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Câncer de pulmão do Papa Leão XIV: entenda a doença e os tratamentos

14.10.2026 9 min read

247 – O adenocarcinoma de pulmão, tipo de câncer que os médicos diagnosticaram no Papa Leão XIV, de 71 anos, surge a partir de células com características glandulares presentes no tecido pulmonar e pode crescer sem provocar sintomas nas fases iniciais. A doença representa uma das formas mais frequentes de câncer pulmonar e pode afetar tanto fumantes quanto pessoas que nunca consumiram tabaco. De acordo com o Vatican News, o pontífice passou por uma cirurgia nesta terça-feira (13), no Hospital Gemelli, em Roma, na Itália, para retirar o lobo inferior do pulmão direito. Os médicos confirmaram a presença do tumor durante o procedimento, que transcorreu sem complicações.

Conforme boletim médico divulgado pelo Vaticano, a operação durou aproximadamente 90 minutos, embora Leão XIV tenha permanecido cerca de três horas na sala cirúrgica. A equipe utilizou uma técnica videoassistida para remover a região afetada.

Após a intervenção, o Papa despertou normalmente e retornou ao quarto para iniciar a recuperação. A previsão inicial indica cerca de uma semana de internação. O comunicado não informou o estágio do câncer, informação que orientará a avaliação sobre a necessidade de tratamentos complementares.

O diagnóstico ocorreu depois que exames de rotina identificaram um nódulo no pulmão. A equipe médica suspeitou da presença de um tumor antes da cirurgia, mas a análise histológica do tecido retirado confirmou o adenocarcinoma.

O pontífice havia comunicado aos fiéis, no domingo (11), que os médicos encontraram uma alteração pulmonar em fase inicial e recomendaram a retirada cirúrgica.

O que é o adenocarcinoma de pulmão?

O adenocarcinoma integra o grupo dos cânceres de pulmão de células não pequenas, que reúne a maior parte dos tumores malignos do órgão.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os médicos dividem os cânceres pulmonares em dois grupos principais: os de pequenas células e os de células não pequenas.

Os tumores de pequenas células costumam apresentar crescimento acelerado e maior tendência à disseminação. Já os de células não pequenas abrangem diferentes subtipos, entre eles o adenocarcinoma, o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de grandes células.

O adenocarcinoma surge a partir de células com características glandulares e representa aproximadamente 40% dos diagnósticos de câncer de pulmão, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

Esse tipo de tumor costuma surgir nas regiões periféricas dos pulmões, próximas às estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico.

Uma das características que dificultam sua identificação é a possibilidade de crescimento sem manifestações clínicas durante parte de sua evolução. Por essa razão, exames de imagem podem revelar alterações antes do aparecimento de sintomas.

Quais são as principais causas do câncer de pulmão?

O tabagismo representa o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer pulmonar.

A fumaça do cigarro contém milhares de substâncias químicas, incluindo compostos capazes de provocar alterações no material genético das células.

A exposição prolongada aumenta a possibilidade de surgimento de tumores. O risco também cresce conforme a quantidade de cigarros consumidos e o tempo de tabagismo.

O uso de charutos, cigarrilhas e cigarros de palha também eleva o risco de câncer.

A doença, entretanto, não atinge exclusivamente fumantes. Pessoas que nunca utilizaram produtos derivados do tabaco também podem desenvolver adenocarcinoma pulmonar.

Entre os fatores associados estão a exposição à fumaça de terceiros, a poluição atmosférica, o gás radônio e o contato prolongado com substâncias presentes em determinados ambientes de trabalho.

O amianto, a sílica, o arsênio, o cádmio, o cromo e as partículas provenientes da combustão de diesel integram o conjunto de agentes que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Histórico familiar e doenças pulmonares crônicas também entram na avaliação médica dos fatores de risco.

O contato simultâneo com diferentes substâncias cancerígenas pode ampliar o perigo, especialmente entre pessoas que fumam.

Quais são os sintomas do adenocarcinoma de pulmão?

O câncer pulmonar pode evoluir sem sinais perceptíveis, sobretudo quando o tumor permanece restrito a uma região periférica do pulmão.

