CNBB rebate Flávio Bolsonaro e nega participação em viralização sobre Nossa Senhora Aparecida
247 – A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) negou neste domingo (27) ter participado da produção ou divulgação de informações falsas relacionadas à eleição presidencial. A manifestação rebateu uma declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que afirmou que “gente de dentro” da entidade teria ajudado a disseminar informações falsas sobre uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Flávio exerce mandato no Senado pelo Rio de Janeiro e teve sua candidatura presidencial registrada pelo TSE.
Em nota, a CNBB afirmou que “não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”. A entidade também contestou a acusação de envolvimento na disseminação de desinformação.
“Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”, afirmou a conferência.
A entidade acrescentou que rejeita o uso de informações falsas, independentemente de quem seja beneficiado ou prejudicado por elas, e negou qualquer vínculo com estruturas eleitorais ou partidárias.
“A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar. A CNBB não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura”, declarou.
Flávio Bolsonaro havia relacionado integrantes da CNBB à circulação de informações sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Ao comentar o episódio, o candidato atribuiu ao PT a tentativa de impulsionar a informação e afirmou que houve colaboração de pessoas ligadas à conferência.
“A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida. Não existia esse movimento para tirar ela de ser padroeira do Brasil. O PT, eu sei hoje, já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB. Infelizmente, essa é a realidade”, disse o senador.
A discussão ocorre após a circulação, durante a campanha eleitoral, de conteúdo sobre uma eventual retirada do título concedido à santa. A CNBB afirmou não ter participado da elaboração ou divulgação desse material e sustentou que acusações de envolvimento da instituição devem ser acompanhadas de fatos e provas.
Projeto de 2007 foi arquivado
Uma proposta para alterar a referência legal a Nossa Senhora Aparecida chegou a tramitar na Câmara dos Deputados em 2007. O então deputado federal Victório Galli, na época filiado ao PMDB de Mato Grosso, apresentou o Projeto de Lei 2623/2007, que propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
A proposição não avançou. O projeto foi rejeitado quanto ao mérito e arquivado em 22 de agosto de 2008, segundo a Câmara dos Deputados. A Casa voltou a esclarecer em 2018 que a proposta estava arquivada após informações falsas circularem nas redes sociais dizendo que o texto ainda estaria em análise.



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