“Quem vigia o vigia? O Senado”, diz Jorge Seif em defesa de reformas no STF
247 – O senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu nesta quarta-feira (7), diante do avanço expressivo do PL e de outras forças de direita nas eleições, um maior protagonismo do Senado na fiscalização da conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O PL terá a segunda maior bancada de um partido no Senado desde a redemocratização, após eleger 19 senadores. Pelos cálculos de Seif, a direita como um todo terá 51 assentos na Casa Alta.
Durante almoço promovido pelo Esfera Brasil na Casa ParlaMento, em Brasília (DF), Seif avaliou que o resultado das urnas revela um desejo de mudança por parte da população e afirmou que o Senado, tradicionalmente ocupado por políticos mais experientes, tornou-se mais jovem e representativo.
“O Senado se rejuvenesceu, ficando menos sênior e mais jovem”, avaliou Seif. “A nova bancada é comprometida com aquilo que dá certo no Brasil, as grandes pautas que movem o Brasil, como a liberdade, menos burocracia, e a segurança pública”, defendeu Seif.
“O Brasil está mudando, e o Senado mudou”, pontuou Seif.
Segundo o senador, a nova composição da Casa tende a resultar em uma legislatura com maior capacidade de entrega e também “menos subserviente” não apenas ao Supremo, mas à própria Câmara dos Deputados.
“Temos que ter uma agenda própria”, afirmou Seif. Ao mesmo tempo, ele frisou que não cabe ao Executivo, independentemente de quem vença as eleições no segundo turno, conduzir reformas relacionadas ao STF. “A investigação do Suprema não passaria pelo Flávio Bolsonaro, e sim pelo Senado”, afirmou, projetando a vitória no segundo turno do candidato do PL à presidência.
Nesse contexto, Seif defendeu uma separação efetiva entre os Poderes. “Quem vigia o vigia? O Senado da República. Precisamos separar os Poderes”, afirmou.
Na avaliação do senador, a autocontenção do Judiciário, que, em tese, deveria atuar livre de interesses externos, “nunca chegou”, cenário que, segundo ele, ficou evidenciado pelos inúmeros escândalos de corrupção envolvendo magistrados revelados ao longo do último ano.
“Por exemplo, o ministro Alexandre de Moraes cometeu diversos crimes. É uma pessoa que não tem moral para julgar”, afirmou Seif.
Para o parlamentar, uma reforma do Judiciário deve ocorrer inteiramente “dentro de um processo legal”. Nesse sentido, ele rejeitou a interpretação de que a direita seria movida por um sentimento de vingança.
“Não trataria como revanchismo, e sim como justiça e responsabilização”, afirmou Seif.
A “hipertrofia” do Supremo, como classificou Seif, foi o maior cabo eleitoral da direita nas eleições. “Houve algo inédito nessas eleições, que foi o STF sendo capa de jornal. O STF foi o maior cabo eleitoral dos senadores de direita”, afirmou.
Além das pautas de fiscalização do STF e da segurança pública, Seif elencou algumas das prioridades da próxima legislatura do Senado: “Segurança jurídica, responsabilidade fiscal, ambiente de negócios favorável, a questão de infraestrutura urgente, competitividade e modernização do Estado”.
O senador também defendeu que, para assegurar a efetividade dessas propostas, o senador Rogério Marinho (PL-RN), caso não integre o Executivo em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, seja eleito presidente do Senado.
“A presidência do Senado vai mudar”, afirmou Seif, ao criticar a condução do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), especialmente em relação ao avanço acelerado da proposta que prevê o fim da chamada escala 6×1 de trabalho.
“Não queremos disputas ideológicas, e sim pautas produtivas”, frisou Seif.


Filha da fé: um chamado para novos tempos
Brasil Bom de Bozo – 3
Flávio virou 711 municípios de Lula: a crise no campo e a perda de perspectivas nas cidades
Feminicídio, pautas de costumes e “esquerda radical”: a nova guerra cultural no Brasil