É oficial: o índice de pobreza subiu na Argentina
O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec, equivalente ao IBGE) informou, nesta quinta-feira, que o índice de pobreza no país chegou a 32,3% no primeiro semestre deste ano. O total de pessoas vivendo na indigência atingiu 7,5%. Os dados mostram que dois milhões de pessoas caíram na pobreza nos primeiros seis meses deste ano, segundo o levantamento oficial. Em relação ao segundo semestre do ano passado, o índice de pobreza subiu 4,1%, quando o Indec estimou o total de pessoas pobres em 28,2%. Já a quantidade de pessoas na indigência foi ampliada em 1,2%. Os dados divulgados nesta quinta-feira são negativos em todos os sentidos. Quando comparados com o primeiro semestre do ano passado, eles também cresceram – de 31,6% no caso de pobres.
Milei
Os dados desta quinta-feira foram divulgados pelo Indec pouco depois de o presidente argentino, Javier Milei, ter afirmado em Nova York, onde participou da Assembleia das Nações Unidas, que seu governo “tirou 14 milhões de pessoas da pobreza”.
Inflação
O incremento do número de pobres na Argentina ocorreu por efeito direto do comportamento inflacionário no primeiro semestre deste ano. A cesta básica usada no cálculo da inflação no país inclui alimentos, bens e serviços necessários para que uma família de 4 pessoas não seja definida como pobre. Já no cálculo sobre indigência o retrato é a cesta básica de alimentos. E ela subiu quase 20% no primeiro semestre deste ano – acima da inflação de 16,8% no mesmo período.
Consumo e reclamações
O modelo econômico de Milei tem sido comemorado por setores como o agro, a mineração e o petróleo, que, no entanto, também registraram aumento na desocupação. Os demais segmentos da economia, como o consumo, encolheram fortemente e é comum ouvir em Buenos Aires as reclamações em relação aos preços, por exemplo, da energia elétrica, que disparou desde que deixaram de ser controlados, como ocorria nos governos anteriores do kirchnerismo. Milei é apontado como um modelo a ser seguido pela extrema-direita, mas atualmente tem cerca de 30% ou 35% de apoio, dependendo da pesquisa de opinião. E a realidade econômica e suas atitudes (não há trégua no seu estilo de insultos) são os motivos básicos para esse apoio limitado e o alto percentual (cerca de 60%) de rejeição.



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