Reeleição de Jair Bolsonaro seria um desastre
Reeleição de Jair Bolsonaro? Sim.
A virtual eleição de Tariflávio seria, na realidade, a mera reeleição de Jair Bolsonaro, o chefão do clã miliciano bolsonarista.
Tariflávio, como todos sabem, só está na disputa presidencial porque foi ungido pelo chefão e pai para representá-lo. Tariflávio está na disputa apenas porque tem o “sangue” de Jair Bolsonaro. É assim que as sucessões se resolvem nas monarquias e nas máfias.
Não fosse o filho do chefão, Tariflávio não seria candidato nem a síndico de condomínio de milícias.
É uma total nulidade. Um vácuo de carisma, talento e propostas, que nada tem a oferecer ao Brasil e ao seu povo.
Caso eleito Tariflávio, quem vai mandar efetivamente no país será o velho e carcomido Jair Bolsonaro, o pior presidente da história do Brasil. E o fará, provavelmente, de dentro de sua prisão domiciliar. Será a primeira vez que o Brasil será governado por um criminoso efetivamente condenado, após devido processo legal e amplo direito à defesa, de dentro de uma cadeia.
E não vale fazer comparações com Lula porque Lula só concorreu depois de que foi inocentado pela segunda turma do STF porque se reconheceu que, no seu caso, havia total falta de provas e porque o seu juiz, o infame Moro, demonstrou claro e comprovado viés político.
Jair, ao contrário, foi condenado, em definitivo, cumpridos todos os trâmites legais, com abundância de provas concretas e demolidoras. Provas essas que não poderão ser simplesmente apagadas com anistias oportunistas e falaciosas.
Assim, caso Tariflávio seja eleito, teremos um comprovado gangster na presidência da República. O próprio Tariflávio é também um miliciano que tem contra si evidências abundantes de ilícitos e crimes. Só que ainda não houve tempo para condená-lo, como merece. Mas as suas ligações sujas com Vorcaro e as milícias do Rio de Janeiro são evidentes e inegáveis.
Tariflávio, se eleito, fará o que o chefão Jair mandar e o chefão Jair, por sua vez, fará o que o grande chefão Trump ordenar. A linha de comando já foi firmemente estabelecida pela Doutrina Donroe.
E, assim como o segundo governo Trump está sendo pior que o primeiro, o eventual segundo governo de Jair Bolsonaro será um desastre pior que o primeiro.
Para começo de conversa, perderíamos quaisquer vestígios de soberania. Com toda certeza, nossos principais recursos estratégicos, inclusive os minerais críticos, já foram prometidos pelo clã Bolsonaro ao governo Trump. Lembre-se de que Tariflávio chegou ao cúmulo de oferecer a Marco Rubio um lugar para estadunidenses na sua “equipe de transição”, uma evidente traição à pátria e uma clara ilegalidade.
O governo dos EUA já deixou claro que quer mudanças no Pix, que quer que o Brasil aceite as decisões das cortes estadunidenses sobre as Big Techs e que considera imprescindível que o Brasil abra sua economia aos bens e serviços dos EUA sem quaisquer contrapartidas efetivas.
Lula negou, mas o clã Bolsonaro já prometeu fazer a tarefa suja de nos tornar uma espécie de neocolônia sem futuro viável.
O setor financeiro e rentista brasileiro pode não se incomodar muito com isso, mas aqueles que produzem efetivamente no Brasil deveriam ter uma imensa preocupação com essa perspectiva destruidora.
Mas tem também o caso da prometida “motosserra”, uma insanidade que nos igualaria ao “anarquista” Milei, que segue os conselhos econômicos de Conan, o seu falecido mastim inglês, o qual, por motivos que desconhecemos, odeia Lorde Keynes e o bom senso.
O governo Lula tem total compromisso com a responsabilidade fiscal e com a queda gradual da dívida. Tem propostas racionais e viáveis para isso.
Porém, “motosserra” a lá Milei seria suicídio económico e social.
Os cortes orçamentários drásticos, prometidos pelo clã Bolsonaro, implicariam, necessariamente, em cortes ou mesmo supressões de programas como o do Bolsa Família, do BPC, da Previdência, da saúde pública, do ensino público etc., prejudicando fortemente o bem-estar da população que mais depende desses programas e desses serviços públicos.
Num país ainda tão desigual como o Brasil, isso seria uma crueldade desnecessária e um crime contra a população.
Ademais, de forma muito provável, a “motosserra” provocaria uma recessão, diminuindo a arrecadação e agravando o problema, em vez de tentar resolvê-lo com racionalidade.
Contudo, o problema maior tange à democracia.
Trump, ao final de seu primeiro governo, tentou dar um golpe. Fracassou. Não obstante, agora, em seu segundo governo, ele está tentando implantar uma verdadeira autocracia nos EUA. Destruindo a democracia estadunidense por dentro. Todos os analistas políticos sérios fazem essa avaliação trágica.
Da mesma forma, Jair Bolsonaro, o chefão do clã e um títere de Trump, tentou dar um golpe ao final do seu primeiro governo. Como Trump, seu ídolo, fracassou.
Mas será que alguém duvida que, em um eventual segundo governo, o clã Bolsonaro não intentaria implantar uma autocracia no Brasil? Não atentaria contra os direitos básicos? Não intentaria controlar o Legislativo e o Judiciário, de modo a suprimir a separação entre os poderes?
Alguém é realmente tolo o suficiente para achar que o clã Bolsonaro e seu chefão seriam “controláveis” em um ambiente democrático?
Como já escrevi em artigo anterior: fascismo não se controla; se combate.
O caminho para a autocracia, que não passa de uma ditadura disfarçada, pode ser um caminho sem volta.
Em 1964, os civis entregaram o poder aos militares com a promessa de que o teriam de volta em poucos meses. Amargamos mais de duas décadas de ditadura, que matou, que prendeu, que fez desaparecer, que exilou, que torturou, que censurou, que aboliu o habeas corpus e outros direitos fundamentais, que acabou com as eleições livres, que reprimiu toda forma de expressão.
Vivemos tempo demasiado sob uma bruma sombria de medo e de incerteza.
Anos mais tarde, em 2018, Bolsonaro, o admirador do torturador Ustra, prometeu governar “dentro das margens das 4 linhas constitucionais”. Mas, ao final, como restou comprovado, “chutou o pau das barracas militares” e tentou dar um golpe, que teria assassinado brasileiros iminentes, como Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, entre outros, e devolvido o país às trevas e às cloacas.
Não aprendemos nada? Nossa memória é tão curta e seletiva? Teria razão Hegel, que dizia que a única coisa que a História nos ensina é que os homens nada aprendem com ela?
Não bastou a ditadura militar? Não bastou o primeiro governo do clã Bolsonaro, que, além de tudo, foi responsável por centenas de milhares de mortes na pandemia? Não bastou a volta da fome? O congelamento do salário-mínimo? O desemprego? A queda dos rendimentos? Não bastou a fila do osso? Não bastou o isolamento internacional? Não bastaram o negacionismo climático e os incêndios na Amazônia? Não bastaram os “chiqueirinhos” para a imprensa? As doses de cloroquina não foram suficientes?
Como diz o provérbio estadunidense: “fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me”. Me engane uma vez e a culpa é sua. Me engane duas vezes e a culpa é minha.
Se Jair Bolsonaro for reeleito, a culpa será daqueles que, sabendo de todas as informações sobre o clã criminoso, se deixaram enganar mais uma vez por um golpe velho e por um velhaco.
Basta!


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