Guia Musical celebra a resistência cultural de Brasília em noite de música, solidariedade e homenagem a Lula
Em tempos em que a cultura brasileira precisa disputar espaços, recursos e reconhecimento, uma publicação nascida em Brasília demonstra que a resistência também se faz com música, informação e solidariedade. É o Guia Musical, que chegou à sua 13ª edição e reuniu, na noite de 27 de outubro, no Clube do Choro de Brasília, artistas de diferentes gerações e estilos para celebrar a vitalidade da produção cultural do Distrito Federal.
À frente dessa iniciativa está Joaquim Barroncas, publisher da revista e um dos responsáveis por transformar o Guia Musical em um veículo de valorização dos artistas, divulgação da produção musical e defesa da cultura como patrimônio coletivo.
Mais do que uma publicação dedicada à agenda cultural, o Guia conquistou espaço como instrumento de resistência, dando visibilidade a músicos, compositores e produtores do Distrito Federal, muitos deles com destaque no cenário nacional.
O lançamento da nova edição mostrou que essa resistência não se limita às páginas da revista. Ela também se manifesta no palco, na formação de novos talentos e no compromisso com a transformação social por meio da arte.
Um dos momentos mais significativos da noite não foi propriamente musical, embora tivesse tudo a ver com música.
Joaquim Barroncas, acompanhado de Luis Gustavo Riani, assessor da presidência da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), entregou duas flautas à diretora Lorena Oliveira, do Instituto Janelas da Arte, organização dedicada à formação e ao desenvolvimento de talentos por meio da atividade artística.
O gesto faz parte de um programa permanente de doação de instrumentos musicais a instituições sem fins lucrativos que utilizam a música como ferramenta de inclusão e transformação social.
A iniciativa recebe instrumentos que já não são utilizados por seus proprietários, mas que podem ganhar nova vida nas mãos de crianças, jovens e outros estudantes de música.
É uma forma concreta de ampliar o alcance social do projeto idealizado por Barroncas: não basta divulgar os músicos que já conquistaram seu espaço. É preciso também contribuir para que novos artistas tenham a oportunidade de surgir.
Entre os destaques artísticos da noite esteve a cantora Myrlla Muniz, conhecida também do público do Brasil 247 por interpretar o Hino Nacional nas aberturas dos eventos promovidos pelo veículo.
Sua participação no lançamento do Guia Musical teve uma circunstância especial: a artista vinha de uma apresentação no Palácio da Alvorada, durante a comemoração do aniversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Da residência oficial da Presidência da República ao palco do Clube do Choro, Myrlla participou de uma celebração que reuniu música, cultura e manifestações políticas.
A cantora integrou um elenco de artistas de diferentes estilos e trajetórias, em um espetáculo que durou mais de duas horas e mostrou a diversidade da cena musical brasiliense.
O lançamento aconteceu em um ambiente marcado pelas comemorações da reeleição do presidente Lula.
Logo no início, a plateia cantou os tradicionais “Parabéns a você” para o presidente, que completara mais um ano de vida, e para o multiartista Fred Brasiliense, um dos entrevistados da nova edição.
Em seguida, o maestro Joaquim França levantou-se no meio do público e, com seu trompete, puxou o conhecido canto “Olê, olê, olá, Lula, Lula!”, acompanhado pelos presentes.
A participação do maestro tinha um significado especial. Joaquim França é o personagem da capa da 13ª edição do Guia Musical.
Segundo o editor Antônio Carlos Queiroz, a escolha representa o reconhecimento de um artista que coloca seu talento a serviço da democracia e das lutas por um Brasil livre, soberano, próspero, solidário e inteligente.
A homenagem sintetiza uma das características da publicação: compreender a música não apenas como entretenimento, mas também como expressão da vida social e política.
Além de Joaquim França, a nova edição apresenta entrevistas com personagens que ajudam a construir a identidade cultural de Brasília.
Um deles é Fred Brasiliense, artista de múltiplas linguagens, originário do Pará, cuja trajetória exemplifica a diversidade da produção artística que encontrou espaço na capital federal.
Outro entrevistado é Jackson Delano, sargento-músico da Força Aérea Brasileira, professor de clarineta e de arranjo da Escola Brasileira de Choro. Ele ganhou destaque recentemente na direção musical da série “Tom e Vinicius”, realizada pelo Clube do Choro em parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil.
A publicação também abre espaço para Flávia Beleza, pesquisadora e artista responsável pela criação do Salão da Beleza, ambiente intimista dedicado à apreciação da música de qualidade.
O conteúdo da revista ultrapassa o universo dos palcos e inclui uma reflexão sobre literatura e música. Um extenso artigo aborda a relação complexa do poeta Carlos Drummond de Andrade com a expressão musical.
O tema estará presente nas comemorações do Dia D de Drummond, previstas para 31 de outubro, na Livraria Sebinho, outro espaço tradicional de resistência cultural de Brasília.
Também participaram Jayme Ernest Dias, Joaquim Barroncas, Ramón Barroncas, o maestro José Nogueira, Márcia Tauil, Quarteto Seriema Tumbao, Sérgio Morais, Fred Brasiliense, Haroldinho Mattos, Célia Porto, Rênio Quintas, Fred Magalhães, GOG e o grupo Patubatê, além de Myrlla Muniz.
A variedade de estilos e gerações deu ao espetáculo um caráter de encontro da produção musical do Distrito Federal, com espaço para artistas de diferentes experiências e linguagens.
O show foi transmitido ao vivo pelo YouTube, permitindo que a celebração ultrapassasse os limites físicos do Clube do Choro.
A chegada do Guia Musical à 13ª edição representa uma conquista em um cenário no qual a continuidade de publicações culturais independentes enfrenta dificuldades.
O trabalho de Joaquim Barroncas demonstra a importância de iniciativas que documentam a produção artística, preservam a memória musical e ajudam a estabelecer conexões entre artistas, instituições e público.
Nesta edição, o projeto contou com financiamento da Emgea, empresa federal de gestão de ativos, que também apoiou a produção de cinco episódios do PodGuia, podcast derivado da revista impressa e disponibilizado no YouTube.
A ampliação para o formato audiovisual permite que o projeto alcance novos públicos e registre histórias que poderiam permanecer restritas aos círculos de convivência dos artistas.
Mas talvez o aspecto mais significativo do trabalho de Barroncas seja justamente a combinação entre a preservação da memória e o investimento no futuro.
Ao mesmo tempo que registra trajetórias de músicos consagrados e revela novos talentos, o Guia Musical participa de iniciativas que possibilitam a formação de futuras gerações de artistas.
As duas flautas entregues ao Instituto Janelas da Arte, durante o lançamento, são um símbolo dessa proposta.
Em uma noite de homenagens, celebração política e apresentações musicais, o Guia Musical mostrou que a cultura pode ser, simultaneamente, memória, expressão democrática e instrumento de inclusão social.
E que, em Brasília, a resistência cultural continua encontrando formas de se renovar.
Assista ao espetáculo: a apresentação de lançamento da 13ª edição está disponível no canal PodGuia, no YouTube:



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