Influenciadora trans brasileira é presa no Egito acusada de assédio e insinuações sexuais
247 – A influenciadora brasileira Mariana Alves, conhecida nas redes sociais como Malévola Alves, foi detida nesta terça-feira (20) em Alexandria, no Egito, juntamente com a amiga Bruna Tivo, após a divulgação de vídeos gravados em espaços públicos da cidade. As autoridades egípcias alegam que as imagens apresentam insinuações sexuais e comportamentos classificados como assédio. As duas brasileiras são mulheres trans.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, o Ministério do Interior do Egito confirmou a detenção e informou que o caso foi encaminhado à Promotoria Pública. De acordo com a versão oficial, as influenciadoras teriam produzido e divulgado os vídeos com o objetivo de aumentar o número de visualizações em suas redes sociais.
Antes da confirmação pelas autoridades, Malévola utilizou o Instagram para relatar a abordagem policial e pedir ajuda aos seguidores. Ela afirmou que os agentes interromperam um passeio, recolheram os passaportes das duas brasileiras e as conduziram a uma delegacia.
“Estamos na delegacia, estamos desesperadas. Eu não sei o que vai acontecer ou o que vão fazer com a gente. Pegaram todos nossos passaportes e pararam nossa van no meio do passeio”, escreveu a influenciadora em uma publicação nos Stories do Instagram.
O relato também aponta que os policiais fizeram perguntas sobre a identidade de gênero das duas mulheres. Malévola demonstrou preocupação com a situação e afirmou não saber quais medidas seriam adotadas pelas autoridades egípcias.
Governo egípcio acusa brasileiras de produzir conteúdo sexual
Em comunicado divulgado na terça-feira, o Ministério do Interior egípcio apresentou sua versão sobre a ocorrência. Segundo o órgão, as duas turistas foram identificadas depois que vídeos publicados nas redes sociais passaram a circular.
As autoridades afirmam que as gravações mostram comportamentos considerados inadequados pelas normas locais, incluindo insinuações sexuais dirigidas a pessoas que transitavam pelas ruas de Alexandria.
O ministério classificou parte do material como “exibição pornográfica” e também mencionou supostos episódios de assédio. Essas classificações fazem parte da acusação apresentada pelas autoridades e não representam uma conclusão judicial sobre a conduta das brasileiras.
Ainda segundo o comunicado, as duas teriam admitido que gravaram e divulgaram os vídeos para ampliar o alcance de suas publicações. O governo egípcio informou que foram adotadas medidas legais e que o procedimento foi encaminhado à Promotoria Pública, responsável pela análise do caso.
Brasileiras relatam questionamentos sobre identidade de gênero
Um dos pontos destacados por Malévola em seu relato foi a abordagem dos policiais em relação à identidade de gênero das turistas.
De acordo com a influenciadora, os agentes fizeram perguntas sobre o fato de ambas serem mulheres trans durante a condução à delegacia. O episódio ocorreu em um país onde pessoas LGBTQIA+ enfrentam restrições e denúncias recorrentes de discriminação e repressão.
Embora o Egito não tenha uma legislação que criminalize expressamente todas as relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo, dispositivos legais relacionados à moralidade pública e à chamada devassidão são utilizados em processos contra pessoas LGBTQIA+.
No caso das brasileiras, entretanto, o comunicado divulgado pelo Ministério do Interior atribuiu a detenção ao conteúdo dos vídeos e às alegações de comportamento sexual inadequado em espaços públicos. Não há, nas informações divulgadas, confirmação de que tenham sido formalmente acusadas em razão de sua identidade de gênero.
Caso é encaminhado à Promotoria Pública
A detenção ocorreu em Alexandria, uma das principais cidades egípcias, localizada na costa do Mediterrâneo e conhecida por sua importância histórica e turística.
Após a abordagem, as duas brasileiras foram levadas à delegacia, onde permaneceram sob a responsabilidade das autoridades locais. O Ministério do Interior confirmou o encaminhamento do caso à Promotoria Pública, mas não detalhou quais acusações formais poderiam ser apresentadas.
Também não foram divulgadas, nas informações disponíveis, decisões judiciais sobre a situação das influenciadoras ou eventual autorização para que deixem o país.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após o pedido de ajuda publicado por Malévola, que demonstrou temor diante da retenção dos documentos e da incerteza sobre os procedimentos legais.
Até o momento das informações divulgadas pela reportagem original, não havia confirmação de soltura das brasileiras nem detalhes sobre eventual assistência consular prestada pela representação diplomática do Brasil no Egito.



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