Deputada dos EUA diz que democratas vão investigar fuga de Flávio Bolsonaro se vencerem midterms
247 – Deputados do Partido Democrata dos Estados Unidos pretendem investigar a atuação do governo de Donald Trump para proteger o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu do Brasil em direção aos Estados Unidos nesta semana, além de apurar a influência da Meta nas eleições brasileiras. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a deputada democrata Pramila Jayapal condicionou a iniciativa ao resultado das eleições legislativas estadunidenses.
“Se vencermos na terça-feira [dia 3, nas eleições de meio de mandato nos EUA], exerceremos nossa função de fiscalização e investigaremos o que o governo Trump e o que a Meta fizeram no Brasil, e faremos tudo ao nosso alcance para apoiar os resultados democráticos das eleições brasileiras e a vontade do povo brasileiro”, disse Jayapal.
Integrante dos comitês Judiciário e de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, a parlamentar está entre os signatários de uma carta enviada na noite de quinta-feira (29) ao secretário de Estado, Marco Rubio, aliado do clã Bolsonaro. O documento foi assinado por outros 24 deputados democratas e solicita explicações sobre “o papel do Departamento de Estado na facilitação da fuga de Flávio do Brasil após o senador ser proibido, pelo Supremo Tribunal Federal, de viajar para o exterior”.
A carta apresenta 15 perguntas a Rubio e estabelece o dia 13 de novembro como prazo para o secretário responder aos questionamentos. Entre os pontos levantados estão a base jurídica para a concessão de vistos ao senador e seus familiares, a eventual consideração das investigações criminais envolvendo Flávio e a possível participação de diplomatas estadunidenses no Equador ou na Argentina no planejamento de sua saída do Brasil.
Democratas veem possibilidade de conquistar maioria na Câmara
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, serão realizadas na terça-feira (3). De acordo com a média de pesquisas compilada pelo RealClearPolling, os democratas aparecem com 51,4% de apoio, contra 43,2% dos republicanos.
Os levantamentos indicam uma possibilidade significativa de os democratas conquistarem a maioria na Câmara dos Representantes. No Senado, a disputa apresenta um cenário mais equilibrado.
Jayapal já havia participado de iniciativas para cobrar esclarecimentos do Departamento de Estado e da Meta sobre medidas que considera interferências no processo eleitoral brasileiro.
“Os Estados Unidos prestam um desserviço terrível e perigoso ao receber e ajudar Flávio Bolsonaro, além de questionar a legitimidade das eleições”, afirmou a deputada.
A parlamentar também criticou as declarações de Trump sobre o processo eleitoral brasileiro. O presidente estadunidense afirmou, sem apresentar provas, que aparentemente houve fraude, reproduzindo acusações sem fundamento feitas pelo candidato derrotado.
Segundo Jayapal, uma eventual vitória democrata na Câmara e no Senado ampliaria as possibilidades de fiscalização das ações do governo Trump. Mesmo que o partido conquiste apenas a maioria na Câmara, a deputada afirma que pretende avançar com as investigações.
“Se tivermos a Câmara e o Senado —mas mesmo que tenhamos apenas a Câmara—, investigaremos essas duas questões [Flávio e Meta] e tentaremos impedir que o governo [Trump] continue a subverter a vontade do Supremo Tribunal Federal do Brasil.”
Jayapal relaciona Trump a questionamentos sobre eleições
A deputada relacionou as manifestações de Trump contra o sistema eleitoral brasileiro à postura adotada pelo presidente dos Estados Unidos diante das eleições em seu próprio país. Trump não reconheceu o resultado do pleito de 2020 e também vem levantando dúvidas sobre a lisura das eleições legislativas de meio de mandato.
“As duas coisas estão totalmente relacionadas. É isso que ele faz quando perde eleições livres e justas. Ele tenta semear dúvidas”, disse Jayapal.
A parlamentar também mencionou a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores de Trump tentaram impedir a confirmação da vitória de Joe Biden.
“Ele incitou uma insurreição para tentar roubar uma eleição [nos ataques ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021], mas foi impedido. Infelizmente, porém, ao contrário do Brasil, nós não o responsabilizamos da mesma forma que o Brasil responsabilizou Bolsonaro pai. E, portanto, acho que vivemos um momento difícil nos Estados Unidos”, afirmou.
Jayapal ainda apontou iniciativas do presidente para restringir o acesso ao voto nas eleições de meio de mandato. Segundo ela, Trump questiona cadastros eleitorais e tenta pressionar estados, inclusive Washington, onde a deputada atua, a deixar de contabilizar votos de determinados eleitores.
“Ele questiona os cadastros eleitorais. Tenta forçar os estados, inclusive o meu, Washington, a não contabilizar os votos de várias pessoas. E tudo isso tem sido feito sem qualquer prova.”
A deputada afirmou que Trump está “exportando seu método” de questionar resultados eleitorais desfavoráveis.
“Ele tenta preparar o terreno para que as pessoas pensem que, se ele perder, é porque a eleição não foi livre. E sabemos que o sistema eleitoral brasileiro é extremamente preciso, e que todas as acusações feitas contra o Brasil são as mesmas que ele vem fazendo aqui nos Estados Unidos.”
Por fim, Jayapal comentou a movimentação de parlamentares republicanos favoráveis à adoção de novas tarifas e sanções contra o Brasil, após pressões do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. A democrata disse não acreditar que a iniciativa consiga apoio suficiente no Congresso. “Acredito firmemente que eles não terão maioria para fazer isso”, afirmou.



O Satã em Miami
A vingança dos demitidos
O que aconteceu no Brasil neste segundo turno das eleições foi algo histórico
O mercado financeiro nunca deixou de ganhar dinheiro com Lula