À medida que a doença avança, alguns pacientes apresentam tosse persistente, falta de ar, dor no tórax e alterações na respiração.

A presença de sangue no escarro também pode ocorrer. Outros sinais incluem rouquidão, chiado, infecções respiratórias recorrentes, cansaço e perda de peso sem causa aparente.

Quando o câncer compromete outras estruturas do organismo, os sintomas dependem da localização das lesões.

Tumores que atingem os ossos podem provocar dor. O comprometimento do sistema nervoso pode causar manifestações neurológicas, conforme a área afetada.

A ausência de sintomas não exclui a presença de câncer, assim como a existência desses sinais não confirma, por si só, um diagnóstico oncológico.

No caso de Leão XIV, o Vaticano informou que exames de rotina identificaram o nódulo antes da intervenção cirúrgica.

Como os médicos identificam o adenocarcinoma?

A investigação geralmente começa com exames de imagem, como radiografia ou tomografia computadorizada do tórax.

Esses procedimentos permitem localizar nódulos, identificar alterações no tecido pulmonar e avaliar suas características.

A confirmação exige a análise de células ou fragmentos do tumor. Os profissionais podem obter esse material por biópsia, broncoscopia ou durante uma cirurgia.

Na broncoscopia, o médico introduz um instrumento pelas vias respiratórias para examinar estruturas internas e, quando necessário, coletar amostras.

Os patologistas analisam o tecido para identificar as características celulares e estabelecer o subtipo de câncer.

O diagnóstico também pode envolver testes moleculares, que investigam alterações genéticas capazes de orientar o uso de medicamentos específicos.

Exames como PET-CT e ressonância magnética ajudam a determinar a extensão da doença e a verificar se o tumor atingiu outros órgãos.

No caso do Papa, o Vaticano informou que a análise histológica realizada durante a cirurgia confirmou o adenocarcinoma pulmonar.

Como funciona o tratamento do adenocarcinoma de pulmão?

Os especialistas definem o tratamento de acordo com a localização do tumor, sua extensão, as características moleculares e as condições clínicas do paciente.

A cirurgia constitui uma das principais alternativas para tumores que permanecem restritos ao pulmão e apresentam possibilidade de retirada.

A lobectomia, procedimento realizado em Leão XIV, consiste na remoção de um dos lobos pulmonares.

O pulmão direito possui três lobos, enquanto o esquerdo apresenta dois. A retirada de uma dessas estruturas busca eliminar a região comprometida pelo tumor.

No procedimento realizado no pontífice, os médicos removeram o lobo inferior direito por meio de cirurgia videoassistida.

Essa técnica utiliza instrumentos e uma câmera introduzidos por pequenas incisões, permitindo que a equipe visualize as estruturas internas durante a operação.

Em determinadas situações, o tratamento pode exigir a retirada de apenas um segmento pulmonar ou, em casos mais extensos, de uma porção maior do órgão.

A possibilidade de cirurgia depende de fatores como o tamanho do tumor, sua localização, a função respiratória e a existência de disseminação da doença.

Quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo

A retirada cirúrgica nem sempre encerra o tratamento do câncer de pulmão.

Em determinados casos, os médicos recomendam quimioterapia após a operação para combater células cancerígenas que possam permanecer no organismo e reduzir o risco de recidiva.

A quimioterapia utiliza medicamentos que interferem na multiplicação celular e podem atuar contra tumores em diferentes regiões do corpo.

A imunoterapia representa outra possibilidade. Essa modalidade utiliza medicamentos que estimulam mecanismos de defesa do organismo a reconhecer e combater células cancerígenas.

As terapias-alvo, por sua vez, atuam sobre alterações moleculares específicas presentes em determinados tumores.

O adenocarcinoma pode apresentar modificações genéticas que orientam a escolha desses medicamentos. Por isso, a análise molecular desempenha papel relevante na definição do tratamento.

A radioterapia também integra as opções terapêuticas. Em pacientes que não podem passar por cirurgia, técnicas de radiação de alta precisão podem oferecer controle da doença, especialmente em determinados tumores iniciais.

