Tags: Estados Unidos, Arábia Saudita, Donald Trump, Houthis, Iêmen, Oriente Médio, Irã, Diplomacia, Embaixada dos EUA, Ataques com drones


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