Com Petrobras na mira da privatização, Sachsida atropela concorrentes e vira favorito para comandar economia bolsonarista
Correndo por fora, o economista e advogado Adolfo Sachsida chega à reta final da eleição presidencial atropelando os seus concorrentes ao cargo de ministro da Fazenda, na hipótese infeliz de o candidato bolsonarista vencer a eleição. As chances da administradora Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e do economista Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse, caíram por terra após mensagens disparadas desde a prisão domiciliar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e por uma declaração específica do candidato Flávio Bolsonaro.
“Vou fazer um ministério padrão Paulo Guedes”, disse Flávio – ou melhor, ameaçou – há poucos dias. O filho falou após uma determinação do pai pela indicação de Sachsida ter sido levada à mídia por diferentes antigos interlocutores do ex-presidente. Bolsonaro ordenou que o economista que atuou em cargos estratégicos do primeiro ao último dia do seu governo seja o chefe da área econômica se Flávio vencer. Advogado a serviço do ex-presidente preso e ex-secretário de Política Econômica na gestão de Guedes no Ministério da Economia, Sachsida tem um plano iniciado de privatização da principal companhia estatal do Brasil, a Petrobras.
Como ministro das Minas e Energia no final da gestão de Bolsonaro, Sachsida obteve o aval do então presidente, às vésperas da eleição de 2022, para vender a estatal ao mercado. O pretexto era o de aumentar a competição no setor de óleo e gás, visando uma redução no preço dos combustíveis, ponto de desgaste político para Bolsonaro.
“Nós iríamos privatizar a Petrobras se o presidente Bolsonaro ganhasse a eleição”, disse Sachsida ao Estadão, em entrevista de setembro de 2023. “Já estávamos preparando a privatização da Petrobras dentro do governo”, revelou, adiantando que o processo de venda poderia levar até um ano e meio para se completar. A estatal, que tem chegado ao auge da produção e lucratividade durante o governo Lula, seria entregue ao mercado em fatias. Tudo começaria pela subsidiária Pré-Sal Petróleo S/A, a PPSA.
“O processo de venda da PPSA já estava mais adiantado”, lembrou o economista. “Nós chegamos a enviar ao Congresso um projeto de lei para vender os recebíveis de trinta anos da PPSA, que era uma maneira de privatizar a empresa. Na época, pelos nossos cálculos, isso renderia cerca de R$ 390 bilhões”. Nesse período, Sachsida contou ter checado por mais de uma vez a disposição do então presidente de levar a venda da Petrobras, sempre obtendo o seu aval. “‘Eu quero saber se eu posso falar que nós vamos iniciar os estudos para a privatização da Petrobras’”. Aí, ele respondeu: ‘Pode fazer e vamos em frente’.”
Agora na condição de porta-voz econômico de Flávio Bolsonaro, Sachsida saiu a campo, na semana passada, para negar que a estatal de petróleo será vendida. “Se você está ouvindo esse vídeo e é do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras, saiba de uma coisa: não existirão privatizações de empresas”, disse ele. Acredite quem quiser. O chamado estelionato eleitoral, pelo qual uma campanha projeta um movimento e, em caso de vitória, realiza outro na direção oposta da promessa, está em pleno curso.



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