Polícia de Israel desmente Netanyahu, que acusou partidos árabes de fraude eleitoral
247 – A acusação de que partidos árabes teriam fraudado as eleições parlamentares de Israel, apresentada pelo Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, foi rejeitada pela polícia por falta de evidências. Segundo a emissora i24NEWS, as autoridades afirmaram não haver elementos de investigação ou de inteligência que sustentem a denúncia de manipulação do pleito realizado na terça-feira (27).
Os registros policiais também contrariam a narrativa de irregularidades generalizadas propagada pela legenda. Até a noite de quarta-feira (28), foram recebidas 48 queixas de fraude e uso de identidade falsa em todo o país, contra quase 80 na eleição anterior — queda de aproximadamente 40%. A avaliação das autoridades é que a votação apresentou poucos incidentes relacionados à integridade eleitoral.
Mesmo sem apresentar publicamente provas de uma operação sistemática para adulterar os resultados, o Likud acusou legendas árabes de terem roubado a eleição e exigiu uma investigação da polícia e do Shin Bet, o serviço de segurança interna israelense. Conforme o The Jerusalem Post, as acusações não haviam sido verificadas de forma independente.
Denúncias sem comprovação
O partido de Netanyahu afirmou reunir centenas de depoimentos e outros materiais sobre supostas irregularidades em seções eleitorais de comunidades árabes. Entre as acusações estavam compra de votos, intimidação de mesários, falsificação e uso de programas proibidos para mobilizar eleitores.
A legenda também alegou que haveria envelopes com dinheiro junto a cédulas do Ra’am, além de divergências entre o número de envelopes e a quantidade de votantes. A polícia, porém, informou que seus dados e levantamentos não davam sustentação às alegações apresentadas pelo Likud.
A Comissão Eleitoral Central confirmou o recebimento das reclamações e informou que as examina pelo procedimento regular de revisão da votação. Esse mecanismo permite aos partidos indicar seções cujos resultados consideram necessário reavaliar; a abertura dessa análise não constitui reconhecimento das acusações.
Segundo o Times of Israel, um representante da comissão já havia rejeitado as alegações de fraude em entrevista ao Canal 12 na quarta-feira. A manifestação policial reforçou a ausência de sustentação para a denúncia de que os partidos árabes teriam roubado a eleição.
Resultado árabe amplia dificuldades de Netanyahu
A ofensiva do Likud ocorreu após o desempenho histórico do Ra’am e da Lista Conjunta. Com a apuração ainda em andamento, as duas forças políticas caminhavam para conquistar, juntas, 19 cadeiras na Knesset, o Parlamento israelense, ante dez na composição anterior. O avanço ampliava sua influência nas negociações para formar o próximo governo.
Os resultados parciais deixavam tanto o bloco de Netanyahu quanto os partidos de liderança judaica contrários ao primeiro-ministro sem maioria parlamentar. Nesse cenário, o principal adversário de Netanyahu, Gadi Eisenkot, poderia buscar apoio árabe para viabilizar um governo, embora integrantes da própria oposição rejeitassem essa possibilidade.
Ao longo da campanha, Netanyahu e o Likud procuraram desqualificar a cooperação política com as legendas árabes. O Times of Israel informou que veículos de imprensa em hebraico já haviam noticiado, antes da votação, que o partido preparava contestações aos resultados em localidades árabes caso Netanyahu não vencesse. A distribuição definitiva das cadeiras ainda dependia da conclusão da contagem.


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