Centrão marca reunião sobre reforma política após o 2º turno
247 – Lideranças de partidos do Centrão estão articulando mudanças nas regras eleitorais para deputados federais com o objetivo de preservar sua influência no Congresso Nacional e limitar o crescimento de legendas como o PL. Uma nova reunião foi marcada para 28 de outubro, três dias depois do segundo turno das eleições de 2026, para discutir propostas de reforma política que podem alterar significativamente a composição da Câmara dos Deputados nos próximos pleitos.
Segundo informações da jornalista Larissa Rodrigues, da CNN Brasil, a principal alternativa em discussão é a substituição do atual sistema proporcional pelo modelo distrital misto. A movimentação ocorre diante da perspectiva de ampliação da bancada do PL na próxima legislatura, impulsionada pelo desempenho de candidatos com grande capacidade de atrair votos.
A articulação busca, sobretudo, reduzir o impacto dos chamados “puxadores de votos”, candidatos que recebem votações expressivas e ajudam a eleger outros integrantes de suas legendas. No sistema proporcional atualmente adotado, os votos recebidos pelos candidatos e pelas siglas contribuem para determinar o número de cadeiras conquistadas por cada partido ou federação.
Esse mecanismo favorece legendas capazes de concentrar grandes quantidades de votos em determinadas candidaturas, permitindo que outros nomes da mesma composição partidária sejam eleitos mesmo com desempenho individual inferior ao de adversários de outras siglas.
A preocupação das lideranças do Centrão é que esse fenômeno contribua para ampliar a representação do PL na Câmara a partir de 2027, reduzindo o espaço parlamentar de partidos que tradicionalmente exercem influência nas negociações legislativas.
Distrital misto ganha força entre dirigentes partidários
Entre as propostas examinadas, o sistema distrital misto é o que reúne maior apoio neste momento, embora ainda enfrente resistências dentro do próprio Centrão.
Pelo modelo em discussão, os estados seriam divididos em distritos eleitorais. Metade das cadeiras destinadas a cada unidade da Federação seria preenchida pelos candidatos mais votados nesses territórios, enquanto a outra metade seria distribuída por meio de listas partidárias.
Na prática, o sistema combinaria a escolha direta de representantes por regiões geográficas com a participação dos partidos na definição dos nomes que ocupariam parte das vagas.
A mudança alteraria a lógica das disputas para a Câmara, hoje organizadas a partir da votação proporcional obtida por partidos e federações em cada estado.
O apoio de presidentes de legendas é um dos fatores que fortalecem a proposta. O modelo permitiria às direções partidárias exercer maior influência sobre a composição das bancadas, especialmente na parcela das vagas preenchidas pelas listas.
Outro elemento considerado favorável pelos defensores da mudança é a possibilidade de implementar o novo sistema por meio de um projeto de lei, sem a necessidade de aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC).
Parte do Centrão defende adoção do distritão
Apesar do avanço das discussões sobre o distrital misto, não existe consenso entre os partidos envolvidos na articulação.
Uma parcela dos parlamentares prefere o chamado “distritão”, sistema em que são eleitos os candidatos individualmente mais votados, sem a transferência de votos entre integrantes de uma mesma legenda.
Nesse formato, a votação pessoal de cada candidato seria determinante para a conquista de uma cadeira, eliminando o mecanismo proporcional que atualmente permite aos partidos eleger representantes com base na soma dos votos recebidos.
A alternativa, entretanto, enfrenta obstáculos políticos. Um dos principais argumentos contrários ao distritão é o risco de redução ainda maior da representação de partidos pequenos, que poderiam encontrar dificuldades para eleger deputados sem a possibilidade de somar os votos de suas candidaturas.
Essa preocupação contribui para que o distrital misto seja considerado, neste momento, uma opção com melhores condições de reunir apoio entre as lideranças partidárias.
Projeto apresentado em 2019 pode servir de base para mudança
As negociações também encontram respaldo em uma proposta legislativa que já tramita na Câmara dos Deputados.
O projeto foi apresentado em 2019 por Domingos Sávio, atualmente filiado ao PL e eleito senador, segundo a CNN Brasil. A iniciativa recebeu apoio de parlamentares, especialmente de integrantes do Republicanos e do PSD.
A existência de uma proposta em tramitação pode facilitar o encaminhamento das discussões, caso as direções partidárias consigam construir um acordo sobre o modelo a ser adotado.
Ainda assim, as divergências entre os defensores do distrital misto e os parlamentares favoráveis ao distritão indicam que a articulação dependerá de novas negociações.
A reunião de 28 de outubro deverá ocorrer em um momento decisivo para a reorganização das forças políticas no Congresso, quando os partidos já conhecerão o resultado completo das eleições presidenciais e a composição das bancadas eleitas para a próxima legislatura.
O encontro poderá definir os próximos passos da articulação e indicar se haverá condições políticas para avançar com uma proposta capaz de modificar as regras de eleição dos deputados federais.
A discussão também envolve o calendário de implementação de eventuais mudanças. Pela regra constitucional da anualidade eleitoral, alterações no processo eleitoral precisam estar em vigor pelo menos um ano antes da eleição para que possam ser aplicadas ao pleito.



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