Itaú Unibanco compra 35% da Prisma Capital em investimento estratégico
247 – O Itaú Unibanco fechou um acordo para adquirir 35% da Prisma Capital, gestora especializada em ativos alternativos que administra aproximadamente R$ 28 bilhões. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a transação será realizada por meio da aquisição de ações preferenciais em uma emissão primária, permitindo a entrada de novos recursos no capital da gestora. O investimento reforça a atuação do banco no segmento de ativos alternativos, que inclui crédito estruturado, participações em empresas e operações com ativos de maior complexidade.
Fundada em 2017, a Prisma Capital atua no desenvolvimento de soluções de capital para empresas e investidores institucionais. A aproximação com o Itaú segue uma estratégia semelhante à adotada pelo banco em sua relação com a Kinea, mas não há previsão de ampliação futura da participação acionária na Prisma.
Gestora manterá independência
Um dos pontos centrais do acordo é a preservação da autonomia da Prisma Capital. O Itaú não terá assento no comitê de investimentos nem no conselho de administração da gestora, que continuará responsável por suas próprias decisões de alocação de recursos.
“Existe uma visão de complementariedade, de que faz sentido fazer negócios juntos”, afirmou João Mendes, sócio da Prisma, ao Valor Econômico.
Segundo o executivo, a experiência da gestora em operações de capital solutions, voltadas à estruturação de soluções financeiras, poderá gerar oportunidades para ambas as instituições.
A entrada do Itaú também permitirá à Prisma fortalecer suas plataformas próprias de originação de ativos, uma estratégia considerada fundamental para manter o controle sobre a qualidade dos investimentos e a previsibilidade dos retornos.
“A gente quer que parte relevante dos fundos seja composta por originação controlada pela Prisma, desde a subscrição, a elegibilidade dos ativos, é o que gera retornos previsíveis para os nossos investidores”, declarou Mendes.
Parceria foi construída a partir de negócios anteriores
A negociação não envolveu um processo competitivo aberto. De acordo com Mendes, a aproximação ocorreu de maneira gradual, a partir de operações realizadas conjuntamente pelas duas empresas.
Em 2024, o Itaú adquiriu a Avita, corretora de seguros-garantia judiciais criada pela Prisma. A experiência foi considerada positiva pelas partes e contribuiu para aprofundar o relacionamento institucional.
Mendes afirmou que a operação “deixou todo mundo feliz” e que havia interesse em realizar a nova transação exclusivamente com o Itaú.
“A gente queria fazer a transação só com eles, foi um processo fluido para se chegar à equação final”, afirmou.
Segundo a reportagem, a exclusividade na negociação foi “concedida moralmente”, refletindo a relação de confiança estabelecida entre as instituições.
Itaú aposta no crescimento dos ativos alternativos
Carlos Constantini, diretor de gestão de riqueza e serviços do Itaú, destacou a trajetória da Prisma e o potencial de expansão do mercado brasileiro de investimentos alternativos.
“Esse investimento reflete nossa confiança no know-how da Prisma e reforça o posicionamento do Itaú no segmento de alternativos, permitindo melhor capturar o potencial de crescimento desse mercado no Brasil”, afirmou o executivo em nota.
A operação amplia a exposição estratégica do Itaú a um segmento que oferece soluções de financiamento e investimento distintas das modalidades tradicionais de crédito e dos produtos financeiros convencionais.
Prisma realizou mais de R$ 14 bilhões em operações
Desde sua fundação, a Prisma Capital realizou mais de R$ 14 bilhões em aproximadamente 120 transações, com mais de R$ 13 bilhões em capital realizado.
Atualmente, a gestora está em seu terceiro fundo, cuja captação, com meta de R$ 1,8 bilhão, teve início em janeiro. Metade desse montante já está comprometida com investimentos.
Entre suas principais estratégias estão crédito estruturado, private equity, investimentos imobiliários, ativos estressados e créditos inadimplidos de empresas, conhecidos como NPLs corporativos.
A gestora também atua em operações relacionadas a falências, recuperações judiciais, financiamento de litígios e administração de passivos e contingências.
Sua base de investidores é formada por instituições e escritórios de gestão de patrimônio no Brasil e no exterior. A Prisma não utiliza distribuidores terceirizados para comercializar seus produtos.
“Nunca pagamos R$ 1 de rebate”, afirmou Mendes, em referência à ausência de comissões de distribuição.
Operação depende de aprovação regulatória
A conclusão da aquisição está condicionada ao cumprimento das exigências regulatórias e das condições habituais para operações dessa natureza.
Entre as etapas necessárias estão as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central do Brasil.
Com o investimento, o Itaú pretende fortalecer sua presença no mercado de ativos alternativos, enquanto a Prisma busca ampliar sua capacidade de originação de negócios e consolidar sua estrutura de investimentos, preservando a independência operacional.


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