Rogério Marinho diz não descartar diálogo com Moraes e Dino após eleições
247 – O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou nesta terça-feira (6) que não descarta uma conversa com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Flávio Dino após as eleições. A declaração ocorreu depois de uma reunião com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
Marinho, que coordena a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse que prefere aguardar o encerramento do processo eleitoral para procurar os dois ministros. Moraes e Dino estão entre os alvos prioritários de um processo de impeachment que o Partido Liberal (PL) pretende tentar viabilizar a partir de 2027.
Questionado sobre a possibilidade de diálogo com os ministros, Marinho respondeu: “Não é que é impossível, mas eu vejo que o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino têm se comportado nos últimos tempos com um viés político. Eu acho que política é para os políticos. A minha preocupação é com a interlocução com o Judiciário, não me nego a conversar com eles, mas eu acho que, nesse momento, vou deixar passar o processo eleitoral para procurá-los oportunamente, se for o caso, porque hoje me parece que, claramente, o viés político tem dominado as ações desses dois senhores ministros.”
Segundo o senador, o PL passará de 15 para 28 senadores na próxima legislatura e poderá contar com o apoio de pelo menos outros 20 parlamentares da oposição. A articulação daria à oposição uma base próxima dos 54 votos necessários para o afastamento de um ministro do Supremo, algo que nunca ocorreu na história republicana brasileira.
Críticas à atuação do Supremo
Marinho esteve no STF no início da tarde para uma reunião com Fachin. Após o encontro, afirmou que levou à Presidência da Corte preocupações da oposição sobre os rumos da Justiça no país.
Entre os pontos citados pelo senador está o que chamou de “intervenção continuada” na atuação da Justiça Eleitoral por Dino e pelo ministro Gilmar Mendes. Segundo Marinho, os dois teriam desautorizado os ministros André Mendonça e Kássio Nunes Marques em decisões recentes relacionadas ao caso Nossa Senhora Aparecida.
O líder da oposição também acusou o Senado de ser omisso na fiscalização da atuação do STF. Na avaliação dele, partidos de esquerda passaram a adotar uma estratégia para acionar ministros específicos da Corte e, dessa forma, contornar a distribuição de processos por sorteio.
Na sexta-feira (2), Fachin criou novas regras para a apresentação de petições por terceiros em processos que já estão em andamento no Supremo, com o objetivo de evitar esse tipo de procedimento.


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