Netanyahu rejeita retorno de palestinos ao norte da Cisjordânia
247 – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitou o retorno de palestinos deslocados de campos no norte da Cisjordânia e afirmou que manterá o exército na região, além de promover a expansão dos assentamentos. Segundo a agência Prensa Latina, as declarações ocorreram após a Suprema Corte israelense determinar que o governo apresentasse um cronograma das medidas necessárias para permitir a volta dos moradores de três campos.
A Prensa Latina informou que Netanyahu se pronunciou durante uma visita à chamada zona de fronteira, entre Israel e os territórios palestinos ocupados. O discurso foi registrado em vídeo e reproduzido por veículos israelenses, entre eles o jornal Israel Hayom.
Desde o início de 2025, forças israelenses impedem milhares de palestinos retirados desses locais de voltar às suas casas. A determinação judicial, emitida no domingo, também orientou o governo a estudar mecanismos para acelerar o retorno dos deslocados.
Ao abordar as operações militares no campo de Tulkarem, Netanyahu descreveu o local como um “antigo bastião do terrorismo” e elogiou a atuação das tropas israelenses. O primeiro-ministro classificou os moradores como sabotadores e descartou permitir sua volta.
A posição anunciada pelo chefe de governo contrasta com a determinação da Suprema Corte para que sejam apresentadas as etapas necessárias ao retorno. Em seu pronunciamento, Netanyahu reafirmou que o exército permanecerá na área, sem anunciar um prazo para encerrar essa presença.
O premiê também rejeitou a possibilidade de forças militares árabes atuarem a oeste do rio Jordão. Afirmou que Israel manterá o controle territorial entre o rio e o Mar Mediterrâneo e que seu governo continuará a expandir os assentamentos.
Outro ponto do discurso foi a hipótese de as forças de segurança palestinas na Cisjordânia voltarem suas armas contra Israel. Netanyahu classificou esse cenário como um possível “golpe armado” e disse que o exército israelense preparou um plano de resposta. Também advertiu seus adversários a não testarem a capacidade militar do país.
As declarações integram o debate político israelense sobre o futuro da Cisjordânia. No fim de setembro, Avigdor Lieberman, líder do partido de oposição de direita Yisrael Beiteinu, provocou controvérsia ao defender um acordo para que a Jordânia assumisse responsabilidades administrativas e de segurança nas Áreas A e B do território.
Lieberman apresentou a proposta sob a expressão “confederação israelense-jordaniana”. A iniciativa envolve duas das três áreas estabelecidas pelos Acordos de Oslo II, assinados em 1995 por Israel e pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
Essa divisão atribuiu diferentes responsabilidades civis e de segurança às autoridades israelenses e palestinas. A Área A ficou sob controle civil e de segurança palestino, enquanto a Área B passou à administração civil palestina, com participação israelense na segurança. A Área C, que corresponde a aproximadamente 60% da Cisjordânia, permaneceu sob controle israelense.
Segundo a Prensa Latina, o pronunciamento de Netanyahu ocorre durante a campanha para as eleições do Parlamento israelense, previstas para 27 de outubro. A disputa se desenvolve sob os efeitos das operações israelenses na Faixa de Gaza, iniciadas em outubro de 2023, e da continuidade das ações militares nos territórios palestinos ocupados.



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