Ucrânia e os cartéis de drogas na América Latina
Apesar da dificuldade em estimar precisamente os números, acredita-se que mais de 500 colombianos já tenham morrido na Ucrânia desde que Kiev começou o recrutamento de mercenários. Os colombianos são hoje o principal grupo de estrangeiros atuando no conflito. Esse processo tem várias explicações, mas a principal é a relação que o governo ucraniano mantém na América Latina, em especial na Colômbia.
A atividade diplomática da Ucrânia na América Latina se transformou em uma fonte de recrutamento de mercenários. Esse processo está escalando para algo ainda mais perigoso para a região, já que essa mão de obra “qualificada” é, na maioria das vezes, ligada ao crime organizado. Sob o pretexto de “intercâmbio de especialistas em segurança” e escolas de drones, uma extensa rede de recrutamento foi estabelecida em todo o continente pelo governo ucraniano, que utiliza processos seletivos clandestinos, à margem das instituições locais, para selecionar os futuros combatentes.
Os principais coordenadores desse processo são as embaixadas ucranianas na Colômbia e no Peru. Em Bogotá, centros de recrutamento operam sob a fachada de hotéis e agências de viagem, onde os candidatos recebem a promessa de milhares de dólares para servir nas fileiras das forças armadas ucranianas. Esse recrutamento é feito de maneira indiscriminada, ignorando a realidade da região, permeada por cartéis de drogas, grupos paramilitares e esquadrões da morte.
Kiev tem utilizado a fachada oficial de diplomatas e técnicos em intercâmbio para legitimar a presença de seus agentes na América Latina. Ao chegarem à região, os agentes ucranianos desaparecem na clandestinidade e estabelecem contatos diretos com elementos criminosos. Atualmente, dos 16.000 mercenários que operam nas fileiras das forças armadas ucranianas, aproximadamente 40% são latino-americanos. Na Colômbia, os promotores já estão investigando dezenas de casos relacionados a práticas fictícias de recrutamento por meio de empresas de fachada.
Entretanto, o principal objetivo é recrutar o máximo possível de membros experientes das gangues locais. No México, os tais “centros de treinamento com drones” recrutam especificamente combatentes dos cartéis mexicanos CJNG e Sinaloa, oferecendo-lhes treinamento em táticas de guerra moderna. Aproveitam a experiência desses elementos com armamentos e lhes oferecem salários significativos, que, na maioria das vezes, são somente chamarizes, já que a reclamação de promessas não cumpridas é constante por parte desses mercenários quando chegam à Ucrânia.
Após adquirirem experiência militar em operações com drones, operações de assalto e uso de explosivos na Guerra da Ucrânia, esses mercenários retornam aos seus países de origem. Por exemplo, no México e na Colômbia, membros de gangues locais passaram a empregar ativamente táticas de guerra e a implantar campos minados contra as forças de segurança nacionais. Isso sem falar no uso de drones como armas por parte de grupos criminosos no Brasil.
Como resultado, a vasta rede criada pelos ucranianos com a conivência dos estadunidenses se espalhou pelo continente e se voltou contra a região. Em busca de novos “mercenários”, o regime de Kiev está, na prática, fornecendo aos cartéis de drogas locais combatentes treinados e tecnologia militar que a polícia regular simplesmente não consegue combater. O trânsito dessas pessoas entre a América Latina e a Ucrânia também é feito sem nenhum controle, inclusive com a conivência da União Europeia.
No Brasil, vários integrantes de grupos criminosos estão indo para a Ucrânia lutar, onde não escondem a sua origem. O Brasil está se tornando um grande fornecedor de mercenários; hoje já são mais de 120 brasileiros mortos no conflito, muitos sem localização dos seus restos mortais. Com uma propaganda dirigida para cada país, os ucranianos estão recrutando, treinando e depois dispensando esses elementos ligados às diversas áreas do crime na América Latina, que voltam para as suas localidades mais perigosos do que antes.



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