Novo Tesla Roadster: ver uma vaca voando será mais fácil!
Na noite da última quinta-feira, a Tesla inovou naquilo que o marxismo conceituou como fetiche da mercadoria, que é o valor mágico – e independente das condições materiais que o criaram – que um produto passa a ter sob determinada condição de mercado. A nova geração do Roadster já pode ser reservada em cerca de 40 países, por meio de depósitos de US$ 50 mil a US$ 250 mil (o equivalente a R$ 253,5 mil e quase R$ 1,3 milhão). Infelizmente, o superEV que estampa as manchetes globais neste final de semana como “o primeiro superesportivo que voa” não está disponível no Brasil. Mas isso não é o fim do mundo. É que, apesar de o protótipo apresentado pelo presidente-executivo (CEO) Elon Musk ter levitado e dado um giro acrobático sobre seu próprio eixo, no ar, o Tesla Roadster não será visto voando por aí – pelo menos tão cedo. Será mais fácil ver uma vaca voando.
A produção da versão comercial só começa em 2028 e o objetivo da Tesla, por agora, é criar uma “falsa consciência”, uma “aura” para o veículo, amplificando o culto sobre o próprio Musk – e o fato de você estar lendo este texto comprova isso. Tanto é que os preços oficiais do novo Tesla Roadster não foram divulgados, mas estima-se que a versão “básica”, Performance, parta de US$ 200 mil (o equivalente a R$ 1,1 milhão, fora taxas, impostos e encargos). A intermediária, Thrust, deve multiplicar este valor por quatro, enquanto a Rocket, topo de linha, será exclusiva para clientes que a própria marca irá selecionar – só esta configuração terá o mesmo sistema de “voo” do protótipo apresentado na última quinta-feira.
Em termos técnicos, o novo Tesla Roadster sobressai pelo aerofólio traseiro ativo (Active Aero) e pelo sistema de sucção multimodo (MMSS), que funciona como um gerador de força descendente, extraindo o ar de baixo do veículo – o chamado ‘efeito solo’. Os propulsores de gás (cold-gas thrusters), exclusivos da versão Rocket, usam atuadores elétricos capazes de microajustes em frações de segundo, “estabilizando o veículo em voo”, e a direção eletrônica conta com modo “Track” para rebaixar o superesportivo e reconfigurar a suspensão.
Nunca é demais sublinhar que a versão Rocket, a única que – em tese – voará, não é homologada para uso em vias públicas e que, ao contrário das outras, que possuem dois lugares, conta apenas com o banco do “piloto”. Ou seja, você jamais a verá rodando pelas ruas de Miami, Los Angeles ou dando voltas em torno da Torre Eiffel, em Paris.
Gestação demorada – O Tesla Roadster original foi vendido entre 2008 e 2012, e a nova geração vem sendo gestada desde 2017, quando foi apresentada como um carro-conceito. A demora explica, em parte, a espetacularização deste novo protótipo, que acelerou de 0 a 100 km/h (na verdade, de 0 a 96 km/h) em 0,8 s e atingirá – foi o que Musk prometeu para o futuro – uma velocidade máxima de “mais de 370 km/h”. O todo-poderoso da indústria automotiva global e dono da SpaceX foi além e disse que “objetivo é ultrapassar metade da velocidade do som”, o que daria algo como 616 km/h. “Ele vai quebrar todos os recordes”, assegura Musk.
O leitor capturado pelo fetiche da mercadoria deve imaginar que o novo Tesla Roadster é equipado com os mesmos propulsores aeroespaciais dos foguetes da SpaceX, mas isso não passa de uma armadilha de marketing. “Notamos que o modelo usado para as acrobacias era diferente do que foi exibido no palco”, comenta o editor-chefe da revista norte-americana “Car and Driver”, Eric Stafford. “De qualquer forma, das três versões, apenas a Rocket será dotada de aerodinâmica ativa, propulsores de gás (frio) e sistema de sucção multimodo”, destaca Stafford.
Tecnicamente, o novo Tesla Roadster ainda sobressai pelo uso de materiais leves e de alta resistência em toda a sua estrutura, incluindo magnésio, titânio e fibra de carbono; e pela pintura – esta sim, advinda do segmento aeroespacial – com dissipação eletrostática. Externamente, destaque para os faróis escamoteáveis e para as portas “borboleta” que se abrem para cima. Internamente, para o conceito Ultrawhite, com bancos que possuem reforços laterais em microcamurça e três telas (a central sensível ao toque). Toda a pantomima da sua apresentação pode ser vista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=qt5p-_tE8d0



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