O que aconteceu no Brasil neste segundo turno das eleições foi algo histórico
Não foi apenas uma mera vitória eleitoral.
Foi o começo de um movimento nacional e internacional de resistência popular ao fascismo, à extrema-direita e ao imperialismo brutal e sem regras imposto pelo governo Trump.
No mundo inteiro, o “L” de Lula passou a ter um novo significado.
O significado de que as populações, principalmente as mais desassistidas, podem ter a esperança de combater, com êxito, a crescente corrosão do Estado de Bem-Estar, a extinção de direitos sociais e econômicos e a perspectiva sombria de que as gerações futuras terão uma vida pior do que a das gerações passadas.
Até essas eleições, a insatisfação e a desesperança criadas pelo crescente mal-estar social estavam sendo muito canalizadas para os movimentos neofascistas, pelo mal chamado “populismo de direita”, os quais, dominando as redes sociais, vinham impondo a visão de que a solução para esse mal-estar passava pelo autoritarismo político e pelo individualismo econômico.
Assim, em muitos países, inclusive no Brasil, os movimentos neofascistas passaram a ser “normalizados” nas disputas democráticas, agravando os problemas econômicos e sociais e colocando em grave risco as instituições democráticas.
Ao mesmo tempo, isso se combinou com um ataque ao direito internacional público, às regras do comércio mundial e ao multilateralismo (que nada mais é do que a democracia na ordem planetária), criando um mundo hobbesiano, fundado nos interesses da extrema-direita dos EUA e baseado no uso desabrido da força, sem limites jurídicos ou morais.
Os democratas, os progressistas e a esquerda assistiam a tudo isso, de modo geral, com certa impotência e crescente fragilidade.
Não mais. Creio, sem medo de exagerar, que a vitória de Lula representou uma reviravolta, um “turning point” nessa tendência, o qual está inspirando as forças progressistas e democráticas, não apenas no Brasil e na América Latina, mas em todo o planeta.
A vitória de Lula abriu o caminho da esperança, fundamentado nas mobilizações populares, em substituição ao caminho estéril e contraproducente da exploração política do ressentimento e do ódio.
Resgatou do chão das ruas e dos tetos digitais a política e a democracia.
Porém, essa luta apenas começou. Lançamos a semente, mas ela precisa germinar.
Recomeça, agora renovada, em um patamar histórico mais elevado, o que Gramsci chamava de luta pela contra-hegemonia.
A luta para se impor, na disputa pacífica dos valores, da cultura e do intelecto, à hegemonia dos que apostam na desigualdade, nos ressentimentos, na antipolítica e no autoritarismo.
Só conseguiremos governar se aprofundarmos essa luta fundamental.
O combate da esperança contra o ódio continua. Mas a vitória de Lula e do povo brasileiro abriu uma porta mundial que não será mais fechada. E os fujões e criminosos pularam por uma janela que se cerrou.
Vencemos. Venceremos.



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