Comércio entre China e Irã cresce dez vezes sob bloqueio dos EUA
247 – O Irã ampliou suas conexões ferroviárias e terrestres com a China para sustentar o comércio exterior diante do bloqueio naval dos Estados Unidos. Segundo reportagem da teleSUR publicada nesta terça-feira (29), as trocas comerciais por essas vias cresceram dez vezes, enquanto a rede ferroviária apresenta capacidade técnica para transportar entre 300 mil e 400 mil barris de petróleo por dia.
O parlamentar iraniano Meisam Zohourian apresentou os dados sobre a expansão logística em 29 de setembro, informa a teleSUR. A estratégia inclui a ativação de três corredores ferroviários, o aumento da capacidade dos portos no norte do país e a abertura de caminhos alternativos para a circulação de mercadorias.
A estimativa para o transporte de petróleo representa um potencial da infraestrutura, e não um volume de exportações já alcançado. Zohourian também reconheceu que as ferrovias não conseguem absorver toda a carga que o Irã movimentava anteriormente por via marítima.
Ainda assim, o uso dessas conexões permite diversificar os meios de transporte e reduzir a dependência dos portos atingidos pelas restrições americanas. No caso do petróleo, a capacidade apontada pelo parlamentar permitiria escoar parte da produção sem recorrer às rotas marítimas bloqueadas.
Vagões vazios elevam os custos do transporte
Um dos principais entraves à expansão das operações está no desequilíbrio entre os fluxos de entrada e saída de mercadorias. A maior parte das cargas que circulam pelas conexões ferroviárias corresponde a importações destinadas ao mercado iraniano.
Como resultado, os trens retornam com vagões vazios, o que deixa parte da capacidade de transporte sem utilização e encarece as viagens. O aumento das exportações por ferrovia busca aproveitar esse espaço disponível e distribuir os custos entre os dois sentidos do percurso.
Esse desequilíbrio também ajuda a explicar por que a ampliação das rotas, embora ofereça uma alternativa ao transporte marítimo, exige ajustes para atender às necessidades do comércio exterior iraniano. A infraestrutura disponível precisa acomodar um fluxo maior de produtos exportados pelo país.
Plano prevê transporte de petróleo e futuros oleodutos
A proposta iraniana prevê o uso inicial de caminhões e ferrovias para transportar petróleo e consolidar corredores comerciais alternativos. Essas operações poderão servir de base para a construção de oleodutos no futuro.
A implantação dessas estruturas depende de estudos que confirmem sua viabilidade financeira. Portanto, a possibilidade de novos oleodutos integra o planejamento de longo prazo e não corresponde a obras já anunciadas como concluídas ou em execução.
Segundo as informações atribuídas a Zohourian, a rede desenvolvida oferece uma alternativa para enfrentar as restrições atuais e preservar o intercâmbio comercial. O parlamentar, entretanto, apontou os limites dessa substituição ao reconhecer a diferença entre a capacidade ferroviária e o volume antes movimentado pelo mar.
Bloqueio pressiona os portos iranianos
De acordo com a teleSUR, o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, implementou o bloqueio naval em 13 de abril, após o fracasso das negociações de paz em Islamabad, no Paquistão. A medida restringe o trânsito de embarcações e o desembarque de cargas nos principais portos iranianos, com impacto sobre o escoamento de petróleo.
Nesse contexto, o Wall Street Journal publicou, em 23 de setembro, uma reportagem sobre cerca de 1.300 remessas provenientes da China com componentes para mísseis e drones destinados ao Irã, entre janeiro e o fim de junho. A teleSUR reproduziu essas informações e atribuiu o levantamento a registros alfandegários iranianos consultados pelo jornal americano.
Segundo esse relato, peças eletrônicas destinadas a sistemas de orientação e veículos não tripulados chegaram ao Ministério da Defesa iraniano no mesmo dia do anúncio do cessar-fogo de abril. O levantamento também mencionou remessas de peças para drones superiores a US$ 6 milhões e um aumento dos voos cargueiros chineses para o Irã ao longo do último ano.



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