Engenheira da Marinha morre em base militar em SP e corpo é levado para hospital antes da perícia
247 – A morte da engenheira da Marinha Beatriz Fickert Santoro, de 33 anos, dentro de uma instalação militar na Cidade Universitária da USP, em São Paulo, passou a ser investigada pelas autoridades, que também apuram uma possível fraude processual depois que o corpo da oficial foi retirado do local e levado a um hospital antes da realização da perícia.
Segundo informações divulgadas pela TV Globo e pelo g1 nesta sexta-feira (25), o caso foi registrado pela Polícia Civil como morte suspeita. Beatriz foi encontrada sem vida na quinta-feira (24) em um alojamento ligado ao Centro de Pesquisas da Marinha, na Zona Oeste da capital paulista. A causa da morte ainda não foi esclarecida.
De acordo com o boletim de ocorrência, o corpo da tenente foi retirado da instalação militar por uma capitã que teria se apresentado como médica da Marinha e levado até o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. O deslocamento ocorreu, segundo o registro policial, “antes da realização dos procedimentos periciais cabíveis para o esclarecimento das circunstâncias da morte”.
No Hospital Universitário, uma médica se recusou a emitir o atestado de óbito após constatar que Beatriz já havia chegado à unidade sem vida. A situação levou ao acionamento da Polícia Militar.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que “a Polícia Militar [PM] foi acionada na noite desta quinta-feira (24) para o Hospital Universitário da USP, após uma médica se recusar a fazer o atestado de óbito de uma mulher de 33 anos, oficial da Marinha do Brasil.”
A SSP acrescentou que, como a morte ocorreu dentro de uma instalação militar, a apuração deverá envolver órgãos federais. “Como os fatos ocorreram no interior de uma instalação militar, a investigação e as demais providências ficarão a cargo da Polícia Federal [PF] e da Marinha do Brasil”, informou a pasta.
A Polícia Militar afirmou que foi chamada para uma ocorrência de encontro de cadáver envolvendo uma mulher encontrada sem sinais vitais em um alojamento da Marinha localizado nas dependências da USP, no bairro do Butantã.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais que atenderam ao chamado receberam a informação de que “o corpo já teria falecido há algum tempo”. Diante das circunstâncias da remoção do corpo e da ausência de perícia no local onde Beatriz foi encontrada, a Polícia Civil registrou a necessidade de investigar uma eventual alteração da cena.
“Desse modo, especialmente diante da possibilidade, em tese, de eventual prática de fraude processual”, afirma trecho do registro feito no 7º Distrito Policial, na Lapa, ao justificar a necessidade de aprofundar a apuração.
A fraude processual ocorre quando há alteração artificial do estado de lugar, objeto ou pessoa com a finalidade de induzir a erro autoridades responsáveis por uma investigação ou processo. No caso de Beatriz, não há até o momento confirmação de que o crime tenha ocorrido. O boletim apenas aponta a hipótese a ser investigada.
A Marinha informou que a oficial foi encontrada “desfalecida” no alojamento do Centro Tecnológico da instituição e posteriormente conduzida ao Hospital Universitário da USP, onde sua morte foi constatada.
Em comunicado, a força afirmou ainda que “presta assistência social, psicológica e religiosa aos familiares e manifesta suas sinceras condolências a familiares e amigos”.
Como a morte ocorreu em uma instalação da Marinha, instituição vinculada à União, a Polícia Federal também foi acionada. Foi solicitada perícia técnica para auxiliar na determinação da causa da morte e no esclarecimento das circunstâncias envolvendo a retirada do corpo da base militar.
Beatriz era tenente e engenheira mecânica da Marinha. Segundo informações disponíveis em suas redes sociais, ela era casada. Uma amiga, Andreia Marcolino, publicou uma homenagem após a confirmação da morte.
“Você partiu cedo demais, deixando um silêncio que palavras nenhuma conseguem preencher. E eu ainda estou tentando entender como alguém pode estar aqui e, de repente, virar saudade”.
A investigação deverá esclarecer tanto o que provocou a morte da oficial quanto as circunstâncias e os procedimentos adotados entre o momento em que ela foi encontrada no alojamento e sua chegada ao Hospital Universitário da USP.



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