Hezbollah anuncia programa habitacional para população afetada por agressão israelense no Líbano
247 – O Hezbollah anunciou um programa de auxílio habitacional para famílias que perderam suas casas ou tiveram os imóveis danificados pelos ataques israelenses no Líbano. A iniciativa prevê pagamentos de até US$ 14 mil em Beirute e no subúrbio sul da capital, conhecido como Dahiye, destinados ao aluguel e à reposição de móveis e outros bens domésticos.
De acordo com reportagem da Telesur, famílias atingidas por ataques israelenses receberão apoio para aluguel e reposição de móveis, com pagamentos em quatro parcelas
Chamado “Promessa e Compromisso”, o projeto também atenderá moradores de outras regiões atingidas, onde o benefício poderá chegar a US$ 12 mil por família. Segundo a reportagem, os recursos serão distribuídos em quatro parcelas ao longo de um ano, como resposta às necessidades de moradia da população afetada pela destruição e pelo deslocamento.
Em Beirute e Dahiye, o valor máximo será dividido entre US$ 8 mil para substituir bens domésticos e móveis e US$ 6 mil para despesas com aluguel. Nas demais áreas contempladas, o limite para aluguel será de US$ 4 mil.
A primeira parcela será de US$ 3.500 para os beneficiários da capital e de seus arredores. Para as famílias atendidas no restante do país, o pagamento inicial previsto é de US$ 3 mil.
O programa abrangerá proprietários de imóveis total ou parcialmente destruídos, além de pessoas deslocadas de áreas próximas à fronteira e de regiões que permanecem inacessíveis. Comissões responsáveis pelo levantamento das famílias e dos imóveis atingidos continuam trabalhando em campo para definir o atendimento.
Ao apresentar a iniciativa, o presidente do Conselho Executivo do Hezbollah, xeque Ali Damoush, afirmou que a assistência será oferecida nas diferentes regiões afetadas, independentemente da vinculação política ou religiosa dos beneficiários. Ele descreveu o projeto como um “dever religioso e moral para com nosso povo sacrificado e corajoso”.
Damoush também associou o lançamento do auxílio à reconstrução das comunidades atingidas. Segundo o relato publicado pela teleSUR, o dirigente apresentou a recuperação das moradias como uma resposta à destruição provocada pelos ataques israelenses.
Levantamento registrou mais de 11 mil edifícios destruídos
A dimensão das perdas habitacionais foi detalhada em um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), elaborado em coordenação com o Conselho Nacional Libanês de Pesquisa Científica (CNRS-L) e divulgado em junho.
Até aquele momento, o levantamento contabilizava 11.095 edifícios completamente destruídos, com impacto sobre 17.891 moradias. Outros 2.242 edifícios haviam sofrido danos parciais, afetando 5.219 unidades residenciais.
O relatório também apontava danos menores em 9.311 edifícios, que reuniam 18.282 moradias. A estimativa financeira dos prejuízos apresentada na reportagem era de US$ 1,38 bilhão.
Os números se referem à situação registrada até a elaboração do levantamento. O conjunto dos dados mostra que as necessidades de assistência incluem tanto famílias sem condições de retornar às suas casas quanto moradores de imóveis que precisam de reparos.
Dirigente critica resposta do governo libanês
Durante a apresentação do programa, Damoush criticou a atuação do governo libanês. Segundo ele, as autoridades não haviam apresentado um plano efetivo de socorro aos deslocados nem assumido adequadamente a avaliação dos danos e a reconstrução.
O dirigente também acusou o poder central de manter propostas paradas nas repartições do Executivo e de adotar um discurso que responsabiliza a própria população pela agressão sofrida. Essas afirmações foram apresentadas como críticas de Damoush na reportagem da teleSUR.
Ao abordar o cenário posterior à interrupção das hostilidades em novembro de 2024 e aos acontecimentos que se seguiram, ele defendeu o direito à resistência e pediu ao governo de Beirute uma aproximação nacional por meio do diálogo.
O Hezbollah afirmou que a assistência oferecida pelo “Promessa e Compromisso” não elimina as responsabilidades do Estado libanês no acolhimento dos deslocados e na reconstrução. Enquanto o programa é organizado, as equipes em campo prosseguem com os cadastros necessários para identificar as famílias e as moradias que precisam de atendimento.


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