Brasil teve queda de 27% na expansão da energia eólica e solar em 2025, diz pesquisa
247 – O Brasil registrou uma queda de 27% na expansão da capacidade instalada de energia eólica e solar em 2025, com a incorporação de 17,3 gigawatts (GW) ao sistema elétrico nacional, ante quase 24 GW em 2024. Os dados fazem parte de um levantamento da consultoria BloombergNEF (BNEF), divulgado pela Agência iNFRA nesta quarta-feira (14), que identifica obstáculos à continuidade do crescimento das fontes renováveis no país.
A retração está associada principalmente às limitações da infraestrutura de transmissão de eletricidade, ao aumento dos cortes de geração e à deterioração das condições econômicas para novos investimentos. O desempenho brasileiro também contribuiu para a primeira redução anual na expansão da capacidade de energia limpa da América Latina em mais de dez anos.
O segmento eólico está entre os mais atingidos. O Brasil acrescentou 2 GW de capacidade de geração a partir dos ventos em 2025, volume inferior à metade das instalações registradas no ano anterior. A perspectiva para os próximos anos indica uma desaceleração ainda maior.
Segundo a BloombergNEF, as novas instalações eólicas poderão alcançar apenas 0,4 GW em 2027. A projeção reflete a continuidade dos cortes de geração, as dificuldades de financiamento e viabilização econômica dos empreendimentos e a falta de definições regulatórias sobre mecanismos de compensação aos produtores de energia.
A consultoria prevê que a recuperação do ritmo de expansão dessa fonte ocorra gradualmente apenas nos últimos anos da década.
Cortes de geração e custos afetam novos investimentos
Um dos principais problemas identificados no levantamento é o chamado curtailment, expressão utilizada para designar a redução ou interrupção da produção de eletricidade por determinação do operador do sistema.
Esses cortes podem ocorrer quando a geração supera a capacidade de escoamento da rede ou quando há necessidade de equilibrar a oferta e a demanda de energia no sistema elétrico.
Para os empreendedores, as restrições representam um obstáculo econômico, uma vez que impedem a comercialização de parte da eletricidade que as instalações poderiam produzir.
As incertezas sobre a compensação financeira pelas perdas decorrentes desses cortes também dificultam a avaliação da rentabilidade de novos projetos, especialmente no segmento eólico.
A energia solar enfrenta desafios distintos conforme o tipo de instalação. Os sistemas de pequeno porte apresentam maior resistência aos cortes de geração, mas a BloombergNEF também prevê uma desaceleração nesse mercado.
Nesse caso, um dos fatores apontados é a aplicação progressiva de tarifas mais elevadas pelo uso da rede de distribuição, conforme as regras estabelecidas pela Lei 14.300/2022.
O marco legal prevê mudanças graduais na cobrança pelo uso da infraestrutura elétrica para determinadas unidades de geração distribuída. Segundo a consultoria, esse processo tende a diminuir a vantagem econômica de novos sistemas solares de pequeno porte.
Armazenamento em baterias deve acelerar até 2028
A BloombergNEF identifica uma perspectiva diferente para o armazenamento de eletricidade, que deverá apresentar o maior crescimento entre as tecnologias analisadas para o setor elétrico brasileiro.
A expectativa é que a capacidade de armazenamento adicionada anualmente por meio de baterias ultrapasse 1 GW até 2028. Em 2025, esse volume foi de aproximadamente 90 megawatts (MW).
O avanço representa uma mudança nas oportunidades de investimento em um mercado que enfrenta dificuldades para absorver o crescimento da geração renovável.
Na avaliação da consultoria, a expansão começará principalmente por instalações associadas a consumidores residenciais, comerciais e industriais.
Posteriormente, a tecnologia deverá ganhar espaço também em empreendimentos de grande porte, com impulso esperado do primeiro leilão brasileiro dedicado ao armazenamento de energia em baterias, previsto para dezembro de 2026.
Esses sistemas permitem armazenar eletricidade para utilização posterior, oferecendo maior flexibilidade ao sistema elétrico e contribuindo para administrar as variações de produção de fontes intermitentes, como a solar e a eólica.
América Latina deve recuperar ritmo de expansão em 2026
Apesar da desaceleração brasileira, a BloombergNEF projeta uma retomada das instalações de tecnologias de energia limpa na América Latina em 2026.
A expectativa é que a região acrescente 29 GW de capacidade combinada de geração eólica, solar e armazenamento ao longo do ano.
O crescimento deverá ser sustentado principalmente pelo avanço das baterias e pela expansão dos mercados de energia renovável em países como México e Chile.
Essa movimentação também poderá modificar a distribuição regional dos investimentos, reduzindo a concentração das novas instalações no Brasil.
As projeções indicam, assim, trajetórias distintas para as tecnologias renováveis: enquanto a geração eólica brasileira enfrenta perspectivas de retração até 2027, o armazenamento de energia tende a ampliar sua participação no setor elétrico nos próximos anos.



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