Nos estágios avançados, os médicos podem combinar diferentes modalidades para controlar o crescimento do câncer, prolongar a sobrevida e reduzir sintomas.

Os cuidados paliativos também podem integrar o acompanhamento desde o diagnóstico, com medidas destinadas ao controle da dor, da falta de ar e de outros problemas associados à doença.

Quais são as chances de cura do adenocarcinoma?

O estágio do câncer constitui um dos principais elementos para avaliar o prognóstico.

Os médicos utilizam um sistema que considera o tamanho e a extensão do tumor, o comprometimento dos linfonodos e a presença de metástases.

A classificação reúne quatro estágios principais, com subdivisões que permitem uma avaliação mais precisa.

No estágio 1, o câncer permanece localizado e apresenta maiores possibilidades de tratamento com objetivo curativo.

No estágio 2, o tumor pode apresentar maior extensão ou comprometer determinados linfonodos próximos.

No estágio 3, a doença apresenta comprometimento regional mais amplo, embora ainda possa permitir estratégias de tratamento com intenção curativa em parte dos pacientes.

O estágio 4 corresponde à presença de metástases, quando células cancerígenas alcançam órgãos ou regiões distantes do local de origem.

O oncologista Stephen Stefani, da Americas Health Foundation, explica que as perspectivas mudam de maneira significativa conforme o avanço da doença.

Segundo o especialista, alguns pacientes com câncer pulmonar em estágio 1A podem alcançar taxas de cura superiores a 90%. No estágio 2, as estimativas mencionadas pelo médico variam entre 50% e 60%, enquanto determinados quadros de estágio 3 apresentam resultados próximos de 25%.

Nos casos de estágio 4, Stefani aponta índices de sobrevivência em cinco anos inferiores a 10%, embora os resultados possam variar conforme o subtipo e os tratamentos disponíveis. Esses números são estimativas gerais e não permitem calcular o prognóstico individual do Papa.

A identificação precoce amplia as possibilidades de intervenção, mas fatores como idade, condições clínicas, alterações moleculares e resposta ao tratamento também influenciam a evolução.

O que ainda falta esclarecer sobre o diagnóstico de Leão XIV?

O Vaticano confirmou a presença de adenocarcinoma pulmonar e informou que a cirurgia ocorreu sem complicações.

O boletim médico, entretanto, não apresentou o estadiamento definitivo do câncer.

Essa informação é necessária para determinar a extensão da doença e avaliar se o pontífice precisará de quimioterapia, imunoterapia ou outra modalidade terapêutica depois da recuperação cirúrgica.

A análise do material retirado durante a operação pode trazer informações sobre o tamanho do tumor, suas características microscópicas e eventuais alterações moleculares.

Os resultados também ajudam os especialistas a avaliar o risco de retorno da doença e a necessidade de tratamentos adicionais.

A descoberta do nódulo durante exames de rotina e a possibilidade de retirada cirúrgica representam informações relevantes sobre o caso, mas não permitem estabelecer, isoladamente, a probabilidade de cura.

Como funciona o acompanhamento depois da cirurgia?

Mesmo após a retirada do tumor, pacientes com câncer de pulmão precisam manter acompanhamento médico para identificar possíveis recidivas e avaliar a recuperação respiratória.

O monitoramento inclui consultas, exames clínicos e tomografias, conforme o estágio da doença e o tratamento realizado.

Nos primeiros anos, os profissionais costumam adotar intervalos menores entre as avaliações, porque esse período concentra parte importante dos riscos de retorno do câncer.

Com o passar do tempo, a frequência dos exames pode diminuir, de acordo com as características do paciente e as recomendações da equipe responsável.

O acompanhamento também permite investigar o surgimento de outros tumores pulmonares e identificar efeitos tardios dos tratamentos.

No caso de Leão XIV, o Vaticano prevê aproximadamente uma semana de internação após a cirurgia no Hospital Gemelli. A definição dos próximos passos dependerá da recuperação do pontífice e dos resultados dos exames que permitirão à equipe médica estabelecer o estágio definitivo do adenocarcinoma.

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