Fim da 6×1, tarifa zero e empate nas pesquisas colocam em xeque favoritismo de Flávio
Com a aprovação definitiva do fim da escala 6×1, bandeira histórica da classe que vive do trabalho desde a Constituinte de 1988, e a promessa de tarifa zero nos fins de semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva consolidou sua ofensiva política para virar o placar do segundo turno.
Todos os levantamentos divulgados desde segunda-feira — BTG/Nexus, Poder/Aya, Quaest, Palver, Indexa/Broadcast e Datafolha — apontaram empate técnico, frustrando a expectativa do mercado financeiro de ampliação da vantagem do senador Flávio Bolsonaro após o primeiro turno. Com margens de erro na faixa dos dois pontos percentuais, os resultados não permitem descartar que já esteja em curso uma inversão da dianteira entre os candidatos.
Em paralelo, o adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, em razão do impasse em torno da redução da maioridade penal, mantém a pauta como instrumento de agitação e propaganda do incumbente, sem desgastá-lo perante sua base histórica nem oferecer um bônus imediato à oposição.
Principal proposta de caráter antissistema do Palácio do Planalto, como indica a resistência de empresários e investidores a ela, a redução da jornada de trabalho, agora acompanhada da expectativa de passe livre, reforça a agenda social do incumbente em meio à sua recuperação nas pesquisas eleitorais, enquanto Flávio se concentra em conquistar a validação do mercado para a sua agenda econômica. Para a Faria Lima, ela precisará passar por cortes estruturais de gastos públicos envolvendo salário mínimo, aposentadorias, assistência social, educação e saúde. No Rio de Janeiro, a considerada futura gestão do PL já fala em zerar investimentos para conter o déficit nas contas públicas do estado.
O desfecho do segundo turno, porém, segue em aberto, com favoritismo do senador Bolsonaro, que precisará sustentar sua liderança já avaliada como frágil.


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