Entenda como justiça absolveu acusado de matar ex-ator mirim João Rebello na Bahia
247 – O Tribunal do Júri de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, absolveu nesta terça-feira (13) Felipe Souza Bruno, conhecido como Zingue, acusado de envolvimento no assassinato do ex-ator mirim João Rebello Fernandes. A decisão foi tomada por maioria de votos dos jurados, após o próprio Ministério Público da Bahia (MP-BA) defender a absolvição por insuficiência de provas sobre a autoria do crime, ocorrido em outubro de 2024, no distrito de Trancoso.
Segundo reportagem do UOL, a juíza Michelle Menezes Quadros Patrício acolheu o veredito do Conselho de Sentença e determinou a expedição de um alvará de soltura para o réu. A decisão estabelece que Felipe seja colocado em liberdade caso não exista outra ordem judicial que justifique sua permanência na prisão.
Durante o julgamento, o promotor Igor Saulo Ferreira Rocha Assunção sustentou que os elementos apresentados no processo não eram suficientes para comprovar que Felipe havia participado do homicídio. A manifestação do Ministério Público acompanhou a tese defendida pelos advogados do acusado, que contestaram sua autoria no crime.
Os assistentes de acusação, que atuaram na representação dos interesses da família da vítima, adotaram posição diferente. Eles solicitaram a condenação do réu por homicídio qualificado, apontando motivo torpe e utilização de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa de João Rebello.
Após examinar as acusações, os integrantes do Conselho de Sentença rejeitaram, por maioria, a atribuição da autoria do assassinato a Felipe. Com esse resultado, não houve necessidade de prosseguir com os demais quesitos relacionados à responsabilização penal do acusado.
Família de João Rebello ainda pode recorrer da absolvição
A decisão do Tribunal do Júri não encerra necessariamente a tramitação judicial do caso. Os advogados da família da vítima podem apresentar recurso no prazo de cinco dias após a intimação da sentença.
Caso haja contestação, o recurso será submetido ao Tribunal de Justiça da Bahia, que poderá avaliar os fundamentos jurídicos apresentados e, se entender cabível, determinar a realização de um novo julgamento.
A defesa da família ainda não havia apresentado posicionamento sobre o resultado do júri até a publicação da reportagem.
Nas redes sociais, a atriz Maria Carol Rebello, irmã de João, informou que o acusado havia sido inocentado, mas não manifestou opinião sobre a decisão.
Ex-ator foi assassinado a tiros dentro de carro em Trancoso
João Rebello Fernandes morreu em 24 de outubro de 2024, aos 45 anos, depois de ser atingido por disparos de arma de fogo enquanto estava dentro de um Mitsubishi Pajero TR4 estacionado na Praça da Independência, na região central de Trancoso, distrito turístico de Porto Seguro.
A investigação policial apontou a possibilidade de o ex-ator ter sido morto por engano. De acordo com essa linha investigativa, os responsáveis pelos disparos teriam confundido João com outra pessoa que vinha recebendo ameaças devido à proximidade com policiais.
O caso teve outros dois investigados no processo criminal.
Um deles, Anderson Nascimento Sena, morreu em julho de 2025. Em consequência da morte, a Justiça declarou extinta sua punibilidade, encerrando a possibilidade de aplicação de pena criminal contra ele.
O outro investigado, Wallace Santos Oliveira, não foi submetido ao Tribunal do Júri em razão de uma decisão judicial anterior.
A absolvição de Felipe Souza Bruno ocorre quase dois anos depois do assassinato e representa um novo desdobramento da investigação sobre o crime que provocou repercussão nacional.
João Rebello começou a carreira na televisão ainda criança
Sobrinho do diretor Jorge Fernando, morto em 2019, e filho da atriz Maria Rebello, João iniciou sua trajetória artística na infância e participou de produções da TV Globo durante as décadas de 1980 e 1990.
O ex-ator ficou conhecido por trabalhos na televisão brasileira antes de direcionar sua carreira para outras atividades no setor cultural.
Nos últimos anos de vida, ele atuava como DJ e produtor audiovisual, desenvolvendo projetos ligados à música e à produção de conteúdo.
O julgamento realizado em Porto Seguro terminou sem a condenação de Felipe Souza Bruno. A possibilidade de recurso permanece aberta à representação da família, enquanto a autoria do assassinato de João Rebello segue sem uma condenação definitiva no processo relatado.


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