Anvisa aprova versão em comprimido do emagrecedor Wegovy
247 – Uma alternativa inédita aos tratamentos injetáveis contra a obesidade acaba de ser liberada no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (4) a comercialização do Wegovy em comprimidos, tornando-se a primeira versão oral pertencente à classe de análogos de GLP-1 a receber autorização no país. Desenvolvida pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, a medicação formulada com a substância semaglutida tem previsão de lançamento nas farmácias no primeiro semestre de 2027.
Destinada exclusivamente ao público adulto, a nova apresentação oral exige acompanhamento com plano alimentar focado em restrição calórica e prática regular de rotinas de exercícios. Ela foi homologada para o tratamento de quadros de obesidade (definidos pelo IMC igual ou superior a 30 kg/m²) ou sobrepeso (IMC de 27 kg/m² até abaixo de 30 kg/m², desde que combinado a pelo menos uma comorbidade associada). A versão injetável, que já contava com aprovação nacional para esses mesmos perfis metabólicos, diferencia-se por permitir o uso também em adolescentes a partir de 12 anos.
Em posicionamento oficial sobre o aval concedido, a Anvisa destacou que a semaglutida “atua na regulação do apetite e da ingestão alimentar, promovendo redução do peso corporal e melhora de parâmetros metabólicos associados à obesidade”.
O protocolo de administração do comprimido requer uma dose diária tomada pela manhã, estritamente em jejum e acompanhada de um volume reduzido de água. O paciente necessita aguardar no mínimo 30 minutos após a ingestão para consumo de qualquer alimento, bebida ou outros fármacos. A escala de dosagem é progressiva: inicia-se em 1,5 mg, passa por etapas subsequentes de 4 mg e 9 mg, até alcançar o patamar diário de manutenção estabelecido em 25 mg.
Segundo o órgão regulador, a novidade traz “mais flexibilidade terapêutica aos pacientes e profissionais de saúde, o que inclui a possibilidade de transição entre as formulações oral e subcutânea (injetável), quando clinicamente apropriado, de acordo com as orientações aprovadas em bula”.
Os ensaios clínicos que fundamentaram a decisão da Anvisa integraram o estudo de fase 3 denominado OASIS 4. Os dados demonstraram que pacientes adultos submetidos à dose diária de 25 mg alcançaram uma eliminação média de 13,6% do peso corporal ao longo de 64 semanas. Em simulações que consideraram a adesão ininterrupta do grupo ao tratamento, o índice estimado de perda ponderal chegou a aproximadamente 17%, com um terço dos participantes registrando retração igual ou superior a 20% do peso. As análises também confirmaram progressos significativos em diversos indicadores da saúde cardiometabólica dos voluntários. Para efeito de comparação, a fórmula subcutânea do Wegovy registrou redução média de 17,4% após 68 semanas no estudo STEP-4.
Em termos econômicos, o valor final do Wegovy oral no comércio brasileiro ainda depende do teto tarifário a ser estipulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), etapa mandatória antes da chegada das caixas às prateleiras. Nos Estados Unidos, o custo mensal do tratamento com a dosagem de 25 mg gira em torno de US$ 299 (cerca de R$ 1,6 mil na conversão direta).
A Anvisa analisa simultaneamente outra proposta de terapia oral de uso diário pertencente à mesma família farmacológica: a orforgliprona. Produzida pela farmacêutica Eli Lilly — fabricante da tirzepatida (Mounjaro) —, a substância é vendida no mercado norte-americano sob a marca Foundayo e aguarda parecer definitivo do órgão regulador brasileiro.


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