Ataques ao STF instalaram uma ditadura
Se você acha que junho de 2013 foi ruim por ter tirado a extrema direita do armário, por ter derrubado Dilma Rousseff e por ter levado à prisão de Lula, você não viu nada.
Convocadas pelo movimento de esquerda “Passe Livre”, as mal chamadas “jornadas de junho” não foram nada diante da catástrofe que representa o fato de amplos setores da esquerda terem feito coro aos ataques da direita ao ministro Alexandre de Moraes por negócios de parentes que vários outros integrantes do STF têm, e que são legais, ainda que possam ser questionados moralmente.
O bolsonarismo mal acreditou quando expoentes e comunicadores alinhados ao governo Lula passaram a endossar suas críticas, primeiro a Dias Toffoli, depois a Moraes e, por fim, a praticamente todos os integrantes do Tribunal, salvo Edson Fachin e Cármen Lúcia, que tratou de garantir aplausos da elite branca nos seus aeroportos e aviões.
A esquerda que a direita adora não brinca em serviço.
Agora, o Brasil vê, estarrecido, o PL avisar que vai tirar Alexandre de Moraes do Supremo e que, se Flávio Dino não se comportar e continuar a investigar roubo de emendas parlamentares pelos deputados e senadores de direita, será afastado também.
Ou seja: o Brasil não terá mais Poder Judiciário se muitos ministros se acovardarem ante os ultimatos e chantagens do bolsonarismo.
E olhe que um dos primeiros cânones do bom Direito é o de que magistrados devem decidir sem levar em conta pressões de qualquer tipo, sobretudo da imprensa, da opinião pública e, principalmente, da classe política.
É por isso que, no mundo inteiro, juízes ganham bem e é muito difícil afastá-los do cargo, para que tenham tranquilidade para decidir sob os ditames da lei.
O bolsonarismo usou o fato de que até a esquerda estava criticando os juízes que condenaram Jair Bolsonaro, e hordas de integrantes da seita, para convencer o eleitorado de que são todos inocentes como anjinhos.
O resultado de mais essa burrada da esquerda poderá ser uma ditadura em que juízes decidirão só o que o ditador miliciano quiser, em que o ditador miliciano escravizará trabalhadores, devolverá as mulheres à Idade Média e imporá uma teocracia ao povo.
Sem falar em homossexuais, indígenas, nordestinos, esquerdistas, artistas (de verdade) e intelectuais, os quais, em todas as ditaduras, são sempre as primeiras vítimas.
Mas isso só se a sociedade continuar embriagada a ponto de permitir que seja eleito um playboy da Zona Sul do Rio de Janeiro ligado a bandidos de todas as cepas.
E note, leitor, que, se barrarmos o Rachadinha, ainda restará aquele Congresso com os mesmos 300 picaretas de sempre.



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