O PL quer transformar o Rio de Janeiro em uma terra improdutiva
A extrema-direita do Rio de Janeiro elegeu 21 dos 70 deputados estaduais, 15 dos 46 deputados federais, dois senadores e levou seus candidatos ao Governo do Estado e à Presidência da República ao segundo turno. Mas uma eleição não revela apenas o que se colhe, mas também o que se pretende plantar. A pergunta que fica, portanto, é: que sementes o PL tem a oferecer ao Rio de Janeiro?
Flávio Bolsonaro, herdeiro político do projeto golpista de seu pai, que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, já deixou claro o que pretende para o Brasil. Nos últimos meses, seu nome esteve no centro dos principais escândalos mundiais, das relações milionárias com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, às mensagens envolvendo orgias com garotas de programa.
Isso sem contar as ações de Flávio contra a soberania do Brasil, ao agir em defesa dos interesses de Donald Trump e tentar entregar de graça as maiores riquezas do país aos Estados Unidos. O que está em jogo, portanto, é o risco de novos ataques à democracia brasileira e de retrocessos nos direitos sociais conquistados com muita luta e garantidos pela Constituição Federal de 1988.
Já Douglas Ruas, candidato do PL ao Governo do Estado, tenta se apresentar como uma novidade na política fluminense, mas faz parte do mesmo grupo que deixou o Rio mergulhado em uma crise política, econômica e institucional. Ele foi secretário de Cidades do governo Cláudio Castro, condenado e cassado por abuso de poder político e econômico no escândalo do Ceperj.
Além disso, é preciso lembrar que Douglas Ruas só se tornou candidato ao governo porque Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), foi preso por vazar informações sigilosas da Polícia Federal ao Comando Vermelho. Ou seja, a primeira opção de Flávio Bolsonaro para comandar o Palácio Guanabara era justamente o principal braço político do crime organizado.
No Senado, a realidade também é lamentável. O povo fluminense perdeu a oportunidade de ter Benedita da Silva como representante, a primeira mulher negra eleita vereadora, deputada e senadora pelo Rio de Janeiro. Mesmo com 3,2 milhões de votos, a vaga ficou com Carlos Jordy, que agora terá foro privilegiado enquanto é alvo de investigações por desvio de recursos da cota parlamentar, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Assim, neste segundo turno, mais do que nunca, precisamos derrotar nas urnas esse projeto de poder que se organiza com a mesma lógica dos grandes latifundiários que o MST combate há 43 anos. Concentram poder como se concentram terras, mas não produzem desenvolvimento, não distribuem oportunidades e pouco devolvem ao povo fluminense.
Dessa forma, a reeleição de Lula é o único caminho para derrotar a extrema-direita que floresceu no Rio — e que, se depender de nós, também será derrotada aqui. De um lado, está o torneiro mecânico de Garanhuns (PE), que tirou o Brasil do Mapa da Fome duas vezes. Do outro, está o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo governo deixou o país na fila dos ossos.
Basta comparar os resultados dos últimos anos. No governo Lula, o PIB cresceu mais do que no governo Jair Bolsonaro, enquanto o salário mínimo passou de R$998, em 2019, para R$1.621, em 2026. A taxa de desemprego, que terminou o governo Bolsonaro em 9,3%, caiu para 5,6% em 2025, enquanto a pobreza recuou de 31,6% da população, em 2022, para 23,1% em 2024.
Pelo mesmo motivo, defendemos também Eduardo Paes para o governo do estado. Precisamos encerrar de vez este ciclo de desgoverno e corrupção que há décadas afunda o Rio de Janeiro. Embora Paes não represente integralmente o que defendemos, sua eleição abre uma oportunidade democrática de diálogo para construir um novo projeto de futuro para o estado.
Se a esquerda não apoiar Paes neste segundo turno, irá manter no governo o mesmo grupo político que, desde a eleição de Wilson Witzel, em 2018, não oferece respostas aos principais problemas da população. Por isso, nossa tarefa agora é disputar essa eleição nas ruas e nas redes, conversar com o povo e construir, junto à população, um novo caminho para o Rio de Janeiro.



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