Pequenos negócios já respondem por 95% das empresas ativas na Paraíba
247 – A Paraíba chegou a setembro com mais de 307 mil pequenos negócios em atividade, segmento que hoje representa cerca de 95% das empresas ativas no estado. O avanço reforça o peso de microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte na estrutura econômica paraibana.
Os dados são da plataforma Usina de Dados do Sebrae-PB, divulgados por ocasião do Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa. Segundo o levantamento, o número de pequenos negócios passou de 37.915, em 2006, para 307.526 em setembro de 2026, uma alta de 711% em duas décadas.
A comparação utiliza informações do Sistema Sidra, do IBGE, relativas a 2006, e dados atuais reunidos pelo Sebrae-PB. Os critérios de classificação empresarial, porém, mudaram no período. Há 20 anos, o enquadramento considerava principalmente o número de pessoas ocupadas. Atualmente, a classificação leva em conta os limites de faturamento estabelecidos para cada categoria.
MEIs concentram mais da metade dos registros
Entre os mais de 307 mil pequenos negócios contabilizados no estado, 55,1% são Microempreendedores Individuais (MEIs). As microempresas representam 34,9% do total, enquanto as Empresas de Pequeno Porte correspondem a 5,6%.
O setor de serviços concentra a maior parcela dos empreendimentos, com 50,5% dos registros, seguido pelo comércio, com 32,8%. A construção responde por 8,4% e a indústria, por 0,4%, segundo os dados apresentados.
Para o superintendente do Sebrae-PB, Luiz Alberto Amorim, a expansão desse segmento também ampliou a necessidade de apoio aos empreendedores.
“As micro e pequenas empresas ocupam uma parcela importante de contribuição para a economia de nosso estado e o Sebrae colabora em várias frentes com esse processo. Levando conhecimento, inovação, sustentabilidade e promovendo capacitações, feiras e incentivando o empreendedor a planejar o futuro. O Sebrae está junto nessa caminhada e faz parte dessa história de desenvolvimento”, afirmou.
Empreendedores relatam desafios para manter os negócios
A empresária Jamille Mendonça atua há seis anos no mercado de consórcios e comanda a JMS Consórcios, com sede em Patos, no Sertão paraibano. Ela destaca que manter uma empresa exige dedicação permanente e capacidade de conquistar a confiança dos clientes.
“É um desafio diário, porque exige muita responsabilidade e dedicação para fazer dar certo. Quem decide empreender vive um misto de emoções, mas é gratificante e a credibilidade que as pessoas enxergam no seu negócio é o que mais motiva”, disse.
Lei Geral completa 20 anos
O crescimento dos pequenos negócios ocorre no mesmo ano em que a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, instituída pela Lei Complementar nº 123, de 2006, completa duas décadas.
A legislação criou mecanismos específicos para simplificar obrigações tributárias e administrativas e estabeleceu tratamento diferenciado para empresas de menor porte.
Segundo os dados apresentados pelo Sebrae-PB, antes da entrada em vigor da legislação, a formalização de um negócio no Brasil poderia levar, em média, cerca de 70 dias. Com a digitalização e a redução de etapas burocráticas, esse prazo caiu atualmente para menos de 24 horas.
Paraíba recebe congresso nacional do setor
A importância dos pequenos negócios também estará no centro dos debates do XXII Congresso Brasileiro de Micro e Pequenas Empresas e do Encontro Nacional dos Dirigentes do Sistema Comicro, marcados para os dias 8 e 9 de outubro, na Região Metropolitana de João Pessoa.
A programação terá a participação de representantes do Sebrae e de entidades empresariais, entre eles o presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares; o diretor técnico Bruno Quick; o superintendente do Sebrae-PB, Luiz Alberto Amorim; e o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva.
Também participará do encontro o gerente do Sebrae Nacional Ênio Pinto, que deverá abordar um novo projeto desenvolvido em parceria entre a Comicro e o Sebrae.
Segundo José Tarcísio da Silva, o congresso pretende concentrar a discussão nos desafios que afetam diretamente a continuidade e a expansão dos pequenos negócios.
“Queremos trabalhar, neste congresso, o debate sobre o futuro das pequenas empresas brasileiras. Discutir também o impacto da reforma tributária”, afirmou.
Entre os principais temas previstos estão o futuro do Simples Nacional, a atualização do limite de faturamento do MEI e os efeitos da reforma tributária sobre micro e pequenas empresas.
O encontro também deverá tratar de governança, uso de Inteligência Artificial nos negócios e das oportunidades e dificuldades que o novo sistema tributário poderá criar para empreendedores de menor porte.



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